Árvores frutíferas se espalham pelas esquinas de BH
Reconhecida por preservar o verde, a capital mineira também conta com diversas espécies frutíferas, entre elas espécimes tombadas
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Belo Horizonte já tem o título de “Cidade Árvore”, mas também poderia ser pomar. É que a capital mineira abriga cerca de 18 mil espécies frutíferas entre as 229.729 árvores cadastradas. O número pode ser ainda maior, já que as cerca de 550 mil árvores estimadas no município ainda não estão catalogadas no inventário, que começou a ser feito em 2010.
De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA), até novembro deste ano foram inventariadas 16.822 espécies reconhecidamente frutíferas e com uso alimentar humano documentado para alguma fração dos frutos, distribuídas nas nove regionais administrativas da capital.
As cinco espécies mais comuns são castanheira, goiabeira, mangueira, pitangueira e amoreira. Algumas são tombadas e não podem ser cortadas, como o conjunto de mangueiras da Avenida Alfredo Balena, tombadas por um decreto de 1976, devido ao seu plantio no início da construção da cidade.
Mas o acervo registra outras preciosidades da flora brasileira da Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia e também espécies originárias de outros países classificadas como exóticas.
Entre as raridades encontradas está a grumixama, conhecida popularmente como cereja brasileira. É uma árvore da Mata Atlântica, cuja fruta (roxa por fora e com a polpa carnuda e branca) tem aparência e sabor muito parecidos com a cereja tradicionalmente consumida no Brasil, que é importada da Europa e da Ásia, de onde é nativa. São 24 exemplares catalogados na capital, um deles localizado na Rua Ceará, no Bairro Funcionários, Zona Sul da cidade, logradouro que possui também pés de castanheira, abacate, araçá, cajá, goiaba, graviola, mamão e pitanga.
FLORIR A RUA
O pé de graviola, originário da região do Caribe, mas cujo fruto é amplamente disseminado e consumido no Nordeste brasileiro, foi plantado há cerca de quatro anos por uma moradora da rua, Adriana Vilaça.
Batizada de Dauanda, em homenagem à filha de sua comadre, Nilce. Adriana conta que elas comeram a fruta que veio do Nordeste, gostaram muito e resolveram plantar as sementes. A muda vingou e, quando adquiriu um tamanho bom, foi transplantada para o passeio, no local onde havia uma árvore suprimida pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).
“A gente ama plantar, o difícil é conseguir que elas não sejam depredadas por quem passa pela rua”, lamenta Adriana, cujo sonho é “florir a rua toda”. A gravioleira florida, afirma a moradora, é uma beleza. “Vocês têm que voltar para fotografar as flores”, recomendou para a equipe de reportagem.
DOCE E FORTE
Diretamente da Amazônia, a cidade tem registrado um bacuparizeiro, na Praça Orivaldo Silva de Oliveira, no Bairro Campo Alegre, Região Norte da cidade.
Árvore que dá uma fruta de sabor adocicado e forte, o bacupari, muito consumido no Pará, demora entre oito e 12 anos para frutificar. Lá, sua produção está ligada às comunidades tradicionais, que colhem os frutos diretamente da floresta Amazônica. Popularmente conhecido como mangostão, o bacupari é pouco consumido fora do Norte do país e, na capital mineira, pode ser encontrado em algumas barracas do Mercado Central.
A capital tem também, ao menos, cinco pés de pequi, árvore símbolo do Cerrado e que era muito comum na cidade, antes de virar a capital do estado. Ameaçado de extinção, o pequi hoje é protegido por leis estaduais e federais, que proíbem seu corte, exceto em situações específicas como risco de queda. De acordo com o inventário, são quatro pés de pequi na Pampulha e um na Região do Barreiro.
Também na Região da Pampulha podem ser encontrados quatro exemplares de camboatá nas cores vermelho e branco, cujo corte é proibido, pois a espécie está na lista nacional da flora ameaçada. Com pequenas flores brancas muito apreciadas pelos insetos, essa espécie da Mata Atlântica e Cerrado possui frutos pouco usados na alimentação, apesar de serem classificados como nutritivos e comestíveis.Quem gosta mesmo deles são as aves.
