Sem remédio? Filha de gari humilhada rebate justificativa de influenciador
"Atribuir a culpa à bebida ou à falta de um medicamento não diminui a gravidade do que aconteceu", disse filha da servidora Marly Egeraldo Lopes
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A filha da gari Marly Egeraldo Lopes, de 56 anos, publicou uma sequência de stories no Instagram após o influenciador digital Diogo Henrique Calinçani, de 31, pedir desculpas por ter agredido física e verbalmente a servidora pública durante seu horário de trabalho em Santana do Manhuaçu, na Zona da Mata mineira.
Em frente à delegacia da Polícia Civil, o influenciador havia declarado: "Venho pedir desculpas, que é pouco. Venho pedir perdão pelo ocorrido. Vim comparecer à delegacia para prestar meu depoimento. Na noite do ocorrido, eu bebi muita bebida alcoólica, sem tomar o meu remédio de uso contínuo, que tomo todo dia. Nesse dia, eu não tomei. Sei que o que fiz foi feio, mas estou aqui arrependido pelo que fiz. Estou à disposição da Justiça para prestar os demais esclarecimentos."
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A declaração foi rechaçada por Thauany Lopes, filha da vítima. "Atribuir a culpa à bebida ou à falta de um medicamento não diminui a gravidade do que aconteceu. Nenhuma justificativa apaga a humilhação sofrida por uma trabalhadora que apenas exercia sua função. O verdadeiro arrependimento vem acompanhado de responsabilidade pelos próprios atos. Violência, seja física ou verbal, jamais deve ser tratada como algo normal. O arrependimento verdadeiro começa quando a pessoa assume a culpa", escreveu.
As agressões aconteceram por volta das 4h30 de segunda-feira (27/7). A gari Luiza Vaz de Oliveira, de 40 anos, amiga de Marly, também foi agredida.
A situação foi registrada em áudio e vídeo por meio de uma câmera de segurança. Nas imagens aparece ainda o também influenciador e companheiro de Diogo, Tiago de Abreu, que tentou acalmar a situação. Considerando Facebook, Instagram e TikTok, o casal acumula pouco mais de 1 milhão de seguidores (@osmeninosoficial).
Dinâmica das agressões
No início da gravação (assista aqui), Diogo se aproxima das vítimas com ofensas direcionadas ao poder público e a terceiros. "Cadê o prefeito em quem ela votou e o vereador que ela apoiou? Tomou chumbo e nunca ganha, nunca vai ganhar. Olha aqui, lixo, lixo puro. A prefeitura tem que varrer tudo. Pode varrer! Varre aqui, ó. Cala a boca! A festa vai começar agora", disparou o influenciador.
Depois, Diogo começa a insultar a família de uma das mulheres. "Sua filha é drogada, seu filho é traficante, chifruda! Cala a tua boca! Eu tenho nojo de você." Uma das trabalhadoras respondeu exigindo distância: "Não encosta em mim."
Em seguida, o homem primeiro empurra a servidora Marly Egeraldo, que cai no chão. O influenciador ainda se aproxima da outra gari e a ataca fisicamente. A mulher reage: "Você me puxou pelo cabelo?". Diogo, então, a agarra pelas roupas e a agride no rosto.
Gari se manifestou nas redes
No dia seguinte ao episódio, Marly Egeraldo publicou um vídeo nas redes sociais. "Oi, gente! Já estou bem (fisicamente). Graças a Deus. Meu psicológico está um pouco atrapalhado, mas a gente não pode parar. Estamos na luta aí, né? Vocês, mulheres, não podem deixar isso acontecer. Tem que denunciar mesmo. Sou gari há 25 anos. Todo mundo conhece meu trabalho e como eu sou. A única coisa que quero é que a justiça seja feita", declarou.
Por sorte, ela alega que a agressão não teve uma consequência mais séria. "Na hora que ele me empurrou e eu caí, quase bati a cabeça no meio-fio. Graças a Deus não aconteceu o pior. Depois, ele partiu para cima da minha amiga", completou.
A Polícia Militar registrou a ocorrência. O caso é investigado pela Polícia Civil como lesão corporal.
A Prefeitura de Santana do Manhuaçu publicou uma nota em suas redes sociais manifestando repúdio ao ato de violência e disse que colocou o setor jurídico do Executivo municipal à disposição das vítimas.
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O prefeito Paulinho Chicó condenou o ato de agressão e afirmou que violência contra servidores públicos não será tratada com indiferença. O poder público local declarou confiar na apuração das autoridades policiais e espera a devida punição do responsável.