Almoço em Brasília reacende articulação de Pacheco com o MDB
Senador recebe Baleia Rossi e Newton Cardoso Júnior, em meio a especulações sobre filiação; Gabriel Azevedo reafirma pré-candidatura ao governo de Minas
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De saída do PSD, Rodrigo Pacheco recebe nesta quarta-feira (4/3), em Brasília, o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, e o presidente do diretório mineiro da legenda, Newton Cardoso Júnior, para um almoço. O encontro, previsto para ser realizado na casa do senador, ocorre em meio a especulações sobre uma possível filiação ao partido e contará também com a presença do ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo, anunciado pré-candidato ao governo de Minas em novembro do ano passado.
À reportagem, Azevedo confirmou que a eventual filiação de Pacheco será tema da conversa, mas refutou que o movimento represente a consolidação de uma candidatura ao Palácio Tiradentes. Ao contrário, segundo ele, o senador teria sinalizado, em diálogos recentes, não ter interesse em disputar cargos neste ano.
“Rodrigo e eu conversamos sempre. Ele demonstrou desejo de estar no MDB e afirma que não tem interesse em se candidatar a nada neste ano”, afirmou. “O MDB tem pré-candidato. Não é uma candidatura temporária. Estou muito firme com relação a isso.”
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O almoço de Pacheco com a cúpula do MDB já vinha sendo articulado desde o carnaval, quando as partes retomaram as conversas para uma eventual filiação do senador ao partido.
O retorno à sigla — na qual Pacheco iniciou sua carreira política em 2014 como deputado federal, antes da renomeação da legenda — só seria admitido após 4 de abril, data de encerramento da janela partidária, fato que inviabilizaria a candidatura de Pacheco ao governo.
A avaliação interna é de que esse timing afastaria de vez especulações sobre uma candidatura ao governo, ao mesmo tempo em que preservaria e fortaleceria o projeto de Azevedo. “Ele não sendo candidato, as pessoas não creem na filiação. A gente ainda não sabe o que vai acontecer, se ele vai vir ou não, mas quero o apoio dele”, declarou o pré-candidato.
Além da discussão sobre filiação, o cardápio político do encontro deve incluir a montagem das chapas proporcionais para deputado federal e estadual em Minas.
No aguardo
A eventual migração de Pacheco ao MDB teria efeito cascata. Aliados próximos ao senador, hoje abrigados no PSD, aguardam uma definição sobre seu destino partidário. A expectativa, entre dirigentes emedebistas, é que a mudança possa atrair deputados e lideranças locais dispostos a reforçar as chapas da legenda tanto para a Câmara dos Deputados quanto para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). “Quero o apoio dele, que ele mobilize suas forças. O senador é muito querido”, disse Azevedo.
O grupo político vinculado a Pacheco reúne deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores, muitos dos quais buscam uma legenda para a disputa eleitoral. Paralelamente, Azevedo tem intensificado agendas pelo interior do estado, articulando filiações e consolidando apoios entre prefeitos e lideranças regionais, em movimento que visa estruturar a candidatura própria do MDB ao governo mineiro.
Questionado se esse movimento poderia passar por uma articulação junto ao presidente Lula (PT), próximo de Pacheco e interessado em tê-lo como principal nome de seu palanque em Minas na campanha à reeleição, Azevedo afirmou que não tratou pessoalmente do tema com o chefe do Executivo e que qualquer construção precisa nascer no estado. “A candidatura não deve surgir em Brasília. Eu dialogo com todos, mas a prioridade nesse momento é conversar com os mineiros”, disse.
Na semana passada, o Estado de Minas noticiou que Pacheco teria confirmado ao presidente Lula sua filiação ao MDB e uma consequente candidatura ao governo estadual. Lideranças do partido reagiram prontamente, reiterando a pré-candidatura de Azevedo. Outro destino ventilado nos bastidores é o União Brasil, atualmente presidido em Minas pelo deputado federal Rodrigo de Castro.
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As tratativas com o MDB ganharam fôlego também diante da incerteza sobre os rumos do União Brasil, que integra federação com o PP. Nos bastidores, há receio de que a aliança nacional possa resultar em apoio à eventual candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência da República, cenário que poderia influenciar o cálculo político de Pacheco em Minas.