Tropa do Gui: suspeitos de liderar agiotagem são presos na Grande BH
Em um dos casos investigados, uma vítima recebeu inicialmente R$ 1 mil emprestados. Mesmo depois de pagar mais de R$ 6 mil, continuou sendo alvo de cobranças diárias e ameaças de morte
compartilhe
Dois homens apontados como principais articuladores da “Tropa do Gui”, grupo criminoso investigado por agiotagem e extorsões violentas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foram presos nesta quarta-feira (9/9), em Pedro Leopoldo. Os suspeitos, de 32 e 36 anos, eram foragidos da Justiça e foram localizados em um condomínio fechado no bairro Santo Antônio da Barra.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), os dois foram denunciados pelos crimes de agiotagem, extorsão majorada com uso de violência, coação no curso do processo, associação criminosa e porte ilegal de arma de fogo. As prisões ocorreram durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão por policiais do Grupo de Apoio Policial Militar (GAPM), do MPMG.
Leia Mais
No imóvel, foram apreendidos três celulares, um notebook, um relógio de luxo com pulseira de couro e cadernos com anotações sobre o fluxo financeiro e a contabilidade do grupo.
Os mandados de prisão preventiva foram expedidos pela 3ª Vara Criminal da Comarca de Contagem, após pedido da Coordenadoria Estadual de Investigação Criminal e Articulação Policial (Coeic), vinculada ao Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Segurança Pública (CAO-SEP), em cooperação com a 12ª Promotoria de Justiça de Contagem.
De acordo com o MPMG, o pedido considerou a necessidade de garantir a ordem pública, proteger a instrução criminal e o histórico dos dois homens, que possuem passagens por organização criminosa, extorsão e estelionato.
Como funcionava a “Tropa do Gui”
As investigações apontam que os dois presos integravam uma associação criminosa autodenominada “Tropa do Gui”, voltada à prática contínua de agiotagem, extorsão, lesão corporal, ameaça, invasão de domicílio e porte ilegal de arma de fogo.
O grupo emprestava dinheiro com juros considerados abusivos e cobrava diárias pelo atraso das parcelas. Segundo o MPMG, os devedores eram submetidos a intenso terror físico e psicológico.
Em um dos casos investigados, uma vítima recebeu inicialmente R$ 1 mil emprestados. Mesmo depois de pagar mais de R$ 6 mil, continuou sendo alvo de cobranças diárias e ameaças de morte para quitar novos encargos que, segundo o Ministério Público, eram inventados pelo grupo.
O número exato de vítimas ainda não foi divulgado.
Vítimas eram agredidas
As investigações também apontaram o uso de violência física para cobrar as dívidas. Em maio deste ano, um integrante do grupo, de 36 anos, foi preso na porta da casa de uma das vítimas. Com ele, segundo o MPMG, foram encontrados um revólver calibre 32 municiado e um taco de madeira com a palavra “diálogo” inscrita.
Durante a análise pericial do telefone apreendido com esse suspeito, os investigadores recuperaram fotos e vídeos que mostram vítimas sendo agredidas.
Em uma das gravações, três homens aparecem entrando na casa de uma vítima com um bastão e passando a golpeá-la com socos, chutes e pauladas, principalmente na cabeça. Conforme o MPMG, a ação ocorreu na presença de familiares e com uma arma de fogo sendo exibida pelos criminosos.
Ainda segundo o Ministério Público, nas duas ocasiões em que foram marcadas audiências de instrução relacionadas ao caso, integrantes do grupo teriam tentado constranger vítimas e testemunhas e interferir na coleta de provas. As ações contribuíram para a identificação de outros integrantes e para as prisões realizadas nesta quarta-feira.
Divisão de tarefas
A investigação identificou uma divisão de funções dentro da associação. O homem de 32 anos apontado pelo MPMG como líder também seria responsável pela gestão financeira do grupo.
Segundo o Ministério Público, valores obtidos com as extorsões eram transferidos para a conta bancária de uma empresa de consultoria imobiliária da qual ele é proprietário.
Já a cobrança direta das dívidas ficava sob responsabilidade dos integrantes chamados de “juristas”. A função, conforme a investigação, consistia em realizar cobranças presenciais com emprego de violência física e intimidação.
O homem de 36 anos preso nesta quarta-feira e o integrante detido em maio seriam responsáveis por esse tipo de abordagem. Eles são apontados como envolvidos em invasões de residências e agressões de devedores com bastões.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
O MPMG afirma ainda que integrantes do grupo divulgavam nas redes sociais fotos com soco-inglês e bastões acompanhadas de frases intimidatórias. A esposa de um dos investigados também teria auxiliado a associação, cedendo linhas telefônicas cadastradas em seu nome e participando presencialmente de abordagens.