E agora?

Rússia suspende venda de diesel, tendo o Brasil como um grande comprador

Decisão é desdobramento dos ataques da Ucrânia contra o sistema energético russo, e, a princípio, vai durar até o fim do mês

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O governo de Vladimir Putin impôs nesta quarta-feira (8/7) um veto à exportação do óleo diesel até o fim deste mês. A medida pode ter impacto no mercado brasileiro, segundo maior importador do derivado do petróleo russo, caso se estenda por mais tempo.

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A decisão foi anunciada ao presidente durante uma reunião com seu gabinete para discutir o impacto dos ataques com drones e mísseis de cruzeiro da Ucrânia contra o sistema energético russo.

 

 A campanha, iniciada há algumas semanas, atingiu duramente a produção de petróleo da Rússia, que empata com a Arábia Saudita no posto de segundo maior fornecedor global da commodity. Só nesta quarta, três refinarias foram bombardeadas.

Na terça (7/7), a maior unidade de refino da Rússia teve de parar sua produção, em Omsk, a 3.000 km das fronteiras ucranianas. Mesmo admitindo a escassez de combustível e as longas filas em postos de toda a Rússia, além do racionamento em algumas regiões, Putin afirmou que "o sistema é sólido".

Pode ser, mas em junho houve uma queda de produção de derivados de 25%, além de 15% nas exportações do petróleo cru, segundo consultorias russas usando dados oficiais.

"O veto poderá aumentar o suprimento ao mercado doméstico", disse o czar energético russo, Alexander Novak. Ele afirmou que o país também irá comprar derivados enquanto a crise durar, algo raro para o país. Os envios da aliada Belarus já aumentaram exponencialmente desde o fim de junho.

Desde o início da Guerra da Ucrânia, a Rússia buscou novos mercados devido ao veto progressivo à compra de seu produto na Europa, o principal destino até então. O Brasil se beneficiou da política de altos descontos do Kremlin, assim como outras nações não automaticamente alinhadas ao Ocidente e suas sanções.

Ainda que esteja em queda neste ano, em maio o produto russo respondeu por 75% das importações do diesel pelo Brasil, que atendem cerca de 30% da demanda doméstica, o restante vem da Petrobras.

Hoje, os brasileiros são o terceiro maior comprador do derivado russo, atrás de China e Turquia. Segundo o norueguês Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo, do início das sanções europeias até maio deste ano, 11% do diesel foi embarcado para o Brasil.

Como os embarques do produto obedecem a contratos de mais longo prazo, é improvável que o veto até o próximo dia 31 afete preços no Brasil.

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A situação muda de figura se o banimento for estendido e se entrarem em campo outros fatores, como a retomada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã, o que dificultaria ainda mais a normalização do fornecimento via Oriente Médio.

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