Cinco presos na Venezuela após protesto por aumento salarial
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Ao menos cinco pessoas foram presas durante uma marcha até a sede do governo na Venezuela para exigir aumentos salariais, denunciaram nesta sexta-feira (10) ativistas e familiares.
Na quinta-feira, a polícia venezuelana dispersou, com gás lacrimogêneo, cerca de 2 mil manifestantes que protestavam contra os baixos salários em uma marcha que pretendia chegar ao palácio presidencial de Miraflores, em Caracas.
O ativista de direitos humanos Eduardo Torres disse nesta sexta-feira à AFP que cinco manifestantes foram detidos "arbitrariamente" e exigiu "a liberdade imediata" de todos eles.
Ort Betancourt, pai de um dos detidos, negou que tenha havido violência por parte dos manifestantes.
"Eles estavam protestando livremente, o vandalismo esteve do lado dos policiais, que lançaram objetos contundentes contra os cidadãos", disse à AFP nos arredores da sede policial para onde os presos foram levados. Seu filho tem o mesmo nome que ele e tem 20 anos.
"Esse rapaz era um dos que estavam à frente da marcha, à frente do protesto, e presumimos que a ideia de detê-lo foi intimidar e acabar com a luta e a manifestação", acrescentou Betancourt.
As manifestações multitudinárias se tornaram uma raridade na Venezuela durante quase dois anos devido à onda de repressão que se seguiu aos protestos da oposição contra a contestada reeleição de Nicolás Maduro em 2024, que deixou mais de 2.400 detidos.
No entanto, após a queda em janeiro de Maduro em uma operação das forças americanas, as mobilizações em massa foram reativadas.
O comerciante Adrián Balza está entre os presos na quinta-feira. Sua esposa, Génesis Torres, afirmou que seu marido cruzou com o protesto quando se dirigia ao centro de Caracas para comprar mercadorias para seu negócio e começou a gravar a marcha ao vivo pelo celular.
"Ele não estava participando da marcha, os policiais se dirigiram a ele para dizer que baixasse o telefone, que não gravasse", relatou Torres.
Durante a manifestação de quinta-feira, a AFP constatou que policiais ameaçavam manifestantes com prisão ou apreensão de seus celulares se continuassem gravando.
Os manifestantes questionaram o anúncio de aumentos salariais feito na véspera pela presidente interina, Delcy Rodríguez. A presidente disse que seu governo fará um "aumento responsável" da renda a partir de 1º de maio, sem dar detalhes.
O salário na Venezuela está congelado há quatro anos. O último reajuste foi decretado por Maduro em 2022 e equivalia então a uma renda básica de 28 dólares (cerca de R$ 145), à qual se somava um vale-alimentação sem impacto sobre os benefícios trabalhistas.
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