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Chavistas se armam com 'vontade de lutar' após queda de Maduro

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Quando as primeiras bombas americanas caíram sobre Caracas, Jorge Suárez se despediu da família e partiu para o combate. Ele é militante de um dos chamados "coletivos", considerados o braço armado da revolução chavista.

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Foi "como um best-seller, como coisa de cinema", descreveu Suárez, de 50 anos.

Há balas de fuzil, uma bomba de efeito sonoro e retratos do líder socialista Hugo Chávez, do influente ministro do Interior, Diosdado Cabello, e do herói da independência Simón Bolívar.

Ele usa óculos escuros e um boné com a frase "duvidar é traição", que surgiu com a mobilização militar americana no Caribe.

Ele afirma que o bombardeio que levou à captura do agora presidente deposto, Nicolás Maduro, pegou o país desprevenido e deixou uma infinidade de perguntas.

Mas de algo eles não têm dúvida: "Não sabemos quem, mas sabemos que houve uma traição", diz esse militante do bairro 23 de Enero, reduto histórico da esquerda na Venezuela.

Os "coletivos" ressurgiram como parte do legado de Chávez, que governou antes de Maduro entre 1999 e 2013.

Eles explicam que atuam em suas comunidades em atividades esportivas, culturais e educacionais, mas deixam claro, sem rodeios, que sua prioridade é a defesa da Revolução Bolivariana.

- "Frustração" -

Suárez conta que, com as primeiras explosões, eles tomaram as ruas e instalaram pontos de controle, "esperando a instrução de nossos líderes".

Um integrante de outro coletivo, o Boina Roja, que se identifica apenas como Willians, não esconde sua irritação. Ele afirma ter ficado com "frustração, raiva e vontade de lutar" depois de 3 de janeiro.

"O que não entendemos é como o sistema antiaéreo falhou, não sabemos o que aconteceu com o sistema de lançadores de foguetes", insistiu o militante de 43 anos, questionando a resposta venezuelana ao ataque aéreo que chocou o mundo.

Ele concorda que houve traições, e "muitas", mas diz que eles não desconfiam de Delcy Rodríguez, que herdou o poder e em torno de quem os "coletivos" fecham fileiras.

Vice-presidente de Maduro e filha de um dirigente histórico da esquerda assassinado sob custódia dos serviços de inteligência venezuelanos em 1976, Rodríguez tem um passaporte ideológico que eles respeitam.

"Eu não acredito que vá haver alguém que traia o próprio pai", afirma o dirigente do coletivo Fundación 3 Raíces, Alfredo Canchica. "Você pode trair o povo, mas seu pai não".

- "Paramos os morros" -

Os coletivos são temidos pela oposição, que os vê como uma intimidadora tropa de choque motorizada. Mas, em seus bairros, eles são considerados fundamentais na organização social e na redução da criminalidade.

Canchica questiona a conotação negativa que adquiriram.

"No dia 28 de julho, nós paramos os morros", afirma Canchica, em referência aos protestos que se seguiram à questionada reeleição de Maduro em 2024, que terminou com milhares de prisões.

Eles também defendem manter programas esportivos, coordenação com hospitais e transportes, além de fiscalizações em mercados populares para manter a especulação sob controle em um país que funciona de forma dolarizada de fato e com um sistema cambial paralelo há anos.

Mas não escondem as armas nem a disposição de usá-las, como relataram à AFP durante uma visita ao estádio "Chato" Candela, no coração do bairro 23 de Enero e exemplo da dicotomia que marca esses grupos.

Homens fortemente armados protegem o centro esportivo, que ao mesmo tempo é utilizado por jovens da comunidade.

- "Quem nos traiu" -

Para Suárez, ver recriações da incursão armada "dá raiva". Os Estados Unidos bombardearam Caracas e outros três estados em uma operação que matou mais de 100 pessoas, entre civis e militares, segundo números do governo venezuelano. Não houve baixas americanas.

"Como podemos reagir em tempo real quando eles têm uma tecnologia mais avançada do que a nossa?", questiona, sem abandonar a tese da cumplicidade interna.

A traição "teve que vir de algo muito próximo do nosso comandante", insiste Canchica. "Queremos saber o que aconteceu ali".

"Foi tão perfeita [a incursão] que não percebemos, e ainda não sabemos quem nos traiu, como nos traiu, foi tudo muito rápido...", acrescenta.

Após a captura de Maduro, os dois países firmaram acordos energéticos e estudam retomar as relações rompidas em 2019.

O presidente Donald Trump disse que governa o país e até que controlará as vendas de petróleo, mas os coletivos se recusam a especular.

"Não acreditamos nas ameaças de que [os americanos] vão vir, vão se sentar e vão nos tirar" o petróleo, sustenta Canchica. "Aqui eles vão ter que nos matar".

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pr/jt/mr/lm/aa

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