Da fauna exótica, são 627 pés de amora, espécie originária da Ásia, sendo que em três deles as frutas são brancas e o restante na tradicional cor preto-arroxeado, muito comum em toda a cidade.
CONSUMO NÃO RECOMENDADO
No entanto, o gerente de arborização da SMMA, Marcelo Villas Boas, alerta que apesar de muitas das árvores frutíferas encontradas na cidade serem usadas tradicionalmente na alimentação da população, como a manga e a goiaba, por exemplo, o consumo não é recomendado pela PBH.
Segundo ele, existe a possibilidade de reações alérgicas às frutíferas não convencionais. “E também porque, o que na minha visão é um pouco triste, há o problema da poluição do ambiente urbano, proveniente da queima de combustível fóssil, que acarreta emissão de metais pesados na atmosfera e sua deposição sobre esses frutos, que podem não ser benéficos ao consumo humano”, explica.
Ele destaca que essa recomendação vale para árvores localizadas em contexto de grande circulação de veículos que deixam, por exemplo, os troncos enegrecidos. “Mas uma árvore do Parque Municipal, por exemplo, não tem restrição. A gente, inclusive, distribui as frutas das jaqueiras do parque para consumidores previamente cadastrados”, explica.
PLANTIO SEGURO
A PBH também não recomenda o plantio de árvores frutíferas em calçadas em função do risco de acidentes. A orientação, segundo o gerente de arborização, está fundamentada em critérios de segurança, salubridade e manejo. “Os frutos que caem sobre o pavimento podem provocar acidentes, a decomposição do material orgânico pode gerar odores e insalubridade e a presença deles também pode atrair a fauna sinantrópica (ratos, baratas, escorpiões, mosquitos pombos), com potenciais impactos à saúde pública e ao patrimônio, tanto público quanto privado”.
Essas orientações são adotadas pela PBH desde 2010, quando foi editada a deliberação normativa número 69. “Até a amora, por exemplo, que é uma frutinha bem pequena traz risco, pois o chão fica melado e escorregadio”, destaca.
Segundo ele, anteriormente não havia regra expressa sobre o plantio de árvores na cidade, além de o número de carros em circulação ser bem menor. O plantio de frutíferas, de acordo com Marcelo, é feito somente em praças e parques ou em passeios onde há recuo da calçada que não coloquem pedestres e veículos em risco.
Também não havia, de acordo com ele, preocupação em plantar árvores nativas, frutíferas ou não, prática que passou a ser adotada pela PBH e que faz parte do Plano Municipal de Arborização Urbana.
COMO PLANTAR
O plantio de árvores em logradouros públicos (praças, passeios públicos) deve ser feito pela própria PBH, após solicitação do cidadão e mediante vistoria técnica no local indicado. O serviço pode ser solicitado em qualquer época do ano, mas sua execução ocorre somente entre os meses de setembro e fevereiro, para aproveitar o período de mais chuvas, o que facilita o desenvolvimento da muda.
A espécie a ser plantada pode ser sugerida pelo morador, no entanto, a decisão final será feita por técnicos da PBH, que levam em consideração alguns fatores como adequação ao espaço e composição paisagística, além do desejo do requerente.
O morador também pode plantar uma árvore, mas é preciso autorização da PBH. As regras são as mesmas para o plantio feito pela própria prefeitura. É possível sugerir a espécie, mas a decisão final é técnica e leva em consideração as condições do local onde a muda será plantada.
Para solicitar o plantio de árvore na PBH, acesse o Portal de Serviços da prefeitura (www.servicos.pbh.gov.br), procure por "Árvore - Solicitação de plantio em calçada" e preencha o cadastro.
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As frutíferas mais comuns em BH
- Castanheira
- Goiabeira
- Mangueira
- Pitangueira
- Amoreira
Fonte: PBH
Plano municipal
A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) lançou, em setembro do ano passado, o Plano Municipal de Arborização Urbana (Pmau), com as diretrizes para a proteção, planejamento, implantação, manutenção, gestão e expansão das áreas verdes no município para as próximas duas décadas. Entre elas, constam ações para aumentar a arborização e a educação ambiental. É possível consultar o Pmau no site da PBH e por meio do endereço https://prefeitura.pbh.gov.br/meio-ambiente/plano-municipal-de-arborizacao-urbana a sua execução pode ser acompanhada pela população.