Editorial

Acordo comercial histórico é escudo contra protecionismo

Em momento de forte pressão protecionista protagonizada por Donald Trump, há de se comemorar o bater do martelo entre União Europeia e Mercosul

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Vinte e cinco anos depois das primeiras tratativas, a maioria dos países da Europa aprovou o acordo comercial com o Mercosul, que reúne Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina e Bolívia e demais países associados. A decisão, anunciada no início da manhã de ontem, dará origem à maior zona de livre comércio do mundo, para um público de 722 milhões de consumidores. Em momento de forte pressão protecionista protagonizada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, há de se comemorar o bater do martelo.

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Há a leitura, inclusive, de que a ofensiva estadunidense contra a Venezuela ajudou a destravar o acordo histórico. A polêmica operação evidenciou a dificuldade do republicano em privilegiar o diálogo, acendendo ainda mais o alerta em uma União Europeia com relações comerciais abaladas com a gestão Trump. Abrir novos mercados é urgente. E o que se vislumbra do outro lado do Atlântico soma US$ 22,3 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB), considerando todas as economias.

Na próxima segunda-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deverá se encontrar com o presidente do Paraguai, Santiago Peña, hoje à frente do Mercosul, para assinar o tratado comercial. “Esse acordo marca uma nova era de comércio e cooperação com nossos parceiros do Mercosul. Mas também é uma prova da resiliência e da força de nossa relação com a América Latina e um passo que nos aproximará ainda mais”, afirmou a líder europeia.

No mesmo sentido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o tratado “amplia alternativas para exportações brasileiras, investimentos produtivos europeus e simplifica regras comerciais para os dois lados". Para o chefe do Executivo, foi "uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”. A expectativa do governo brasileiro é de que ele entre em vigor ainda neste ano.

Há etapas a serem cumpridas, como a aprovação do pacto comercial pelo Congresso de cada país do Mercosul e pelo Parlamento Europeu. Dificuldades começam a surgir do lado de lá – cerca de 150 dos 720 eurodeputados pretendem recorrer ao Judiciário para impedir o acordo e o presidente francês, Emmanuel Macron, antecipou que votará contra.

Considerando a disputa eleitoral no Brasil deste ano, a expectativa é de um aval ainda neste semestre. “Não dependemos da Argentina, do Paraguai e do Uruguai para já entrar em vigência”, antecipou o vice-presidente, Geraldo Alckmin. O país está entre os maiores produtores de alimentos – grãos e carnes – do mundo. E os agricultores rurais familiares e do agronegócio terão de respeitar o meio ambiente para se beneficiarem com o pacto comercial. Nesse sentido, será essencial conter o desmatamento, preservar os cursos d’água, evitar queimadas e outras agressões ao patrimônio ambiental que concorrem a favor das mudanças climáticas.

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Não se discute que a preservação ambiental e a busca por processos sustentáveis elenca entre as prioridades brasileiras. Mas a prática ainda deixa a desejar. Vencidas as duas décadas e meia de negociações palacianas, o meio rural brasileiro precisa afinar a produção para conquistar um espaço expressivo no mercado europeu, livrando-se da pressão de tarifaços ou de outras medidas protecionistas que garantem lucro apenas aos que impõem esse regime.

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