Morre Mãe Ana de Ogum, referência do Candomblé no Brasil, aos 85 anos
Ialorixá construiu trajetória marcada pela preservação das tradições afro-brasileiras e pela formação de gerações de filhos de santo
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Morreu, na última quinta-feira (8/1), Mãe Ana de Ogum, uma das mais importantes lideranças do Candomblé no Brasil. Ialorixá respeitada dentro e fora do país, ela faleceu aos 85 anos, deixando um legado reconhecido por comunidades religiosas de diferentes regiões.
Nascida em Salvador (BA), em 1945, com o nome de Ana Maria Araújo Santos, Mãe Ana teve contato com o Candomblé ainda na infância. Aos 9 anos, passou a frequentar a tradicional Casa de Oxumarê, onde se tornou filha de santo da Mãe Simplícia de Ogum. A iniciação no culto aos Orixás ocorreu em 24 de maio de 1960, quando tinha 16 anos, marcando o início de uma caminhada que a levaria ao sacerdócio.
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Radicada em São Paulo, Mãe Ana tornou-se a matriarca do Ilê Axé Oju Onirê, localizado no Parque Jacarandá, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. À frente do terreiro, construiu uma atuação sólida e respeitada, orientando filhos e filhas de santo de diversos estados brasileiros e também do exterior, especialmente da Europa.
Mãe Ana de Ogum se destacou pelo compromisso com os fundamentos do Candomblé, pela atenção à vida comunitária e pela transmissão dos saberes ancestrais. Ao longo de décadas, teve papel fundamental no fortalecimento da religião fora do eixo tradicional da Bahia, contribuindo para sua organização e preservação em diferentes territórios.
Para muitos, sua atuação ajudou a garantir a continuidade de tradições de matriz africana em um contexto de desafios e preconceitos históricos.
O sepultamento de Mãe Ana de Ogum está previsto para o sábado (10/1), às 12h30, no Cemitério Vale dos Reis, em Embu das Artes, na Região Metropolitana de São Paulo.
Em comunicado, o Terreiro Ojú Onírè destacou o legado deixado por sua matriarca, lembrando sua fé, sabedoria e compromisso com o sagrado. “Sua presença marcante, seu cuidado com a comunidade e sua firmeza espiritual deixam um legado que jamais será apagado”, diz a nota.
Confira a nota na íntegra:
"Com imenso pesar, o Terreiro Ojú Onírè comunica a passagem de sua matriarca, Agba Ana de Ògún.
De trajetória irrefutavelmente ilibada, Agba Ana foi amada e admirada por todos que tiveram a honra de com ela conviver. Mulher de fé inabalável, sabedoria ancestral e profundo compromisso com o sagrado, dedicou sua vida à preservação, ao fortalecimento e à transmissão dos valores, fundamentos e ensinamentos que sustentam nossa tradição.
Sua presença marcante, seu cuidado com a comunidade e sua firmeza espiritual deixam um legado que jamais será apagado.
Nossa mãe, Ana de Ògún seguirá viva na memória, na história e no axé de cada filho, filho e amigo deste terreiro.
Neste momento de dor, o Terreiro Ojú Onírè perde seu pilar central, e o candomblé perde um Marco!
A eterna Dama de ferro…
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Iyá Àgbá Ana de Ògún.
Sun re o!"