Rogério Correia: Turma do Bolsonaro vai pedir impeachment de Nunes Marques?
Deputado federal questionou se as críticas se estenderão ao ministro do STF, uma vez que ele foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ao Supremo
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O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) questionou se o os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) irão criticar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques da mesma forma que criticam outros ministros com parentes com atuação na advocacia. O filho de Kassio, advogado Kevin de Carvalho Marques, recebeu um pagamento de mais de R$ 280 mil de uma empresa contratada pelo Master e JBS por R$ 18 milhões.
“A turma do Bolsonaro vai pedir impeachment do Ministro Nunes Marques? Ou parente de ministro indicado por Bolsonaro é diferente e pode ter parente advogado?”, escreveu o deputado na rede social X (antigo Twitter).
A turma do Bolsonaro vai pedir impeachment do Ministro Nunes Marques?
— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) March 19, 2026
Ou parente de ministro indicado por Bolsonaro é diferente e pode ter parente advogando ? https://t.co/x3WvSqH6TI
Apesar de não deixar explícito, Rogério fez referência às críticas recebidas pelo também ministro Alexandre de Moraes, cuja esposa atua na advocacia e manteve um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, do investigado pela Polícia Federal (PF) Daniel Vorcaro.
O acordo previa pagamento mensal de R$ 3,5 milhões e poderia atingir R$ 129 milhões ao longo de três anos. O vínculo foi encerrado após a liquidação extrajudicial do Banco Master determinada pelo Banco Central.
Em nota pública, o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados explicou que os serviços incluíam revisão de políticas internas do banco, elaboração de pareceres jurídicos, atualização de normas de compliance e apoio na implementação de novos procedimentos de governança corporativa.
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O questionamento veio em meio a uma informação divulgada pelo jornal O Estadão, que sinalizava um pagamento milionário a uma empresa de consultoria responsável pelo pagamento de mais de R$ 280 mil ao filho de Nunes Marques, o advogado Kevin de Carvalho Marques.
Conforme divulgado pelo jornal, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), registrou que, entre agosto de 2024 e julho de 2025, o Master repassou R$ 6,6 milhões à Consult Inteligência Tributária, empresa fundada em 2022 em Teresina (PI), cidade natal do ministro. No mesmo período, a JBS enviou outros R$ 11,3 milhões.
Os valores equivalem a tudo o que a empresa recebeu neste intervalo de tempo. No entanto, a consultoria declarou faturamento de apenas R$ 25,5 mil. Com isso, o Coaf classificou as movimentações como “incompatíveis com a capacidade financeira” da empresa, “indicando que alguns dos valores podem ter origem não formal”.
A lista de pagamentos feitos pela consultoria foi analisada e, dentre eles, a Coaf identificou 11 pagamentos que, juntos, somam R$ 281.630 ao escritório do filho de Nunes Marques, o advogado Kevin de Carvalho Marques. Conforme registros da OAB, Kevin é o único responsável pela empresa.
O filho de Nunes Marques tem 25 anos de idade e um ano de experiência na OAB, segundo site profissional retirado do ar. Ele atua no escritório com direito tributário e também como um dos procuradores da Refit, antiga Refinaria Marquinhos, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em Brasília. Kassio Nunes Marques foi desembargador no Tribunal antes de ser indicado ao Supremo pelo então presidente Jair Bolsonaro, no ano de 2020.
Ao Estadão, Kevin Marques declarou que os pagamentos são lícitos e decorrentes do exercício regular da advocacia “voltada ao físico administrativo”. Em nota, a JBS afirmou que contrata consultores “para apoiar sua atuação” na área tributária, incluindo a Consult. Por sua vez, a consultoria disse que presta serviços de auditoria e consultoria tributária, além de desenvolvimento de sistemas e migração de dados. Sobre os pagamentos ao advogado, disse apenas que se referem à “prestação de serviços técnicos e de assessoria jurídica para a Consult, entre 2024 e 2025”.
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O ministro Kassio Nunes Marques e o Banco Master foram procurados pelo Estado de Minas para pronunciamentos sobre o assunto e ainda não retornaram. O espaço segue aberto.