Mulher que perdeu casa em tombamento de carreta na Vila da Luz faz vaquinha
Acidente atingiu três barracos e destruiu casas às margens do Anel Rodoviário na madrugada desse domingo (4/1)
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Maria José da Rocha, de 42 anos, teve sua casa destruída pela carreta que tombou às margens do Anel Rodoviário, na Vila da Luz, Bairro Jardim Vitória, Região Nordeste de Belo Horizonte (MG), na madrugada do último domingo (4/1). A carreta carregada com refrigerantes perdeu o controle e atingiu três barracos. Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), não houve vítimas.
Moravam na casa Maria José, o marido e o filho de 14 anos. Apenas o marido estava na casa no momento do acidente, que, segundo ele, aconteceu por volta de 1h. Maria José estava de férias com o filho no interior. A casa foi totalmente destruída e foi possível recuperar apenas algumas roupas. O tombamento também destruiu as casas de seu irmão e de seu sobrinho, que ficavam, respectivamente, ao lado e à frente da sua.
Segundo Maria José, agora a família passa parte do tempo na casa de sua irmã e parte do tempo na casa de sua sogra. Ela relatou que o trânsito entre as casas a preocupa principalmente pelo filho que tem TEA (Transtorno do Espectro Autista). “O psicológico já não está ajudando. Já estou cansada. Mas só da gente estar vivo, fico grata. Acho que as lutas servem para fortalecer a nossa fé”, disse à reportagem do Estado de Minas.
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Agora a família espera que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a empresa responsável pela carreta tombada tomem as devidas providências. “Estamos esperando, mas é muita burocracia e enquanto isso nós ficamos indo pra cá e pra lá”, relata Maria José.
Amigos de Maria José começaram uma vaquinha solidária para ajudar a família a se reestruturar nesse momento. É possível ajudar doando para a chave pix: rochamaria916@gmail.com (Nome: Maria José Rocha).
Acidentes constantes
O Anel Rodoviário de BH registra grande número de acidentes envolvendo caminhões no trecho. O atropelamento de um pedestre, ainda não identificado, e uma colisão entre duas motos deixaram o trânsito lento no Anel Rodoviário em 11 de agosto do ano passado. O atropelamento aconteceu na altura da Vila da Luz, no Bairro Jardim Vitória, na Região Nordeste, no sentido Rio de Janeiro, por volta das 7h30.
Em julho de 2022, uma carreta perdeu o controle e tombou sobre casas às margens do Anel, no mesmo local. O acidente deixou quatro vítimas com ferimentos leves, e pelo menos dez casas foram atingidas. De acordo com o motorista da carreta, o pneu do veículo estourou e, por isso, ele perdeu o controle da direção.
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No mesmo ano, uma carreta carregada de feno tombou na madrugada de primeiro de dezembro de 2022. Por pouco, o veículo não atingiu as casas de moradores que vivem às margens da via expressa.
O motorista, de 42 anos, ficou ferido e precisou ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu). Parte da carga se espalhou na pista e a cabine da carreta ficou danificada. O veículo caiu em cima de um poste de iluminação, o que impediu que atingisse as casas à margem da rodovia, como já aconteceu em outros acidentes.
Vila da Luz
Hoje, cerca de 500 famílias vivem em casas improvisadas erguidas na comunidade Vila da Luz. Foi assinado, em 7 de novembro do ano passado, um acordo que formaliza a cessão de uma área pública para reassentar aproximadamente 2 mil famílias que serão removidas das margens da BR-381 devido às obras de duplicação da rodovia.
Agora, a assinatura de um acordo entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) promete, enfim, definir o destino das famílias que há anos vivem improvisadamente às margens da rodovia.
Depois de décadas ouvindo promessas de que seriam retirados dali, a notícia do acordo chega à comunidade em uma mistura de alívio e desconfiança. Há quem veja a assinatura do documento como o início de uma nova vida, longe do perigo e quem prefira conter o entusiasmo, afinal, já perderam a conta das vezes em que ouviram que o reassentamento “agora vai”. “Vai mudar, não mudar. Há muito tempo que a gente escuta essa conversa”, resume Elizete Grande dos Santos, de 63 anos.
O novo termo de compromisso encerra uma disputa iniciada em 2013, quando a PBH e o Dnit firmaram o primeiro acordo para remover famílias que viviam em áreas de risco ou na faixa de domínio da rodovia. À época, foram repassados R$ 5,3 milhões pela Caixa Econômica Federal para a compra de terrenos e a construção de moradias populares.
Os planos previam erguer 630 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida em uma área entre os bairros São Gabriel e Belmonte, na Região Norte da capital. Foram adquiridos 47 lotes, mas as casas nunca saíram do papel. Com o passar dos anos, os terrenos foram ocupados irregularmente, dando origem a um novo bairro, hoje com cerca de 12 mil moradores, pequenas construções, comércios e serviços, conforme descobriu a reportagem do Estado de Minas.
Enquanto isso, a duplicação da BR-381, prometida há décadas, continuava emperrada. Mas, para que isso aconteça, Elizete e quase duas mil pessoas têm que ser indenizadas e removidas de imóveis erguidos à beira da estrada. Em 2023, o governo federal decidiu alterar o edital de concessão da estrada e retirar do cronograma o trecho de entrada e saída de Belo Horizonte, considerado de alta complexidade técnica e jurídica, o que afastava o interesse da iniciativa privada.
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A mudança destravou o processo de privatização do restante da via, entre Caeté e Governador Valadares, após três tentativas de leilão fracassadas. O trecho mais próximo da capital, agora, ficou sob responsabilidade da União, que também terá de bancar as indenizações e reassentamentos. Pelo novo acordo, as famílias deverão ser transferidas para o Bairro Capitão Eduardo, em um terreno de 2,2 milhões de metros quadrados, que será incluído no programa Minha Casa, Minha Vida.