Brasil bate recorde na alfabetização, mas ainda enfrenta desigualdades
Indicador do MEC mostra que país superou meta de 2025, mas especialistas alertam para desafios de qualidade e desigualdade
compartilhe
SIGA
O Brasil registrou um avanço importante na alfabetização infantil e superou a meta estabelecida para 2025. Dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) apontam que 66% das crianças estavam alfabetizadas ao fim do 2º ano do ensino fundamental. O índice ultrapassa a meta nacional de 64% e representa um crescimento de 10 pontos percentuais em relação a 2023, quando o indicador estava em 56%.
- Relembre (2025): Alfabetização infantil se mantém abaixo da meta
O resultado foi apresentado durante a premiação do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, na segunda-feira (23/3), e indica que quase todas as unidades da federação atingiram suas metas específicas, incluindo o Distrito Federal. O avanço é atribuído, em grande parte, à articulação entre União, estados e municípios por meio do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada.
Apesar do progresso, especialistas ponderam que o cenário ainda exige atenção. Isso porque 34% das crianças brasileiras deixam o 2º ano do ensino fundamental sem saber ler e escrever adequadamente.
Leia Mais
Uma análise dos dados feita pela ONG Todos Pela Educação reforça que, embora o país tenha avançado, o nível considerado como alfabetização ainda é inicial, o que impõe um novo desafio: elevar a qualidade da aprendizagem e garantir que as crianças desenvolvam competências mais sólidas de leitura e escrita.
Para o vice-presidente de educação da Fundação Lemann, Felipe Proto, o resultado deve ser comemorado, mas sem perder de vista os próximos passos. “O avanço da alfabetização no Brasil é uma conquista relevante, um marco para nosso país. O compromisso coletivo e a cooperação entre União, estados e municípios, como propõe o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, tem viabilizado resultados muito promissores para a educação brasileira”, afirma.
Ele destaca que políticas públicas articuladas e iniciativas de incentivo têm desempenhado papel central nesse avanço. “Iniciativas como o Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização reforçam esse movimento ao reconhecer e incentivar redes que avançam com qualidade e equidade”, diz.
Proto também aponta que o país vive um momento decisivo para transformar os avanços em conquistas estruturais. “Erradicar o analfabetismo no Brasil tem se tornado um sonho cada vez mais possível. Se mantivermos o foco e acelerarmos o ritmo, o Brasil pode alcançar uma das transformações mais estruturantes de sua história: garantir que todas as crianças estejam lendo e escrevendo até o final do 2º ano do Ensino Fundamental”, completa.
Embora o indicador nacional tenha melhorado, persistem desigualdades entre redes públicas e regiões do país, o que exige políticas mais direcionadas para garantir que o progresso seja consistente e alcance todas as crianças.
Nesse contexto, instituições que atuam com redes públicas de ensino reforçam a importância de estratégias estruturadas e contínuas. O Instituto Ayrton Senna, por exemplo, acompanha os indicadores educacionais e desenvolve programas voltados à alfabetização, à correção de fluxo e à recomposição das aprendizagens.
A gerente-executiva de Advocacy da organização, Beatriz Alqueres, avalia que o avanço é resultado de esforços coordenados, mas alerta para limites importantes. Segundo ela, é necessário aprofundar a qualidade da aprendizagem e enfrentar os desafios que ainda persistem nos anos iniciais.
A especialista também destaca que a recomposição das aprendizagens, especialmente após os impactos da pandemia, ainda é uma agenda central. Para ela, políticas públicas consistentes, aliadas a programas estruturados, são fundamentais para sustentar e ampliar os resultados obtidos até aqui.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Com o indicador em alta, o Brasil dá um passo relevante rumo à alfabetização na idade certa. O desafio agora, segundo especialistas, é garantir que esse avanço não apenas se mantenha, mas se traduza em aprendizagem efetiva, com equidade e qualidade para todas as crianças.