LITERATURA BOLSONARO

‘Livro eu não leio’, disse Bolsonaro antes de pedido de remição de pena

Defesa do ex-presidente pediu ao STF autorização para reduzir pena por leitura, prevista em resolução do CNJ

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O ex-presidente Jair Bolsonaro já afirmou publicamente, em diferentes ocasiões, que não tem o hábito de ler livros, que evita jornais e que consome informações prioritariamente por meio de redes sociais, mensagens e relatórios técnicos. As declarações voltaram a repercutir agora que a defesa pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele possa reduzir a pena por meio da leitura de livros. Ele está preso no complexo da Polícia Federal, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses, por tentativa de golpe.

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Em fevereiro de 2023, Bolsonaro declarou que havia deixado de ler jornais há três anos. “Eu não leio jornais há três anos. Se for ler jornal, duas coisas acontecem: primeiro, você já sai com uma carga negativa de casa enorme, tudo é tua culpa”, disse em discurso na New Hope Church em Orlando, nos Estados Unidos.

Já em 31 de janeiro de 2025, Bolsonaro voltou ao tema ao comentar sua relação com a leitura. “Livro eu não leio mais, não dá. Não tenho tempo, sou sincero”, afirmou em entrevista à Rádio Bandeirantes Goiânia. 

Na ocasião, disse que se informa principalmente por meio de mensagens e conteúdos compartilhados em grupos de WhatsApp.  “Eu aqui tenho rede de zap, informações… A China assinou com o Brasil 37 acordos. Esse eu tenho que ler, não dá para ler romance mais, não dá. Eu desculpa aqui, estou com 69 anos. Acabei de ler um grande livro agora aqui, ó, 500 e poucas páginas. Relatório do Congresso Americano sobre a Covid e vacina. Eu não posso, com todo o respeito, hoje em dia, trocar isso aqui por um livro de romance”, defendeu.

Questionado sobre lazer, Bolsonaro também disse não se interessar por cinema. “Filme não dá, não… só vejo futebol”, afirmou. 

As declarações não são isoladas. Em dezembro de 2021, durante uma conversa com um interlocutor que tentava lhe entregar um livro, Bolsonaro foi categórico: “Não, desculpa, eu não tenho tempo de ler. Já tem três anos que não leio um livro. Desde que assumi a presidência, não li mais nada.”

Ainda durante o governo, em abril de 2020, Bolsonaro afirmou que nem sempre lia integralmente os atos que assinava. “Muita coisa que eu assino, eu leio a ementa apenas. Tem decreto com 20 páginas e a gente tem um palmo de papel para assinar ali. Não tem tempo… e não é só ler, você vai ter que interpretar”, disse.

Pedido de remição de pena

O pedido feito pela defesa do ex-presidente tem como base uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que regulamenta a redução da pena por meio da leitura de livros, conforme previsto na Lei de Execução Penal. A regra estabelece que, a cada obra lida e avaliada, o preso pode ter quatro dias da pena abatidos, mediante a entrega de uma resenha, que passa por avaliação de uma comissão e posterior homologação judicial.

No requerimento encaminhado ao STF, os advogados afirmam que Bolsonaro deseja participar das atividades educativas e culturais previstas na norma.“O requerente manifesta sua vontade de aderir formalmente às atividades de leitura regulamentadas pelo Conselho Nacional de Justiça, com o objetivo de desenvolver atividades educativas e culturais compatíveis com a finalidade ressocializadora da pena”, diz o documento.

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O pedido será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes.

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