Conflito EUA/Irã

Ministro de Minas e Energia descarta desabastecimento de combustível

Para Alexandre Silveira, Brasil possui condições estruturais para garantir o suprimento interno de combustível

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O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que não existe risco de desabastecimento de combustível no Brasil em função do conflito entre os Estados Unidos e o Irã. A declaração foi feita nesta quarta-feira (11/3) na Câmara dos Deputados, em audiência na Comissão de Minas e Energia.

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Ele garantiu que o Brasil é exportador de petróleo bruto e possui condições estruturais para garantir o suprimento interno. 

Alexandre Silveira reforçou que o Ministério de Minas e Energia (MME) criou uma Sala de Monitoramento do Abastecimento para acompanhar diariamente as condições do mercado nacional e internacional de combustíveis em articulação com órgãos reguladores e com os principais agentes do setor nos elos de fornecimento primário e distribuição.

 


“Com o prolongamento do conflito no Oriente Médio, o Ministério de Minas e Energia (MME) intensificou as ações de monitoramento das cadeias de suprimento globais de derivados de petróleo e da logística nacional do abastecimento de combustíveis, assim como os preços dos principais produtos. A pasta também ampliou, nos últimos dias, as interlocuções junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a agentes de preços e de mercado que atuam na produção, na importação e na distribuição de combustíveis no país”, informou o ministério.

Na avaliação do MME, apesar do cenário de instabilidade, a exposição direta do Brasil ao conflito é considerada limitada, visto que a participação de países do Golfo Pérsico como fornecedores das importações brasileiras de derivados de petróleo é “relativamente pequena”.

A ideia com a sala de monitoramento é identificar rapidamente eventuais riscos ao abastecimento e coordenar as medidas necessárias para preservar a segurança energética e a normalidade do fornecimento de combustíveis no país. O monitoramento constante do contexto internacional tem grande relevância, exatamente por afetar os fluxos logísticos e por gerar volatilidade nos preços globais de petróleo e derivados.


Abastecimento em MG

Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro), desde o início do conflito no Oriente Médio, com as dificuldades logísticas impostas pelo fechamento do estreito de Ormuz, os distribuidores têm se negado a vender para os donos de postos. 

De acordo com relatos de donos de postos de combustível ao seu sindicato, quando há a oferta do produto, os preços ficam exorbitantes, inviabilizando a compra. O Minaspetro garante que na noite dessa terça-feira (10/3) já havia relatos de postos secos, especialmente os de marca própria (chamados de Bandeira Branca).

No entanto, apesar de fazer a denúncia, o sindicato não deixa claro — e sequer esclarece por meio de um porta-voz — se o cenário de desabastecimento é pontual ou generalizado.

Ontem, o Minaspetro relatou que a Vibra, distribuidora dos postos Petrobras, estava restringindo o fornecimento de etanol, gasolina e diesel para a sua rede. No entanto, de acordo com a Vibra, ao longo da semana a distribuidora enfrentou desafios logísticos na cadeia de fornecimento em Minas Gerais, ocasionados por questões climáticas, que impactaram pontualmente o fluxo de abastecimento no mercado.


“A situação já foi normalizada e o atendimento à nossa rede vem sendo realizado 30% acima da média histórica. A companhia orienta que os revendedores busquem seus líderes de território para quaisquer dúvidas ou esclarecimentos”, respondeu, em nota, a Vibra.


Cade investiga aumento do combustível

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a análise de recentes aumentos nos preços dos combustíveis registrados em quatro estados e no Distrito Federal.

Desde que o conflito entre os Estados Unidos e o Irã foi deflagrado, em 28 de fevereiro, a Petrobras não anunciou qualquer aumento nos preços praticados em suas refinarias, o que não justifica reajustes significativos.

O pedido da Senacon foi feito a partir de declarações públicas feitas por sindicatos que representam postos de combustível (Sindicombustíveis-DF, Sindicombustíveis Bahia, Sindipostos-RN, Minaspetro -MG e Sulpetro -RS) denunciando as distribuidoras de elevarem os preços de venda para os postos sob a justificativa de alta no preço internacional do petróleo associado ao conflito no Oriente Médio.

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“Diante desse cenário, a Senacon solicitou que o Cade avalie a existência de possíveis indícios de práticas que possam prejudicar a livre concorrência no mercado, e que podem indicar tentativa de influência à adoção de conduta comercial uniforme ou combinada entre concorrentes”, explicou, em nota, o Senacon.

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