Festival de Arte Fancha chega a BH nesta semana
Idealizado pela Coletiva Fanchecléticas e pela Associação Artes Sapas, o evento vai contar com sarau, forró, oficinas, lançamentos de livros, shows e filmes
compartilhe
SIGA
O Festival de Arte Fancha (Fafan), feito por mulheres lésbicas, bi ou pansexuais e pessoas trans, começa nesta quinta-feira (5/3) em Belo Horizonte. Idealizado pela Coletiva Fanchecléticas e pela Associação Artes Sapas, o evento vai contar com sarau, forró, oficinas, lançamentos de livros, shows e sessões de filmes. O festival vai ocorrer na Funarte, no Centro de BH, é gratuito e tem programação até o dia 15 de março.
Leia Mais
“Nossa programação é um convite ao encontro entre teatro, cinema, literatura e música. A ideia é que o público circule por diferentes linguagens em um mesmo dia. Queremos criar pontas, mas sem amarras; as artes ocupam o mesmo espaço e o público decide como se conectar e o que sentir com cada mistura. Nossa ideia é criar um ambiente de encontro e convívio, um clima de festival onde as pessoas queiram participar de mais de um dia, curtir as oficinas e fazer novas amizades”, afirma Letícia Bezamat, coordenadora de comunicação do festival e atriz.
Segundo ela, foram necessários quase três anos para captar os recursos para realizar essa segunda edição do festival. Para Letícia, isso revela “não só resistência da coletiva, mas o fortalecimento da nossa instituição e do nosso fazer artístico". O projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte e é patrocinado pela Diefra e Plantuc.
O festival recebeu 85 propostas vindas de pessoas trans e mulheres lésbicas, bi ou pansexuais de Belo Horizonte e Região Metropolitana. A maioria das submissões foram de coletivos.
“Percebemos após a finalização da curadoria que muitas obras foram feitas por muitas mãos e isso se relaciona com a natureza da nossa associação também", afirma Letícia Bezamat. A Associação Artes Sapas promove e cria trabalhos artísticos e educativos a partir de uma perspectiva transfeminista, antirracista, popular e periférica, conectando arte, território e transformação social. A Fanchecléticas Coletiva, eixo artístico e sociocultural da Associação Artes Sapas, é responsável por projetos feitos por e para pessoas trans e mulheres LGBTQIAPN+, que atuam no teatro, audiovisual, música e literatura.
Programação
Apesar de o início oficial do festival ser na quinta-feira (5/3), no dia anterior (4/3), vai haver a Oficina de Teatro: Presença - Eu estou aqui! com a atriz Denise Lopes Leal para esquentar. A atividade será às 14h30. “A oficina, voltada para pessoas LGBTQIAPN+ é um convite para quem deseja estar por inteiro, sem máscaras impostas, sem pressa de caber. Através do teatro, do corpo em movimento, da voz que vibra e do silêncio que escuta, abrimos um espaço para sentir o agora e ocupar o mundo com verdade”, explica a organização.
