Oito vezes Lula em Minas
Com a disputa pelo Palácio Tiradentes como pano de fundo, o petista e sua equipe querem fortalecer o palanque no segundo maior colégio eleitoral do país
compartilhe
Siga noO presidente Lula (PT) procura em Minas Gerais o cenário ideal para voltar a crescer na popularidade e marcar posição no único estado do sudeste em que venceu Jair Bolsonaro (PL) em 2022. Por isso, ele passou ontem por Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e Montes Claros, no Norte de Minas.
Com a disputa pelo Palácio Tiradentes como pano de fundo, o petista e sua equipe querem fortalecer o palanque no segundo maior colégio eleitoral do país. Assim, todos os seus aliados tendem a ganhar eleitoralmente, ainda que seja cedo para mensurar o quanto desse ganho vai ser sustentado até 2026.
A passagem do presidente por terras mineiras foi a sétima de um ano que ele havia classificado como o “ano da colheita”, em que ele quer mostrar seus feitos para a população. Em Contagem, o presidente inaugurou obras que receberam recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), enquanto em Montes Claros foi na inauguração de um laboratório de combustível de aviação que recebeu financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Agora, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG), possível candidato ao Senado, articula uma visita do presidente ao Aglomerado da Serra, uma das maiores comunidades de Belo Horizonte, já para o dia 4 de novembro. A ideia é fazer o lançamento do programa Gás do Povo na capital mineira, projeto que vai substituir o atual auxílio gás. O ministério estima que o programa vai beneficiar 15,5 milhões de famílias em todo país, e 1,2 milhão em Minas Gerais.
Se confirmada, a agenda na capital vai ser a oitava do presidente no estado em 2025. Um reforço da estrutura do Planalto em Minas no momento em que a aprovação de Lula cresce. Segundo a última pesquisa Genial/Quaest, o percentual de mineiros que aprovam o trabalho do chefe do Executivo saiu de 35% para 40%, enquanto a reprovação caiu de 63% para 59%.
A margem de manobra nas ações do presidente, porém, ainda é pequena. Se Minas é o reflexo do país, Lula encontra um cenário de oposição forte. Enquanto tenta convencer o senador Rodrigo Pacheco (PSD) e a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), a fecharem uma chapa e ter um palanque competitivo, outros cotados se movimentam para estarem dois passos à frente do grupo petista.
O PSD, por exemplo, articula uma filiação do vice-governador Mateus Simões (Novo), o que poderia levar Pacheco a procurar uma nova sigla. Em outra frente, ao conferir uma estrutura de campanha robusta ao vice de Romeu Zema (Novo), Gilberto Kassab pode apostar no efeito da máquina estadual para replicar o sucesso da vitória de Fuad Noman.
O ex-prefeito de Belo Horizonte, assim como Simões, aparecia nas últimas posições das primeiras pesquisas de intenção de voto, mas na medida em que seu nome passava a ser conhecido do eleitorado, o PSD ficou em posição confortável para vencer o pleito. A mesma estratégia pode se repetir, uma vez que o vice-governador já tem assumido posições de destaque no interior, tem preferência de parte dos prefeitos e deputados estaduais, e vai assumir o governo de maneira efetiva em março.
Já no lado bolsonarista, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera sucessivos cenários, tem o domínio da dinâmica de redes sociais e tem a preferência de parte do eleitor da centro-direita. O cenário ainda pode contar com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que, ao ser incluído em algumas pesquisas, apresenta percentuais elevados de intenção de voto.
Se o presidente quer um palanque forte e eleger Pacheco, como disse em entrevistas recentes, deve intensificar ainda mais as agendas por Minas até o primeiro turno e fidelizar aquela parcela do eleitorado que lhe deu a vitória em 2022, mas que não é petista. (Bruno Nogueira)
Macaé
A ministra dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), Macaé Evaristo, será um dos nomes que deve deixar o governo federal ao final de março de 2026, prazo final de descompatibilização para quem quer concorrer nas eleições do ano. A dúvida é se ela vai concorrer à reeleição como deputada estadual ou se vai disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Pessoas próximas a ela afirmam que o desejo da ministra é concorrer a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) na próxima disputa municipal e que voltar a capital mineira poderia ser um passo neste caminho. (TB)
Novo slogan
O governo Lula tem agora um novo slogan: “Governo do Brasil – do lado do povo brasileiro”. Ele foi lançado ontem pelo ministro Sidônio Palmeira durante encontro que reuniu cerca de 600 servidores de órgãos e entidades do Sistema de Comunicação de Governo (Sicom). A nova marca – que seguirá o mesmo formato gráfico da anterior “União e Reconstrução” – passará a ser utilizada a partir dos próximos dias em todas as peças publicitárias e de comunicação institucional dos órgãos e entidades vinculados ao Executivo Federal. (Da redação)
Dívida
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) aproveitou ontem a visita do presidente Lula a Contagem para entregar a ele um documento pedindo que o prazo para avaliação de ativos que o governo de Minas Gerais ofereceu para amortizar a dívida de R$ 170 bilhões com a União seja prorrogado. Este é um dos instrumentos previstos no Programa de Pleno Pagamento de Dívidas (Propag) para reduzir os juros da dívida. O texto é fruto de articulação entre os deputados federais mineiros, os deputados estaduais e o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeu Martins Leite (MDB). A intenção é preservar a Cemig e a Copasa e federalizar a Codemig. (Thiago Bonna)
Sem cafezinho
O ministro da Educação, Camilo Santana, foi polidamente cobrado por uma estudante ao sair do prédio da Escola de Música da UFMG. A jovem disse que “adoraria oferecer um cafezinho, mas a gente está sem cantina”, reclamação recorrente dos estudantes. Apesar do constrangimento, tanto o ministro, quanto a reitora da universidade destacaram a forma cordial da aluna em sua abordagem. (TB)
Prazo
A 3ª Vara da Fazenda Pública deu prazo de 72 horas para que a Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais (Secult-MG) forneça cópias de eventuais decisões administrativas ou judiciais que embasaram a suspensão, no dia 21/8, do edital 11/24 da Lei Aldir Blanc de patrocínio a mostras e festivais culturais. A decisão judicial determinou ainda que a secretaria informe se há cronograma para a retomada da execução dos projetos suspensos e que o Ministério Público esclareça se existem procedimentos ou ações em curso relacionados ao edital. A ação foi movida pela deputada estadual Lohanna França (PV). A Secult-MG suspendeu inicialmente o edital, por meio de uma nota, alegando decisão judicial decorrente de ação movida pelo MP de Minas. A deputada contestou a suspensão alegando não haver nenhuma ação em curso e acusou o secretário de estado da Cultura, Leônidas Oliveira, de falsidade ideológica. (Alessandra Mello)