Enólogo da Casa Valduga revela plano de produzir vinhos em Minas Gerais
Eduardo Valduga falou, em passagem por Belo Horizonte, sobre seu desejo de plantas uvas em território mineiro e ajudar na conquista da Denominação de Origem (DO)
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"Nos próximos cinco anos vocês vão provar o meu vinho feito em Minas Gerais", avisa Eduardo Valduga, da quinta geração da vinícola Casa Valduga, que fica no Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul. Em visita a Belo Horizonte, o enólogo revelou detalhes do seu projeto pessoal de plantar uvas em terras mineiras e reforçar a luta pela conquista do primeiro selo de Denominação de Origem (DO) do estado, evidenciando a importância da dupla poda.
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Eduardo conheceu a técnica que mudou a história da viticultura de Minas - e do Brasil - há 10 anos, em uma ida a Poços de Caldas, no Sul do estado, a convite do engenheiro agrônomo Murillo de Albuquerque Regina. Era ele quem fornecia as videiras para a Casa Valduga e queria apresentar os vinhos que estava produzindo de um jeito inovador. Qual era a novidade? Em 2001, Murillo tinha tido a ideia de podar a planta duas vezes para que ela fosse colhida no inverno, quando o clima é seco, com dias ensolarados e noites frias (daí os nomes dupla poda e colheita de inverno).
O enólogo admite que, ao provar os vinhos, imaginou que seriam de algum país europeu, talvez Portugal, e ficou muito surpreso - caíram todos os butiás do bolso, como diria no seu estado - quando soube que eram mineiros. "A dupla poda é uma técnica que entrou para a história da viticultura e dos livros mundiais. Isso já é um fato. Mas antes da técnica que permite construir vinhos extraordinários nós temos que enaltecer a característica do brasileiro de se reinventar e transformar o impossível em possível."
Pelotão brasileiro
Desde então, Eduardo vem amadurecendo a ideia de se juntar aos produtores mineiros, certo de que "fazer vinho de dupla poda é ser brasileiro". "No grupo de infantaria da guerra do mercado mundial do vinho, é como se eu estivesse no meu pelotão, o pelotão brasileiro, só que preciso contribuir para isso, não posso entrar só para ser mais um. E eu gostaria que Minas fosse pioneira para começar a construir denominações e marcas", pontua.
Na sua visão, a técnica já está dominada, por isso os esforços devem se concentrar na construção da DO - passo seguinte à Indicação de Procedência (IP), que existe desde 2025 para os Vinhos de Inverno Sul de Minas. Como vários estados brasileiros, incluindo São Paulo, Goiás e Bahia, fazem vinho de colheita de inverno, o entendimento dele é que cada região deve se diferenciar. O enólogo cita as DOs conquistadas pelo Vale dos Vinhedos e Altos de Pinto Bandeira, ambos no Rio Grande do Sul, nas quais tem participação.
"A dupla poda é uma técnica que une todos os terroirs do Brasil, mas as regiões não fazem uma coisa só. A cultura local, a seleção de clones, o solo e o clima são diferentes. Devemos hoje estruturar uma diferenciação do território e uma marca para que esse projeto de dupla poda não se banalize e não seja tratado como padrão", defende Eduardo, que é piloto de avião e já produziu vinhos em várias partes do mundo. Em 2025, ele foi eleito Enólogo do Ano pelo Guia Descorchados, que avalia produtos e profissionais da área em toda América do Sul.
Ele também espera contribuir para reduzir a carga tributária em Minas, "uma das coisas que mais prejudica o crescimento do mercado mineiro".
Vinho com café
Eduardo ainda está em busca de terras Minas - provavelmente será na Serra da Mantiqueira. Seu desejo nessa área é realizar outro sonho: produzir café. "Um dia estava dentro da empresa, eram umas 10h30 da manhã, pensando: o que nós vamos fazer para crescer? E ninguém estava tomando uma taça de vinho, mas estava todo mundo tomando sua xicrinha de café", conta, justificando sua procura por "um pedaço alto no morro", onde vai ter metade vinho, metade café.
Assim como teve a ideia de produzir cervejas usando métodos de vinificação - o que deu origem à Brewine Leopoldina -, ele quer fazer o mesmo com o café: macerar, fermentar e guardar em barril, como se faz com vinho. "Venho para Minas e não agrego nada? Já está cheio de café aqui, não tem sentido ser mais um", observa, deixando claro que será um produto totalmente novo.
Volta ao mundo
Eduardo Valduga é da quinta geração da família fundadora da vinícola Casa Valduga, que tem 151 anos de história no Vale dos Vinhedos (RS). Ele começou cedo a se envolver com o negócio ("sou apaixonado pelo trabalho do campo") e, como sonhava em entrar para as Forças Aéreas, se formou para ser piloto. Só que "o trabalho familiar pediu mais apoio do que a possibilidade de seguir minha carreira". Por isso, acabou estudando para ser enólogo.
Unindo duas paixões, pilotar e fazer vinhos, ele já rodou várias partes do mundo, como Chile, Argentina, Uruguai, Portugal, Espanha, Itália e França, criando rótulos. É o que se chama de "flying winemaker". Agora esse projeto tem um novo desdobramento. "Em vez de fazer vinho nas regiões, decidi fazer minha marca própria no mundo inteiro. Aí lancei a linha Mundvs. Vou dar a volta no planeta voando e parar nas 12 principais regiões, apresentando as características de cada uma delas e com certeza promovendo o Brasil." O primeiro exemplar é do Chile e já está disponível para venda.
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