Endividamento em BH cai, enquanto incapacidade de quitar as dívidas cresce
Consumidores endividados na capital somam 86,4%. Entre os que devem, 96% têm compromissos no cartão de crédito
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O mês de agosto fechou com uma redução no número de consumidores endividados em Belo Horizonte, que caiu de 88,2% para 86,4%. O movimento foi acompanhado pela proporção dos que têm contas em atraso, com queda de 65,3% para 63,3%. No entanto, o número de pessoas que reconhecem não ter condições de quitar suas dívidas aumentou de 31,2% para 32,1%.
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O cenário foi traçado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), analisada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG).
Para Gabriela Martins, economista da Fecomércio-MG, os números mostram que a redução do endividamento precisa ser observada em conjunto com a capacidade efetiva das famílias de reorganizarem o orçamento: "A queda do endividamento e das contas em atraso é um sinal positivo, mas o aumento da parcela que não terá condições de pagar mostra que ainda existe uma pressão importante sobre o orçamento das famílias. O consumidor pode estar reduzindo novos compromissos, mas isso não significa necessariamente que as dívidas já contratadas estejam sendo solucionadas."
O cartão de crédito permanece como o principal instrumento de endividamento na capital. Em agosto, 96,2% dos consumidores endividados tinham compromissos nessa modalidade, que aparece muito à frente das demais formas de crédito. Na sequência vêm os carnês, com 34,9% de endividados.
Perfil do endividamento
Na análise do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio-MG, a dificuldade de regularização fica ainda mais evidente quando se observa a duração dos atrasos. Entre as famílias que possuem contas pendentes, 54,4% estão com os pagamentos atrasados há mais de 90 dias. Em média, as dívidas estão atrasadas há 68,8 dias.
O quadro é ainda mais delicado entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos: 65,2% possuem algum compromisso em atraso, contra 51,7% entre aquelas com renda superior a 10 salários mínimos.
"O tempo de atraso ajuda a dimensionar o desafio. Quando mais da metade das famílias inadimplentes está há mais de 90 dias sem conseguir regularizar suas contas, estamos falando de uma dificuldade que ultrapassa um desequilíbrio pontual do orçamento e pode comprometer o consumo por mais tempo", explicou a economista.
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A pesquisa de agosto ainda mostra que as dívidas comprometem, em média, 34,4% do orçamento mensal das famílias. Em 80,4% dos casos, mais de 10% da renda está comprometida, enquanto 40,7% das famílias endividadas destinam mais da metade do orçamento às dívidas.
O tempo de comprometimento das dívidas também ajuda a explicar por que a melhora dos indicadores de curto prazo ainda exige cautela: 75,7% das famílias endividadas possuem compromissos por 90 dias ou mais, e o tempo médio de comprometimento da renda chega a 8,1 meses.
"O cenário de agosto sugere uma mudança importante: há menos famílias relatando endividamento e atraso, mas a parcela que não consegue pagar continua elevada. Para o comércio, acompanhar esse comportamento é relevante porque a capacidade de consumo das famílias está diretamente relacionada ao espaço disponível no orçamento e ao acesso ao crédito", afirmou Gabriela.