SUSPEITO DE FEMINICÍDIO

Sargento suspeito de matar capitã em BH foi segurança da residência de Zema

Investigado pela morte da capitã Michele Leão Azevedo, o sargento Eduardo Abner atuou na segurança da casa do ex-governador de Minas Gerais

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O sargento da Polícia Militar (PM) Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, preso em flagrante por suspeita de matar a companheira, a capitã Michele Leão Azevedo, de 41, atuou na segurança da casa oficial do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). A informação foi confirmada em nota oficial emitida pela Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra/PMBM), entidade da qual o militar também fez parte.

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Segundo o comunicado emitido pela Aspra, o sargento desempenhava a função na segurança da residência do ex-chefe do Executivo mineiro quando foi convidado para integrar a diretoria da associação. A entidade ressaltou, no entanto, que o militar deixou de fazer parte de seus quadros diretivos em junho de 2025, conforme ofício encaminhado na época ao Comando-Geral da PMMG pedindo o retorno do PM agregado.

Em nota, a associação destacou que os fatos investigados "dizem respeito à esfera pessoal e familiar dos envolvidos" e não têm relação com as atividades da entidade, reiterando o "absoluto repúdio a toda e qualquer forma de violência contra a mulher" e manifestando confiança nas investigações.

O governo de Minas Gerais enviou uma nota, na qual informa que o sargento "nunca atuou no Gabinete Militar do Governador (GMG), órgão responsável pelo planejamento e pela execução das atividades de escolta e proteção física do governador, ex-governadores e demais autoridades. Dessa forma, o militar jamais integrou a equipe de segurança pessoal do chefe do Poder Executivo, não possuindo qualquer vínculo funcional com o governador nem tendo sido empregado em sua proteção".

Conforme a nota do governo, "o sargento serviu no Batalhão de Polícia de Guardas (BPG) da Polícia Militar de Minas Gerais, entre 2015 e 2023, unidade que, entre suas atribuições, realiza o policiamento ostensivo de sedes de órgãos públicos e de residências oficiais. Em razão da rotatividade das escalas de serviço, o militar pode ter atuado em postos dessa natureza, o que não se confunde, em nenhuma hipótese, com integrar o Gabinete Militar ou exercer a segurança pessoal de autoridades".

Feminicídio e prisão

O crime ocorreu na última segunda-feira (20/7) e é apurado pelas polícias Civil e Militar como feminicídio. Eduardo Abner levou Michele ao Hospital Odilon Behrens, na Região Noroeste de Belo Horizonte, alegando que a mulher teria caído de uma escada em casa, no Bairro Santa Cruz.

No entanto, as lesões encontradas no corpo e no rosto da capitã indicavam agressões violentas.
De acordo com o delegado Saulo Castro, a gravidade dos ferimentos demonstrava intenção de machucar e matar a vítima.

Ainda no hospital, um tenente da PM flagrou o suspeito descartando 18 comprimidos de ecstasy no banheiro da unidade, gerando também a autuação em flagrante por tráfico de drogas.

O histórico do militar inclui ainda uma prisão em 2023 por embriaguez ao volante e relatos de testemunhas sobre um relacionamento conturbado, marcado por idas e vindas e violência psicológica contra a capitã.

À polícia, o sargento alegou que o casal havia participado de uma festa com uso de bebidas alcoólicas e entorpecentes antes de ir para o hospital. Ele afirmou que eles mantiveram relações sexuais consensuais após a saída dos convidados e declarou que as práticas íntimas do casal costumavam envolver agressividade.

Por meio de nota, a defesa do sargento informou que acompanha o caso e aguarda os laudos periciais e a conclusão das investigações, a fim de evitar “julgamento precipitado”. Segundo o advogado Gustavo Nepomuceno Lopes, como as apurações estão em fase inicial, as autoridades ainda vão esclarecer os fatos.

“A defesa confia no devido processo legal, na imparcialidade das investigações e reafirma que se manifestará oportunamente nos autos, preservando o direito de defesa e o sigilo necessário ao bom andamento do procedimento”, diz o comunicado.

Histórico de agressões

O sargento já tinha sido acusado de agredir uma ex-companheira e de descumprir uma medida protetiva contra ela em 2016, cerca de dois anos antes de começar o relacionamento com Michele.

Na época, a ex-companheira relatou à PM que mantinha um relacionamento havia sete meses com o sargento. Conforme o registro, ela foi até a casa dele para buscar um par de sapatos e o encontrou com outra mulher. Após a descoberta, Eduardo arrastou a mulher pelos cabelos até a rua e a jogou no chão. Quando ela tentou se levantar, ele teria dado um soco no rosto dela, fazendo com que caísse novamente.

A vítima também afirmou que Eduardo a ameaçou durante o episódio. Uma amiga que tentou ajudá-la também teria sido ameaçada. As duas conseguiram entrar no carro da vítima para fugir, mas, segundo o registro, Eduardo teria aberto a porta do veículo e impedido a amiga de entrar.

A mulher conseguiu deixar o local e foi socorrida ao Hospital João XXIII. O registro aponta que ela apresentava lesões no nariz, em um dedo da mão direita, no joelho direito, nas costas e dores no ombro direito.

Descumprimento de medida protetiva

Seis meses depois, em setembro de 2016, a mesma mulher procurou a polícia para denunciar o descumprimento de uma medida protetiva contra o sargento. Conforme o registro, mesmo após ser notificado da decisão judicial, ele teria enviado mensagens pelo WhatsApp com ameaças contra ela e seus familiares.

Em uma das mensagens, Eduardo teria afirmado que o irmão da ex-companheira, que não tinha medida protetiva, poderia “aguentar uma surra na rua”. Em outra, ele teria escrito “Você quer guerra? Vai ter guerra”.

A mulher também relatou na ocorrência que o ex teria ameaçado o pai dela. Segundo o registro, Eduardo disse ainda que, caso perdesse um concurso, iria “desgraçar tudo”. A vítima afirmou à polícia que temia pela própria integridade física e pediu providências.

Trajetória da vítima

A capitã Michele Leão Azevedo ingressou na Polícia Militar em 2010 e atuava na área de segurança pública e defesa. Com formação acadêmica destacada, concluiu especialização entre 2022 e 2023 no Instituto Federal do Sul de Minas (Ifsuldeminas), estudando a aplicação da jurisprudência dos Tribunais Superiores na PMMG.

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O sargento segue detido no 34° Batalhão da PM, na capital mineira, e aguarda a realização da audiência de custódia, que definirá a conversão ou não do flagrante em prisão preventiva.

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