Abertura Oficial - quinta-feira (5/3), 18h30 às 21h30
- Sarau Fancheclético - Fanchecléticas Coletiva - "Um show vibrante que dialoga com a tradição do forró nordestino a partir de uma formação composta exclusivamente por mulheres cis e pessoas não-bináries de diferentes gerações. A banda expande o formato clássico do forró ao incorporar o cavaquinho e o violão de 7 cordas à sanfona, zabumba e triângulo";
- Forró Torto - A banda expande o formato clássico do forró ao incorporar o cavaquinho e o violão de 7 cordas à sanfona, zabumba e triângulo. No palco, o grupo transita entre baiões, xotes e galopes, costurando repertório tradicional, releituras criativas e composições autorais;
Sexta-feira (6/3)
- 14h30 às 18h30 - Oficina de DJs - Do Plantio à colheita - coletiva NBAILE. "A oficina compartilha práticas de DJ a partir de uma perspectiva política e sensível, entendendo a discotecagem como ferramenta de expressão, empregabilidade, cuidado e luta (...) e reafirma a existência de corpos trans e não binários na música, celebrando o que foi semeado e abrindo caminhos para novos ciclos de criação e continuidade";
- 19h - En(tupi)r: Jequitinhonha - Grupo NaLama - "Com música ao vivo e elementos da cultura popular, a obra constrói uma dramaturgia em que o protagonismo feminino conduz a colheita da memória, da ancestralidade e da resistência, afirmando a permanência dos corpos e dos territórios frente à exploração";
Sábado (7/3)
- 13h às 15h - Oficina Brincadeiras de Terreiro - Jocasta Roque - "Propõe uma vivência lúdica, afetiva e coletiva inspirada nas tradições afro-mineiras do Congado, integrando canto, dança, ritmo e convivência comunitária";
- 15h - Sarau Avoa Amor - Edição especial: Colheitas de afeto - Coletivo Avoante - "Nesta edição será conduzido pelas integrantes e poetas Thamara Selva e Joi Gonçalves, e propõe um encontro sensível entre leitura poética, escuta coletiva e participação do público. A ação reúne textos autorais e abre espaço para apresentações espontâneas, além de disponibilizar livros poéticos LGBTQIAPN+ para leitura, criando um território de afeto, memória e troca";
- 16h - Lançamento da Editora Artes Sapas com performance literária: Tia Nina Sapatão, de Nádia Fonseca - Contação da história pela autora; O sumiço da cigarra, de Mari Moreira - Contação da história por devore-se
- 17h - Yukáh - "Yukáh, artista experimental de si natural do Vale do Jequitinhonha/MG, celebra sete anos de trajetória com o show YUKÁH . Unindo musicalidade, teatralidade e poesia, onde propõe uma experiência sensorial com influências da MPB, Jazz e Soul Music. Interpretando canções autorais e releituras de clássicos da mpb convida o público a cantar sobre o amor e os sonhos para o futuro"
Domingo (8/3)
- 18h - Exibição de Filmes:
1- Incontáveis maneiras de fazer da vida um palco - Laura Evelyn. "Este documentário brinca com o retrato de incontáveis personas de Cauã Esteves, a partir de uma perspectiva 20cm mais baixa e emoldurada por bilhetes de amor por quem o conhece, antes de tudo, como amigo";
2- Travessia - Gabriela Mendes. "Travessia é uma videodança em que o corpo percorre espaços de passagem da cidade como quem retorna aos rastros que ficaram sob o concreto. A obra propõe uma escuta sensível do espaço público, tensionando a relação entre presença e invisibilidade, entre o lúdico e o colapso cotidiano, para então transformar esses territórios em cena e permanência";
3- Fabulosa Nickary Aycker - Nickary Aycker. "É um documentário em curta metragem que nasce da vivência de uma mulher travesti preta, periférica, ex-detenta, que encontrou no seu trabalho amor e uma nova chance. Artista da cena Drag e Teatral Belo-horizontina, Nickary Aycker é a estrela desse curta e protagonista de sua própria história";
- 19h30 - Espetáculo assuviá pra chamar o vento - Breve Cia. "Alguém assovia ao longe. um ventinho lambe as nossas peles. um papagaio verde coiêta o céu com cor de se pôr. a rabiola dança y reflete como olho de gato. o que avistam mulekes que empinam pipas? as linhas se cruzam: um mandado o outro dá linha. só pra contrariar o cerol corta a pontinha do que tava ali de disfarçado. aba mais reta que o papo que ele ta dando. entre goles para lembrar, passinhos e tóquinhos: papagaios molhados torcem contra o temporal";
Quinta-feira (12/3)
- 18h - Exibição de Filmes:
1- Marlene Silva Dança o mundo - Elaine do Carmo. "Documentário póstumo sobre a bailarina Marlene Silva, precursora da Dança Afro em Minas Gerais. Esta é uma celebração do seu legado. Uma viagem pela história através do acervo da própria bailarina";
2- Cabeça de rua - Angélica Lourenço. "Célia recebe uma proposta para um trabalho fichado em uma loja após trabalhar durante muitos anos como lavadora de carros. Em seu último dia na rua, ela precisa passar seu ponto de trabalho para sua prima, ao mesmo tempo que precisa lidar com sua insegurança em relação ao novo desafio profissional";
3- Metamórfike - Lui Nascimento. "Lolo é um jovem não binário, influenciador e diretor de videoclipes que faz entregas pela cidade enquanto sua carreira não decola. Após receber uma entrega misteriosa, coisas estranhas começam a acontecer. Um sci-fi queer tropykal pelas ruas de Belo Horizonte";
4- Manifesto não binário pela desistência do gênero - Zaíra de Las Palozas. "Gênero é uma invenção humana, uma invenção que já foi repetida tantas vezes e por tantas pessoas ao redor do mundo que foi transformada de verdade inquestionável. Invenção essa que nos violenta e limita todos os dias. Vale a pena ressignificar uma camisa de força para que ela se torne uma camisa leve?"
5- SAPATÃO: uma racha/dura no sistema - Fanchecléticas Coletiva. "Por que estamos tão cansades? Uma entregadora por aplicativo responde em sua última postagem: um desabafo e uma despedida. Um corpo vivo numa sociedade em colapso. Uma corpa que tenciona a cidade, rompe com padrões e cria racha/duras. Sapatão, guarde este dia com carinho!"
- 19h30 - Interioranas. "Interioranas resulta do encontro entre o canto ancestral da cantautora Carmopolitana Luiza da Iola e a escrita poética da Poeta novalimense Nívea Sabino. O show experiencial com duração de 40 minutos, composto por cantopoemas baseados na obra “INTERIORANA”, de Nívea Sabino, diz do ser interior do interior no interior, relata histórias individuais, resgata memórias afetivas, traços da memória ancestral e coletiva."
- 20h30 - Ferinas Session - Ferinas Groove. "Ferinas Sessions nasce enquanto um palco no qual a banda Ferinas Groove recebe outras artistas, negras, periféricas e LGBTQIAPN+ da região metropolitana de Belo Horizonte, com o intuito de fomentar a voz dessas mulheres e pessoas não-binárias (...) O pocket show contará com a apresentação de músicas autorais das integrantes da banda Ferinas Groove, Luar, Lótus e Indi, além do apoio instrumental de três convidadas extremamente talentosas, sendo elas Anna Lages, artista multi percussionista; Lud Cunha, pianista renomada; e Raíssa Uchôa, instrumentalista excepcional."
Sexta-feira (13/3)
- 15h às 19h - Oficina Mergulho Drag Cuir - Eli Nunes. "Experimente a Arte Drag por um viés Cuir e Decolonial. Buscando explorar diferentes corporeidades e energias através da maquiagem e montações, a Oficina Mergulho Drag Cuir convida para reflexões acerca de gênero, apresenta referências na arte Drag Queer e King na América Latina e oferece um espaço seguro de experimentação para o autoconhecimento."
- 19h - Sarau Erótico - Transmutar-se Coletiva. "O Sarau Erótico é um convite a gozar da oralidade ancestral dos corpos dissidentes que o ocupam. Um espaço onde o prazer atravessa a palavra, domina as mentes de forma poética e dilata os sentidos como arte circense, tocando fundo como práticas cênicas ritualísticas. Aqui, o tesão se manifesta em toda e qualquer expressão artística, entrelaçando o sexy ao revolucionário, o corpo à palavra, o desejo à insurgência."
Sábado (14/3)
- 18h - "A terra dá, a terra quer" - Mini Ball - House of Juicy Brasil. "É uma ball que brota do pensamento de Nego Bispo e entende a ballroom como território vivo de troca, cuidado e permanência. Corpos dissidentes semeiam gestos, estéticas e pertencimentos, cultivando a pista como chão fértil de memória e futuro. Com categorias acessíveis, a ball espalha sementes, fortalece vínculos e afirma a colheita como gesto coletivo — porque toda cultura viva precisa ser plantada, cuidada e compartilhada.
Domingo (15/3)
- 18h - Expedição Reversa - Fanchecléticas Coletiva.
- 19h - Atração surpresa.
Ver essa foto no Instagram
SERVIÇO
Festival de Arte Fancha (Fafan)
Data: 5 a 15 de março
Local: Funarte MG (Rua Januária, 68 - Centro, Belo Horizonte)
Entrada gratuita.
Ingressos no Sympla: https://www.sympla.com.br/evento/fafan-festival-de-arte-fancha/3317683
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Inscrições para as oficinas no Instagram @fanchecleticas e no site das Fanchecléticas www.fanchecleticas.com/fafan.