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Fuzileiros navais no "Mar de Minas": prontidão no coração do Brasil

O "Mar de Minas" e seu entorno proporcionam as condições ideais para que os fuzileiros navais desenvolvam treinamentos de grande complexidade

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Carlos Chagas Vianna Braga - Almirante de esquadra (FN), comandante-geral do Corpo de Fuzileiros Navais

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Neste ano, a presença da Marinha do Brasil (MB) nas Minas Gerais completa um século. Estabelecida, inicialmente, em Pirapora, tal presença foi ampliada consideravelmente nos últimos anos. Os fuzileiros navais, que neste 7 de março celebram seu 218º aniversário, tiveram participação decisiva, podendo ser hoje frequentemente observados, especialmente na região do lago de Furnas, o “Mar de Minas”.


A escolha da região para ser um dos mais importantes locais de treinamento reveste-se de grande importância. O Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) constitui a força estratégica de pronto emprego de caráter anfíbio e expedicionário do Brasil, única tropa do país composta exclusivamente por profissionais voluntários, todos aprovados em concurso público e submetidos a longo processo de formação e aperfeiçoamento.


O “Mar de Minas” e seu entorno proporcionam as condições ideais para que os fuzileiros navais desenvolvam treinamentos de grande complexidade – incluindo operações ribeirinhas, operações de paz, operações humanitárias e de resposta a desastres. O lago é estratégico para a Marinha, possuindo massa d’água quatro vezes maior que a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, perímetro de 3.500 km, equivalente a quase metade do litoral brasileiro e banhando 34 municípios.


O estabelecimento, desde 2022, da Base Aérea Expedicionária (BAE) da Marinha em Furnas, única do gênero no país, no antigo aeroporto outrora existente, contribuiu decisivamente para o aumento da presença dos fuzileiros navais e da MB como um todo na região. Permitindo a rápida concentração de aeronaves e outros equipamentos, oriundos de todas as regiões do país, a BAE tem criado condições para a realização de grandes treinamentos, sendo o maior deles a Operação Furnas, envolvendo mais de 2.000 militares, além de aviões de caça, helicópteros, veículos anfíbios e blindados, embarcações e drones. A qualidade do treinamento tem atraído a participação de diversos países, como Estados Unidos, Espanha, França, Itália.


A Operação Furnas é também um exemplo concreto de como a MB vem se adaptando aos desafios contemporâneos, cumprindo seu papel constitucional e contribuindo ativamente para o bem-estar da população. Destaca-se o treinamento de resposta a desastres, integrado com o Sistema Nacional de Defesa Civil e demais órgãos e agências governamentais, organizações não-governamentais e entidades privadas, presentes na região, contribuindo para a manutenção dos Fuzileiros Navais em permanente condição de pronto emprego, aptos a serem empregados, imediatamente, em qualquer lugar do país ou no exterior, conforme determina a Estratégia Nacional de Defesa (END).


No último ano, o Corpo de Fuzileiros Navais, alinhado à nova END (2024), passou por importante transformação, buscando o melhor preparo para enfrentar os desafios da atual conjuntura internacional de grandes conflitos e enfraquecimento das organizações internacionais. O foco principal foi no aumento no poder de dissuasão, na defesa dos nossos litorais e águas interiores, reforçando a capacidade de realizar operações anfíbias, ribeirinhas, litorâneas e de proteção da população. Assim, o “Mar de Minas” continuará a ter papel decisivo para a MB e, em especial, para o CFN.

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Na década de 1950, a imortal Rachel de Queiroz surpreendeu-se ao encontrar um fuzileiro maval em Pirapora, perguntando o que fazia ele “tão longe da quebrada do mar”. Hoje, ninguém mais se surpreende ao encontrar tantos Fuzileiros Navais no estado, permanecendo bastante atual a resposta recebida àquela época: “Fuzileiro é bicho de qualquer água”. A madrinha dos combatentes anfíbios tinha razão: onde houver água – doce ou salgada – haverá um fuzileiro naval pronto para transformar preparo em proteção, tradição em compromisso e inovação em prevenção. E é no coração do Brasil que essa prontidão se renova, firme, silenciosa e inabalável, hoje e sempre.

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