CHUVAS

Moradores do Barreiro enfrentam incertezas após temporal que inundou casas

Moradores contabilizam prejuízos e temem novas inundações; obra pode ter agravado problema

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Dias depois de um temporal que causou alagamentos no Bairro Vila Pinho, na Região do Barreiro, em Belo Horizonte, os moradores ainda contabilizam os prejuízos causados pela água, que invadiu imóveis na noite do último domingo (13/9). Eles também temem que as chuvas voltem a causar inundações.

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O motorista de aplicativo Gleyson Soares, de 33 anos, que vive no Beco do Cascalho, na Rua Coletora, na Vila Pinho, teve a casa tomada pela água. Ele mostra o interior do imóvel ainda sujo pela lama e afirma que ele, a esposa e os três filhos, que têm idades entre 7 e 12 anos, perderam praticamente tudo.

"A água veio com tanta truculência, com tanta força, que não deu tempo de pegar nada: nós perdemos todos os nossos materiais eletrônicos, duas televisões, videogames, rádio, tudo. Literalmente, não sobrou uma roupa", lamenta. "A água, ela cobriu o sofá, cobriu a mesa", complementa.

Apesar de tudo, Gleyson vê de maneira positiva o fato de ninguém da família estar em casa no momento do temporal. "O importante, graças a Deus, é a vida. Meus materiais, Deus dá força e a gente reconstrói", conclui.

A pedagoga Rejane Ângela Simão, de 62 anos, que também mora no bairro, demonstra preocupação com a chuva. "A gente não dorme, porque a gente fica com medo da água entrar", explica. A rua em que ela vive teve a pavimentação levada pela água.

Ela atua como professora particular e diz que os estragos causados pelo alagamento prejudicam até essa atividade. "Meus alunos não têm como vir, eu não tenho como sair. Os vizinhos — aqui mora uma idosa, do lado — também não têm como sair. Se (alguém) passar mal, como vai chegar uma ambulância aqui? O transtorno está geral", diz.

Obra pode ter potencializado problema

Os moradores acreditam que uma obra realizada na rua pode ter potencializado o problema das enchentes no local. Trata-se da construção de um gabião, estrutura de contenção que emprega gaiolas metálicas preenchidas com pedras.

"Nessa obra, eles fizeram duas linhadas, duas fileiras de gabião, de ambos os lados. E, infelizmente, no meu terreiro, eles fizeram apenas uma. Quando a água enche um pouquinho, ela bate lá e volta, gerando aqui uma espécie de represa, uma represa do córrego", opina Gleyson.

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Rejane também associa o problema à obra. "Ontem tivemos uma reunião, mas é um impasse, a Copasa joga para a Sudecap, a Sudecap para a prefeitura e, aqui, é um impasse e ninguém quer pegar responsabilidade nenhuma, infelizmente. Então a gente não sabe nem a quem recorrer", conclui.

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