PARTIDO

PT perde apoio de jovens eleitores e busca renovação

Com rejeição acima de 70% entre a população de 16 a 24 anos, Lula vê dificuldade de diálogo, enquanto o partido procura soluções, inclusive na bancada mineira

Publicidade
Carregando...

A seis meses das eleições de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta um dos dilemas mais sensíveis do atual cenário eleitoral: a perda consistente de apoio dos mais jovens. Levantamento da AtlasIntel divulgado no fim de março aponta que 72,7% dos brasileiros entre 16 e 24 anos desaprovam o presidente, enquanto apenas 26,7% aprovam sua gestão. O índice representa uma escalada expressiva em relação ao mês anterior, quando a desaprovação nesse grupo estava em 58,6%, e confirma tendência já observada em outros recortes etários, nos quais a rejeição diminui conforme aumenta a idade do eleitor.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

O dado se torna ainda mais relevante quando associado ao desempenho eleitoral. No mesmo levantamento, Lula aparece numericamente atrás do senador Flávio Bolsonaro entre jovens, indicando perda de competitividade em um segmento que foi decisivo para sua vitória em 2022. Além disso, 48,3% dos eleitores de 16 a 24 anos afirmam se preocupar mais com uma eventual reeleição do petista do que com a eleição de adversários, o que reforça a consolidação de uma rejeição específica nesse público.

A dificuldade de diálogo com a geração mais jovem ocorre em paralelo a um processo mais amplo de envelhecimento do Partido dos Trabalhadores (PT). Dados recentes mostram que a bancada petista na Câmara dos Deputados tem uma das maiores médias de idade do Congresso, acima de 55 anos, superando a maior parte das legendas e ficando atrás apenas de siglas tradicionalmente mais antigas em composição. A diferença se torna mais evidente quando comparada à de partidos de oposição, como o PL, cuja média etária é inferior e mais próxima da média geral da Casa.

A evolução histórica reforça esse diagnóstico. Quando chegou ao Congresso nos anos 1980, o PT era identificado como um partido de quadros jovens, com média de idade inferior a 40 anos e forte presença de lideranças oriundas de movimentos sociais e sindicais. Hoje, esse perfil se inverteu. Apenas cerca de 13% da bancada atual têm menos de 40 anos, enquanto cresce a participação de parlamentares com mais de 50, 60 e até 70 anos. Em termos proporcionais, o partido passou a concentrar uma fatia relevante de deputados sexagenários, algo distante de sua configuração original.

Esse envelhecimento não é apenas demográfico, mas também político. A maior presença de quadros consolidados e com longa trajetória parlamentar se combina com uma redução nos mecanismos formais de renovação. Em 2025, o PT revogou a regra que limitava o número de mandatos consecutivos para deputados, o que, na prática, eliminou um dos principais instrumentos internos de oxigenação da bancada. A decisão foi tomada em meio a tensões internas e reforçou a tendência de manutenção de lideranças tradicionais.

O próprio Lula tem reconhecido publicamente a necessidade de mudança. Ao tratar da formação de candidaturas, afirmou que o partido precisa incorporar novas gerações e admitiu a resistência interna à renovação. “Estamos ficando velhos. Essa juventude tem que entrar para segurar o PT”, declarou. Em outro momento, ao comentar a disputa por espaço dentro da legenda, ele afirmou que há parlamentares que não querem abrir espaço para novos nomes.

A avaliação é compartilhada pela direção nacional do partido. O presidente do PT, Edinho Silva, tem defendido a renovação como elemento central da estratégia eleitoral. “A renovação não é luxo, é necessidade de sobrevivência institucional”, afirmou.


NOVOS

Na prática, o partido tenta responder ao problema com a construção de novas candidaturas em diferentes regiões do país. Em Belo Horizonte, o nome de Pedro Rousseff (PT), sobrinho-neto da ex-presidente Dilma (PT), é apontado como uma das apostas para a Câmara dos Deputados, dentro da estratégia de ampliar a presença de quadros mais jovens. Em São Paulo, a vereadora Luna Zarattini (PT) foi incentivada a disputar vaga federal, enquanto no Paraná a deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT), de 25 anos, também surge como aposta. Em Pernambuco, a deputada Rosa Amorim (PT), de 29 anos, integra esse conjunto de nomes associados à tentativa de renovação geracional.

Apesar da movimentação, o desafio permanece elevado. A mudança no perfil do eleitor jovem ocorre em um contexto de transformação mais ampla da política, marcada pelo avanço das redes sociais, pela valorização de discursos mais diretos e pela menor identificação com partidos tradicionais. Dentro do próprio PT, há o reconhecimento de que o partido demorou a se adaptar a essas mudanças, especialmente na forma de comunicação e na leitura das novas dinâmicas sociais e econômicas.

A perda de apoio do PT entre jovens ocorre em um contexto mais amplo de mudança no comportamento político dessa faixa etária, marcado pelo crescimento de posições conservadoras e pela maior receptividade a discursos antiestablishment.

Levantamentos recentes de institutos como Datafolha e AtlasIntel indicam que, embora o eleitor jovem permaneça heterogêneo, houve aumento da identificação com pautas ligadas à direita, especialmente entre homens de 16 a 24 anos. Temas como meritocracia, empreendedorismo, redução do papel do Estado e crítica à política tradicional passaram a ganhar mais espaço nesse público, em contraste com ciclos anteriores em que jovens tendiam a se alinhar majoritariamente a agendas progressistas.

Esse movimento também se expressa com força no ambiente digital. Conteúdos associados ao chamado movimento “redpill”, difundidos em plataformas de vídeo e fóruns on-line, têm ampliado alcance entre jovens ao combinar críticas a instituições, rejeição a pautas progressistas e linguagem direta. Embora não se trate de um grupo organizado ou homogêneo, o fenômeno se conecta a um ecossistema mais amplo de influenciadores e criadores de conteúdo que orbitam o campo conservador.

Ao mesmo tempo, lideranças políticas de direita têm conseguido traduzir essas pautas em comunicação mais simples e de fácil circulação nas redes, ampliando engajamento nesse segmento. O resultado é um deslocamento gradual de parte da juventude para posições mais conservadoras ou menos alinhadas a partidos tradicionais. O diagnóstico de envelhecimento do PT também se reflete na composição da bancada federal em Minas. Entre os dez deputados do partido no estado, a maioria está concentrada em faixas etárias mais elevadas, com predominância de parlamentares acima dos 50 anos.

Dos atuais nomes, Leonardo Monteiro e Patrus Ananias têm 74 anos, enquanto Rogério Correia está com 68 anos. Também acima dos 50 estão Padre João (59), Paulo Guedes (55) e Reginaldo Lopes (52). Odair Cunha, com 49 anos, está na transição para esse grupo.Na outra ponta, apenas três deputados estão abaixo dos 40 anos: Dandara (32), Miguel Ângelo (34) e Ana Pimentel (43), já fora dessa faixa mais jovem.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Em termos proporcionais, cerca de 60% da bancada mineira do PT tem mais de 50 anos, enquanto apenas 20% estão abaixo dos 40. Outros 20% se concentram na faixa intermediária, entre 40 e 50 anos. A distribuição reforça o padrão nacional do partido, com forte presença de quadros mais experientes e menor participação de lideranças jovens.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay