Empresa de ex-morador de rua chega a 8 estados e 4 mil motoristas cadastrados
O fundador da Te levo Mobile Sérgio Brito celebra a conquista e aponta o motivo que levou a empresa a saltar de 485 motoristas para mais de 4 mil, em um ano
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Siga noA história de Sérgio Brito, um ex-morador de rua que criou um aplicativo de transportes em Araxá, no Alto Paranaíba, em 2022, foi contada pelo Estado de Minas há cerca de um ano. Em dois anos de funcionamento, a plataforma Te levo Mobile registrava 485 motoristas cadastrados nas cidades mineiras de Araxá, Sacramento, Ibiá, Monte Carmelo, Guaxupé e Patos de Minas, além de Catalão (GO) e Miguelópolis (SP).
A história de sucesso teve uma nova reviravolta no último ano. Entre agosto de 2024 e atualmente, a empresa já alcança mais de 4 mil motoristas cadastrados em cerca de 40 cidades de oito estados (Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Paraná).
Para Brito, fundador e CEO da empresa, o motivo que levou a esse crescimento exponencial tem a ver com a peça chave de um aplicativo de transporte: o motorista. "Ele é o personagem principal. Não adianta eu ter milhares e milhares e milhares de clientes se eu não tiver o motorista para atender e, principalmente para atender com satisfação", ressalta.
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Em função disso, a Te levo criou um ecossistema voltado para o bem estar do motorista. Os profissionais cadastrados no aplicativo da empresa têm veículos de apoio em casos de acidentes, cartão de saúde, aulas de inglês e descontos em postos de combustíveis e centros automotivos.
Há um ano a Te levo faturava cerca de R$ 120 mil por mês e, atualmente, segundo Brito, o faturamento está em R$ 350 mil mensal. "A gente trabalha com apenas seis funcionários. Temos a gestora do aplicativo, o diretor de marketing e quatro pessoas que atuam em atendimentos aos clientes e motoristas", contou.
Em 1º de agosto deste ano, a empresa inaugurou um novo escritório em Araxá com o objetivo de ser o núcleo dos projeto de expansão. "O foco principal é contribuir para nosso crescimento a nível nacional. Já estamos presentes em oito estados e agora a gente tem a expertise para poder fazer com que a empresa, daqui cinco anos, se torne a maior empresa de transporte por aplicativo do Brasil", comemora Brito.
O empresário natural de Guaíra (SP) atualmente é casado e pai três filhos. Aos 4 anos, ele se mudou com pais e os seis irmãos para Miguelópolis (SP) e, em busca de uma vida melhor, acabou vivendo em situação de rua, de 2019 a 2021. "Eu tomava banho de balde e dormia em praças e vias públicas".
Com propriedade, ele ainda deixa um conselho a quem passa pelo mesmo. "Nunca desista dos seus sonhos e de seus objetivos, em hipótese alguma. Só perde quem desiste e quem não desiste, nunca perde. Eu tenho 45 anos e durante cerca de 40 anos da minha vida deu tudo errado e seu eu tivesse desistido com certeza eu não estaria onde estou hoje. Então, o segredo do sucesso e ter uma vida plena, é nunca desistir", opina Sérgio Brito.
Três anos em situação de rua
Ao relembrar os anos que viveu nas ruas de Itamoji, no Sul de Minas, Brito explica que tudo começou quando ele decidiu deixar a casa dos pais que enfrentavam dificuldades para criar os seis filhos. "Acabou dando muito errado no começo e tive que passar um tempo morando na rua. Eu sou criado em berço evangélico da Igreja Assembleia de Deus e por isso eu nunca me contaminei com nenhuma dependência química e com bebida alcoólica".
O empresário avalia que, apesar das adversidades, sua vontade de vencer falou mais alto e então ele decidiu dar uma reviravolta na sua vida. "Antes de criar meu próprio aplicativo, trabalhei como chef de cozinha de um hotel da cidade e motorista de aplicativo de outras empresas", conta.
Como surgiu a ideia do app?
Uma experiência traumática vivida na época em que Sérgio Brito realizava corridas com aplicativos de outras empresas de transporte foi a sua inspiração para criar o próprio serviço no ramo. "Eu estava com uma cliente, estava chovendo e ela pediu para abaixar o vidro, sendo que eu abaixei e o carro começou a molhar e eu fechei; mas ela pediu novamente para abaixar o vidro e eu disse que não poderia porque o próximo cliente iria pegar o carro molhado e ela me disse que não queria saber porque estava pagando a corrida. Então eu parei o carro, pedi para ela descer, disse que ela não precisava me pagar a corrida e que eu não iria continuar. Então ela desceu do carro e me deu um tapa na cara", relembra o empreendedor.
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Brito ainda recorda que registrou a agressão que sofreu no aplicativo que trabalhava. "A empresa não me respondeu até hoje. Por isso, vi que os motoristas não tinham apoio e assim eu tive a ideia de criar um aplicativo de transporte focado no bem estar do motorista", explica.
Como Sérgio não tinha dinheiro para pagar profissionais para criar o aplicativo, ele recorreu a cursos na internet. "Eu aprendi a fazer a arte gráfica, vídeos, site e a entender de tráfego pago através de vídeos do YouTube. Eu paguei apenas um curso de Gestão de Tráfego pago para que as minhas artes e vídeos chegassem a mais pessoas. Então, foi depois de mais ou menos um ano estudando que eu lancei o aplicativo", contou.