IGARAPÉ

Donos de clínica são presos por cárcere privado e maus-tratos na Grande BH

Os internos mencionaram à Polícia Militar que não tinham acesso a serviços e produtos básicos

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Dois irmãos, donos de uma clínica de reabilitação, foram presos na noite desse domingo (19/7) por maus-tratos e cárcere privado de internos em Igarapé, na Grande BH.

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As vítimas relataram à Polícia Militar (PMMG) situações de violência vivenciadas no local, além do racionamento de comida. A PMMG estima que mais de dez pessoas residiam no lugar. 

 

Segundo o boletim de ocorrência, um dos donos do local foi a uma base da polícia, denunciou o furto de um veículo que pertencia a ele e indicou o irmão como responsável pelo crime. 

Os militares se dirigiram então até a clínica e foram recebidos por um interno, que se denominava monitor do estabelecimento. Os agentes entraram na instituição e verificaram a existência de outros pacientes no lugar. 

O cenário de degradação do ambiente chamou a atenção dos policiais, que começaram a dialogar com as vítimas. Os internos narraram que vinham sendo submetidos a rotinas de violência físicas e psicológicas sofridas na clínica; ausência de recursos básicos, como papel higiênico e alimento; e episódios de isolamento forçado, sem contato com outras pessoas na unidade e nem com familiares. Em uma das ocasiões, um dos pacientes chegou a mencionar que não saía do lugar há três anos.

Uma das vítimas relatou ter sofrido agressões físicas, como chutes e socos, pela administração do local. E afirmou ter sido sedada forçadamente e submetida a prolongados períodos de privação de água e comida. 

Outro interno apresentava uma lesão de coloração roxa e infeccionada na perna esquerda, apontada como sendo decorrente de uma lesão sofrida em um episódio de violência. Os policiais identificaram que não existia um setor de assistência médica durante o período de internação. Os agentes então ligaram para a ambulância para que a vítima fosse levada para uma unidade de atendimento da cidade. 

Em mais de uma ocasião, foram citadas apropriações indevidas de recursos destinados aos pacientes da clínica, enviados pela família ou fruto de benefícios sociais. Um dos internos apontou aos agentes que foi agredido com o intuito de que ele fornecesse a identidade facial, que possibilitasse o acesso ao Bolsa Família da vítima. 

Assistentes sociais da cidade foram acionados para prestar acolhimento aos internos, mas não se dirigiram ao local. De acordo com a PMMG, a servidora que atendeu a ligação mencionou que sabia da degradação da clínica e que havia recomendado a um dos pacientes que fizesse a denúncia.

Ela declarou ainda ter recomendado aos donos que não aceitassem mais nenhum interno. A reportagem entrou em contato com o serviço social de Igarapé, mas ainda não obteve retorno.

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*Estagiário sob supervisão do subeditor Thiago Prata

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