Momix traz ao Brasil o espetáculo "Botanica"
Grupo de dança norte-americano desembarca em Belo Horizonte no próximo dia 30/9, com a montagem inspirada nas formas da floresta, que terá sessão única
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Aos 77 anos, o coreógrafo norte-americano Moses Pendleton tem uma regra. Se não dá para ir a pé, não vale a pena. Há muito deixou de acompanhar o Momix, companhia de dança que fundou há 45 anos, em suas turnês pelo mundo. Mais uma vez, vai assistir, de longe, a uma temporada do grupo pelo Brasil.
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Nesta terça-feira (22/9), o Momix dá início, a partir do Rio de Janeiro, à sua nova turnê. Belo Horizonte é a segunda das cinco cidades que recebem “Botanica” – a apresentação, com ingressos esgotados, será no próximo dia 30, no Teatro Sesiminas.
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Foi também no próprio quintal, na verdade, o jardim da fazenda onde vive, no interior de Connecticut, que ele encontrou a inspiração para a fantástica viagem pela natureza que o grupo apresenta nessa montagem. Criado em 2009, “Botanica” ganhou neste ano uma versão atualizada.
“Ele era um bebê naquela época e agora já consegue andar. Então, está mais ousado. O que fizemos foi aprimorar aspectos técnicos. Reformulamos algumas partes em benefício da coreografia e acrescentamos elementos visuais. São muitas imagens para torná-lo mais colorido”, explica Pendleton.
“Botanica” reúne quadros que apresentam diferentes espécies de plantas e animais. “Muitos dos adjetivos que você usaria ao entrar em um jardim botânico misterioso descreveriam bem o Momix. O espetáculo não conta exatamente uma história. É mais uma série de impressões e sentimentos inspirados pela natureza. Flores, árvores, pássaros, água corrente, neve fria, deserto quente. De certa forma, a natureza tem sido a minha melhor coreógrafa. Tentamos mostrar fragmentos disso de uma maneira divertida e poética”, afirma Pendleton.
ILUSÃO
Os elementos que marcam a trajetória do Momix – a plasticidade da dança levada ao máximo grau por meio de atletismo, teatro de sombras e circo – são facilmente reconhecíveis nos números de “Botanica”. A ideia, desde sempre, é que o público embarque na ilusão.
“É tecnicamente desafiador o que a bailarina faz ao apresentar um giro milagroso com uma saia de contas (um dos números de “Botanica”). Por outro lado, há muitas coisas que podem parecer fáceis, mas não são. Você tem que se deixar envolver pelas imagens. Daí, talvez se esqueça da técnica e comece a entrar na poesia. Só que, para alcançá-la, é preciso muita disciplina”, afirma o coreógrafo.
O método de criação de Pendleton começa pela imagem. “Adoto uma abordagem meio visual para a coreografia. Crio a imagem primeiro, como um escultor ou pintor. Se eu quiser, por exemplo, criar uma coreografia sobre calêndulas, antes de tudo, eu tenho que tentar descobrir como criá-la. Depois ver como ela se move pelo tempo e pelo espaço. Assim, o bailarino se transforma na flor.”
A imagem é tão importante para Pendleton que, paralelamente à carreira como coreógrafo, ele se dedicada à fotografia. A cenografia de “Botanica” reúne dezenas de fotos dele. “Fico feliz de vê-las como pano de fundo do show. Fotografar é minha paixão, mas confio no acaso e deixo a natureza fazer o resto”, diz ele, que está preparando uma exposição para uma galeria em Roma.
INSPIRAÇÃO
“Gosto da experiência de trabalhar sozinho. É muito bom ir para a floresta e ficar em silêncio esperando a inspiração. Tenho trabalhado com vários tipos de materiais orgânicos que cultivo, de girassóis a repolhos.” O terceiro andar de sua casa virou uma espécie de ateliê de plantas secas. “Tenho usado a natureza, o tempo e o clima – o frio e a luz do Sol – para transformar a forma de um repolho. Ele começa a secar e muda de forma”, comenta.
O amor de Pendleton pela natureza alimentou sua imaginação durante toda a sua vida. O coreógrafo foi criado em uma fazenda leiteira no Norte de Vermont. “Minhas primeiras experiências de apresentação foram exibindo vacas em feiras agrícolas locais. Eu era um menino de 8 anos”, conta.
Sempre muito ligado aos esportes, na escola se tornou campeão de esqui. Alguns anos depois, quando treinava para competir pela Universidade de Dartmouth, sofreu uma fratura. Como parte de sua recuperação para retornar à equipe, começou a fazer aulas de dança. E sua carreira tomou outro rumo.
O Pilobolus Dance Theatre nasceu em 1971 dentro da Dartmouth – o nome foi inspirado em um fundo que se transfigura à luz do dia. Pendleton ficou quase uma década no grupo que cofundou. Saiu e criou o Momix. Enquanto a primeira companhia faz do corpo humano o principal gerador de efeitos dos seus espetáculos, a segunda traz também artifícios técnicos externos.
“Momix é o nome de um suplemento de leite que se dá aos bezerros para que eles cresçam mais forte. Ou seja, tenho vivido com o Momix a minha vida toda, desde a infância na fazenda”, conclui Pendleton.
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MOMIX
Com o espetáculo “Botanica”. Apresentação em 30/9, às 20h30, no Teatro Sesiminas, Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia. Ingressos esgotados.