Carnaval 2026: conheça a história da folia centenária e gigante em BH
Com mais de um século de tradição e resistência, o Carnaval de BH projeta recorde de 660 desfiles e 612 blocos em uma festa que une memória e alegria
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O coração de Minas Gerais já bate no ritmo do surdo e do tamborim! O Carnaval de Belo Horizonte, que já soma mais de 100 anos de história, se consolida em 2026 como um dos destinos mais cobiçados do país. Para este ano, a expectativa é de quebra de todos os recordes: impressionantes 612 blocos de rua se cadastraram para desfilar, o que representa um aumento de cerca de 8% em relação aos 568 inscritos em 2025.
A renovação da tradição está garantida com 178 novos grupos participando pela primeira vez. Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), a previsão é de pelo menos 660 desfiles espalhados pelas dez regionais da cidade durante a programação oficial, entre os dias 31 de janeiro e 22 de fevereiro, período que engloba o pré, o feriado e o pós-carnaval.
Veja a seguir um pouco de como a festa surgiu na capital mineira, como se desenvolveu e chegou a ser uma das maiores do Brasil. Além disso, confira um pouco das expectativas da Prefeitura para a edição deste ano.
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O Carnaval de Belo Horizonte tem muita história para contar
Engana-se quem pensa que o Carnaval de BH teve seu início poucos anos atrás. O primeiro Carnaval da capital mineira ocorreu em fevereiro de 1897, há 114 anos, quando homens vestidos de mulher desfilavam atrás de carroças da Praça da Liberdade até a Avenida Afonso Pena, enquanto jogavam confetes e serpentinas nas ruas.
Em 1947 surgiu o primeiro bloco de rua da cidade: o Leão da Lagoinha, que é ativo até hoje, sendo o mais tradicional da capital mineira. Ainda no mesmo ano e bem pertinho do bairro da Lagoinha, onde rolava o bloco de rua, aconteceu também o primeiro desfile de escola de samba: desfile da Agremiação Pedreira Unida, escola que era formada por moradores da Pedreira Prado Lopes. Pouco tempo depois surgiu a Banda Mole, segundo bloco de rua de BH, fruto da divisão do Leão da Lagoinha.
Nos anos 2000 as apresentações carnavalescas começaram a ganhar mais força, aderindo a trios-elétricos e neste ano foi promulgada a Lei Municipal que instituiu oficialmente o Carnaval de Belo Horizonte.
A partir de 2013, os blocos de rua começaram a atrair um grande número de foliões, principalmente na Região Central e, em 2014, o desfile das Escolas de Samba e Blocos Caricatos volta para a avenida mais importante da cidade, a Avenida Afonso Pena, depois de 24 anos sendo realizado em outros locais.
Já em 2015, o Carnaval de BH entra para a história da cidade, atraindo mais de 1 milhão de pessoas pelas ruas, com mais de 200 blocos de rua, nove blocos caricatos e seis escolas de samba. Desde então, a festa mais colorida do ano recebe milhões de pessoas pelas ruas. Ano após ano o carnaval de BH se destaca mais e hoje é considerado o terceiro maior carnaval do Brasil.
A tradição das escolas de samba
Apesar de hoje o carnaval de Belo Horizonte ser conhecido pelos seus blocos de rua, desde 1980 os desfiles de escolas de samba e blocos caricatos estão anualmente na programação oficial da cidade. Todos os anos eles desfilam na avenida Afonso Pena e competem, com direito a jurados e público.
E tem mais! Além das escolas de samba, BH também conta com a tradição da Corte Momesca, composta por rei, rainha e princesa. O trio é eleito por meio de um concurso anual realizado pela Belotur, em que os representantes recebem em mãos a chave (simbólica) da capital mineira e ficam responsáveis por comandar a festa e a cidade, mantendo a alegria da folia e o espírito carnavalesco.
2020: o Carnaval antes da pandemia
Só quem viveu o Carnaval de 2020, sabe: o último Carnaval de rua de Belo Horizonte que antecedeu a pandemia do COVID-19 foi o maior de todos até então, superando as expectativas dos foliões.
