"A gente vem acumulando perdas nos últimos anos", diz professor em greve
Professor de física aponta perdas salariais e cobra reajuste, renovação da convenção e melhorias nas condições de trabalho
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“A gente vem acumulando perdas nos últimos anos, que são muito significativas", disse o professor de física Fabrício Nelson Lacerda, da Casa Viva e da Escola Hub, durante a manifestação dos docentes da rede particular de Belo Horizonte e região, nesta segunda-feira (21/9), em frente ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
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Em greve desde quarta-feira (16/9), a categoria cobra a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que está sem ser assinada desde abril, além de reajuste salarial e manutenção dos direitos dos professores.
Para Fabrício, o problema não se resume à negociação de um novo índice salarial. Ele afirma que os docentes chegam à campanha deste ano após acumular perdas e enfrentar condições de trabalho que precisam ser discutidas.
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“O sindicato e a categoria entendem que um reajuste, pelo menos do INPC, é necessário, mas ele é muito abaixo do que realmente precisa acontecer”, afirmou.
A categoria reivindica reajuste de 3,77%, correspondente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Para Fabrício, porém, a correção pela inflação não seria suficiente para recuperar as perdas acumuladas nos últimos anos.
Além da questão salarial, o professor aponta a falta de uma CCT como um dos principais problemas enfrentados atualmente pelos docentes da rede particular.
A CCT venceu em abril deste ano e ainda não foi renovada. O documento reúne direitos e benefícios da categoria, e a ausência de uma nova convenção, segundo ele, deixa os professores mais vulneráveis.
“A falta de uma convenção coletiva afeta a gente diretamente. Existe uma série de benefícios que estão previstos na convenção e que, com a convenção sem ser assinada, ela venceu, como eu disse, em abril, a gente acaba ficando muito vulnerável em relação a esses direitos”, disse.
Entre os benefícios citados está a bolsa de estudos. Fabrício afirma que algumas escolas teriam deixado de conceder o benefício com a justificativa de que a convenção não está vigente.
Professores também cobram mudanças nas condições de trabalho
Para Fabrício, também devem ser discutidas as condições de trabalho dos professores. Ele afirma que a categoria possui uma carga de atividades extraclasse considerada elevada e defende mudanças na organização do trabalho.
Uma das reivindicações citadas pelo professor é a substituição das aulas aos sábados. “O professor tem um trabalho extraclasse extremamente grande, uma boa parte dele não remunerado e que acaba desenvolvendo aos sábados. Quando tem um sábado letivo, esse trabalho acaba indo para o domingo, para a madrugada, o que é um absurdo."
Outro ponto defendido por ele é o direito à desconexão. Segundo Fabrício, professores são acionados fora do horário de trabalho, inclusive à noite e nos fins de semana. "Perdemos o nosso tempo de descanso”, afirmou.
Ele defende que essas questões sejam discutidas mesmo que não estejam atualmente previstas na CCT.
Meses de negociação
A paralisação dos professores da rede particular de Belo Horizonte e região começou na quarta (16/9), após uma assembleia da categoria organizada pelo Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas).
Os docentes rejeitam a proposta do sindicato patronal, o Sinepe-MG, de dividir a Convenção Coletiva de Trabalho entre professores da educação básica e do ensino superior. A categoria defende a manutenção da convenção unificada.
Segundo Fabrício, a greve foi decidida depois de meses de tentativa de negociação. “Foram muitas reuniões, já são sete meses de negociação, e que agora culminam com um movimento de greve”, afirmou.
Na sexta (18/9), mais de 700 professores de dezenas de escolas participaram de uma assembleia e decidiram manter a paralisação por tempo indeterminado.
Para o professor, a expectativa é que o impasse seja resolvido com a assinatura da convenção sem retirada de direitos. “Eu espero que haja um acordo entre o Sinpro e o sindicato dos patrões, o Sinep, e que a gente possa sair daqui com uma convenção assinada sem nenhuma perda de direitos."
Fabrício reconhece que a greve provoca impactos para professores, estudantes e famílias, mas afirma que a paralisação foi adotada diante da falta de avanço nas negociações.
“O movimento de greve não é bom para nenhum de nós, não é bom para nós, professores, não é bom para os estudantes, não é bom para as famílias”, afirmou.
Segundo ele, a expectativa é que o movimento contribua para preservar os direitos já conquistados e abrir espaço para novas reivindicações.
“É o único recurso que a gente entende que, de alguma forma, pode nos levar a manter os direitos que nós já temos e abrir espaço para a conquista de novos direitos importantes”, declarou.
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Uma nova assembleia está marcada para terça-feira (22/9), às 9h30, na Rua Diamantina, 463, no Bairro Lagoinha. Os próximos passos da greve serão definidos pelos professores.