Autoridades dos EUA mudam de posição sobre possível tratamento contra o autismo
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Cinco meses depois de o governo de Donald Trump anunciar com grande destaque a autorização de um tratamento não comprovado contra certas formas de autismo, a agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos (FDA) voltou atrás nesta terça-feira (10).
A prescrição de ácido folínico (leucovorina) continua sem aprovação para certas formas de autismo, um transtorno complexo do neurodesenvolvimento de amplo espectro, ao contrário do que havia anunciado a administração Trump.
A FDA informou, no entanto, nesta terça-feira, que o tratamento, até agora autorizado para prevenir certos efeitos colaterais da quimioterapia, também poderá ser usado para tratar pessoas com uma rara síndrome genética chamada deficiência cerebral de folatos.
Trump havia dito em setembro que o ácido folínico dava "esperança a muitos pais de crianças autistas quanto à possibilidade de melhorar sua vida". A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca em que ele apresentou diversas afirmações controversas sobre o autismo.
A comunidade médica e científica americana havia condenado energicamente o questionamento de Trump sobre o paracetamol e as vacinas e criticado a aprovação anunciada do ácido folínico por considerá-la prematura demais.
Embora alguns estudos realizados com um número muito reduzido de pacientes tenham sugerido que o uso de ácido folínico poderia ajudar a reduzir certas dificuldades de comunicação ou de interação relacionadas ao autismo, essa linha de pesquisa ainda requer muitos estudos.
Sua autorização neste estágio corria, portanto, o risco de "criar falsas esperanças", advertiram dezenas de especialistas em autismo em uma carta conjunta.
Apesar da intenção de Trump de aprovar o tratamento, a FDA voltou atrás por falta de "dados suficientes", reconheceu um responsável da agência à emissora NBC News.
Algumas pessoas autistas poderão, no entanto, tomar ácido folínico se tiverem deficiência cerebral de folatos ou se seu médico prescrever o tratamento fora das indicações aprovadas.
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