Durante os 23 dias de Carnaval, a cidade recebeu 4,45 milhões de pessoas, sendo 211 mil delas turistas (um aumento de 3,4% comparado a 2019), além de 390 desfiles de blocos de rua. E isso tudo resultou em uma ótima festa coletiva, com menos lixo, banheiros e mobilidade funcionando melhor, com segurança e consciência. Ou seja, um exemplo para todo o país.
A festa em 2023 marcou o retorno das festividades
A edição de 2023 marcou um capítulo memorável na capital mineira, estendendo-se por quase três semanas de celebração ininterrupta. Naquele ano, a cidade recebeu a confirmação de 5 milhões de foliões, enquanto a economia mineira como um todo registrou uma movimentação impressionante de R$ 1,5 bilhão. Sob a ótica do público, o evento foi consagrado como a maior realização carnavalesca já vista em Belo Horizonte até então.
Após uma pausa de dois anos, o retorno em 2023 demonstrou um vigor social extraordinário, onde o amadurecimento da festa na capital serviu de motor para o crescimento do Carnaval em todo o estado de Minas Gerais. Esse fenômeno refletiu-se nos números oficiais: o governo contabilizou pelo menos 1,6 mil eventos em território mineiro, sendo cerca de 900 deles apenas blocos de rua.
Especificamente na capital, a Prefeitura registrou o cadastramento de mais de 500 blocos, com uma adesão massiva já no pré-carnaval, que contou com mais de uma centena de cortejos. Espalhados por diversas regionais, esses grupos apresentaram propostas variadas, mas mantiveram como fio condutor a celebração da liberdade, da democracia e da pluralidade
O ano da tecnologia e da sonorização impecável
O Carnaval de 2024 ficou marcado na memória como o ano em que Belo Horizonte "subiu o som". A grande novidade foi a estreia das avenidas sonorizadas, utilizando o sistema Line Array nas avenidas dos Andradas e Amazonas. Com um investimento de R$ 4,5 milhões, a estrutura permitiu que os foliões ouvissem cada batida da bateria com clareza cristalina ao longo de quase um quilômetro de extensão.
Outro ponto marcante foi a adaptação criativa da cidade: com a Praça da Estação em obras, o palco principal foi transferido para o Parque Municipal. Mesmo com as mudanças, a folia não parou de crescer, reunindo 5,5 milhões de pessoas e contando com um exército de quase 21 mil vendedores ambulantes credenciados, garantindo que o brilho da festa chegasse a cada canto da capital.
Carnaval 2025: recordes de público e aprovação nas alturas
Se 2024 foi o ano da tecnologia, 2025 foi o ano do gigantismo absoluto. A capital mineira bateu um recorde histórico ao receber 6,05 milhões de foliões, um salto de 10% em relação ao ano anterior. A festa não foi apenas grande em números, mas também em qualidade: o Observatório do Turismo registrou que 83,8% do público teve suas expectativas superadas, e incríveis 93% dos participantes afirmaram que recomendariam o Carnaval de BH para outras pessoas.
A economia mineira sentiu o impacto positivo, com uma movimentação de R$ 1,2 bilhão e a geração de 20 mil empregos. Além disso, a presença de turistas cresceu, representando 18% do total de foliões, vindos principalmente do interior de Minas e de São Paulo. A organização também se destacou pela eficiência na limpeza urbana, com a retirada de mais de mil toneladas de resíduos, mantendo a cidade pronta para o próximo dia de folia.
O que esperar de 2026?
Com os motores já aquecidos e um crescimento constante, o Carnaval de 2026 promete ser a edição mais vibrante de todos os tempos. Se em 2024 inovamos com o som e em 2025 batemos recordes de público, este ano o foco é a expansão e renovação. Com o aumento de 43% no número de desfiles previstos em relação ao ano passado, a folia vai chegar com força total às dez regionais da cidade.
Prepare o seu glitter e a sua melhor fantasia, pois Belo Horizonte está pronta para mostrar por que é a capital mundial da alegria espontânea e democrática. O Carnaval de 2026 não é apenas uma festa; é a consagração de um movimento que une história, tecnologia e a hospitalidade única do povo mineiro.
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