ELEIÇÕES 2026

Críticas de Zema criam ruídos em articulações de Simões para a reeleição

Ataques do ex-governador a Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira provocam desgaste com PL e PP no momento em que governador tenta consolidar palanque para 2026

Publicidade
Carregando...

O desejo do governador Mateus Simões (PSD) de construir uma ampla frente da direita para a eleição de 2026 começou a enfrentar novos obstáculos após a escalada das críticas feitas pelo seu padrinho político, o ex-governador Romeu Zema (Novo), contra os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A ofensiva pode levar à perda de mais um aliado depois de já ter sido preterido pelo PL na terça-feira (12/5).

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Em meio ao avanço das investigações envolvendo o Banco Master, Zema intensificou os ataques ao presidente nacional do PP. Em publicação nas redes sociais, classificou Ciro Nogueira como um “político vendido”, defendeu o aprofundamento das apurações conduzidas pela Polícia Federal e afirmou que o caso seria apenas a “ponta do iceberg”.

As críticas de Zema a Ciro passaram a ser vistas dentro da cúpula nacional do partido como um fator de desgaste desnecessário no momento em que as negociações estaduais ainda estavam em curso.

Até poucas semanas atrás, o cenário era tratado como favorável ao governador mineiro. Ciro havia declarado apoio público a Simões e avalizado a indicação do então secretário de Governo, Marcelo Aro (PP-MG), para uma das vagas ao Senado na chapa governista. O entendimento havia sido construído ainda em agosto do ano passado e vinha sendo tratado internamente como um dos acordos mais avançados da pré-campanha.

Em entrevista ao Estado de Minas em março deste ano, Aro garantiu ter a palavra dos presidentes de ambos os partidos sobre o apoio a Simões. “Já deixaram claro que o candidato deles ao governo de Minas é Mateus Simões”, disse o secretário. “Eu converso dia sim dia não com eles. Você acha que eu estaria falando isso se não tivesse sentado e ouvido a palavra deles?”, completou.

O problema para o PSD é que o Progressistas integra a federação com o União Brasil, o que obriga os dois partidos a caminharem juntos nas eleições estaduais. E dentro da própria federação ainda não há consenso sobre qual rumo tomar em Minas Gerais.

Poucas semanas após as declarações de Marcelo Aro, o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, responsável pela coordenação da federação no estado, tratou de esfriar o discurso de acordo fechado. Também em entrevista ao EM, afirmou que a federação ainda não havia tomado qualquer decisão definitiva sobre apoio ao governo mineiro e condicionou a escolha à consolidação do cenário eleitoral. A fala contrariou diretamente integrantes do próprio grupo político que davam a composição como encaminhada.

Agora, porém, interlocutores ligados à direção nacional do PP afirmam que o ambiente mudou nas últimas semanas. Nos bastidores, dizem que o presidente nacional do PP deixou de tratar a composição em Minas como prioridade absoluta e decidiu reavaliar o cenário antes de avançar em novas definições.

Parlamentares do partido em Minas também passaram a defender cautela diante da instabilidade criada pelo embate nacional.

Zema afasta de vez o PL

O PL já havia decidido, na terça-feira (12/5), colocar em segundo plano a possibilidade de composição com Simões e concentrar esforços na construção de uma aliança com o Republicanos em Minas Gerais. Mas, depois de Flávio entrar na lista de personas non gratas de Zema, a avaliação interna agora é de que o afastamento é praticamente definitivo.

A crise ganhou força após a divulgação de mensagens entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, reveladas pelo portal Intercept Brasil. O conteúdo mostrava conversas relacionadas ao financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulada “Dark Horse”.

Horas depois da publicação da reportagem, Zema publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que ouvir o senador cobrando dinheiro do banqueiro era “imperdoável”. A fala do ex-governador ocorreu um dia após a cúpula do PL consolidar a decisão de caminhar ao lado do Republicanos em Minas.

Embora o distanciamento já estivesse em curso, dirigentes do PL avaliam que o episódio encerrou de vez qualquer margem para retomada das conversas no curto prazo. O pré-candidato da legenda ao Senado, Domingos Sávio, afirmou que as declarações de Zema agravaram um cenário que já era considerado difícil por causa da disputa presidencial.

“A infeliz e precipitada declaração de Zema atacando Flávio sem sequer esperar suas explicações torna esta aliança agora praticamente impossível”, disse. “Entendo que esta gravação da mensagem de Flávio para Daniel Vorcaro não altera o quadro eleitoral aqui em Minas pelo fato objetivo de que ele respondeu rapidamente, deixando claro que não deve e não teme uma investigação profunda sobre o assunto, inclusive cobrando a instalação imediata de uma CPI do Banco Master para separar o joio do trigo”, disse.

A posição consolida a mudança de rota dentro do PL mineiro. Desde o início do ano, o deputado federal Nikolas Ferreira vinha atuando para aproximar o entorno de Jair Bolsonaro do então vice-governador Mateus Simões. O parlamentar participou de agendas públicas ao lado de Simões, acompanhou anúncios de obras e chegou a intermediar conversas entre o governo estadual e lideranças das forças de segurança.

A movimentação era vista como o embrião de uma possível composição entre PL e o herdeiro político de Zema para 2026. A articulação, no entanto, começou a enfrentar resistência dentro da própria legenda.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Setores ligados às forças de segurança passaram a demonstrar desconforto com a aproximação entre Nikolas e Simões, especialmente diante do desgaste acumulado da gestão Zema entre categorias da segurança pública. O incômodo ganhou força nas redes sociais e também dentro do grupo Direita Minas, movimento conservador do qual emergiram parte das lideranças bolsonaristas do estado.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay