Doze países pedem que a UE reforce presença no Ártico
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Doze países pediram, nesta segunda-feira (14), que a União Europeia reforce sua presença no Ártico para assumir "um papel estratégico e mais proativo" em uma região marcada por tensões geopolíticas, ameaças russas e pelas aspirações de Donald Trump.
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"A segurança no Ártico deve ser garantida coletivamente", afirmaram os países, incluindo França, Dinamarca e Suécia, em uma declaração conjunta ao final de uma reunião de cúpula em Rovaniemi (Finlândia).
Em janeiro, o presidente dos Estados Unidos ameaçou tomar à força a Groenlândia, uma enorme ilha ártica e território autônomo dinamarquês, o que provocou uma grave crise entre os aliados ocidentais.
Nos últimos meses, a tensão entre europeus e americanos diminuiu um pouco. Mas os líderes europeus não esqueceram as ameaças e agora querem estudar formas de reforçar sua presença na região, conscientes também da presença de uma Rússia hostil do outro lado da longa fronteira finlandesa.
Para os 12 países, Moscou representa uma "ameaça importante e duradoura" para a segurança.
Entre os presentes em Rovaniemi, uma cidade finlandesa conhecida por ser a residência do Papai Noel, estavam o chanceler alemão, Friedrich Merz, e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen. Também participaram líderes de países que não têm interesses diretos no Ártico, como o presidente romeno, Nicu?or Dan.
O objetivo é demonstrar que "o que acontece aqui não é um assunto regional. É uma questão europeia", ressaltou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, durante uma entrevista coletiva.
- Preocupações ambientais -
Durante a reunião de cúpula, nenhuma decisão formal foi tomada, mas a Comissão Europeia deve apresentar, nas próximas semanas, uma nova estratégia para o Ártico.
O documento deverá definir as grandes linhas de atuação de Bruxelas na região para os próximos anos. Os Estados-membros e seus líderes ainda podem influenciar o conteúdo do texto final.
"Deveríamos reforçar o compromisso da União Europeia nesta região para complementar os esforços da Otan", afirmou o chefe de Governo alemão, Friedrich Merz, durante a coletiva de imprensa conjunta dos dirigentes em Rovaniemi.
O interesse pelo Ártico aumentou consideravelmente desde a adoção, em 2021, da última política da UE dedicada à região.
Após as ameaças de Donald Trump em janeiro, das quais não se retratou completamente, a Otan anunciou uma nova missão para reforçar a segurança no Ártico. Por sua vez, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viajou à Groenlândia no início de setembro e anunciou um pacote de 200 milhões de euros (232 milhões de dólares, 1,18 bilhão de reais) para o território. Ela também prometeu "estar mais presente e mais envolvida na Groenlândia e no Ártico".
O Ártico também está no centro das preocupações ambientais.
Segundo analistas, a região do Ártico está aquecendo quase quatro vezes mais rápido que a média mundial devido às mudanças climáticas, com consequências graves para os ecossistemas e para as populações que dependem destes territórios.
Além disso, o derretimento das camadas de gelo abre novas perspectivas econômicas e estratégicas. Rússia, China e Estados Unidos intensificaram sua presença na região, especialmente com o objetivo de acessar seus importantes recursos naturais e desenvolver novas rotas marítimas.
Em agosto, China e Coreia do Sul enviaram navios porta-contêineres para transitar pela Rota Marítima do Norte, em águas territoriais russas, para testar sua viabilidade.
A via permanece navegável por períodos cada vez mais longos à medida que o gelo recua.
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