LIVRO

Djamila Ribeiro vem a BH lançar a edição ampliada de 'Lugar de fala'

Novos capítulos abordam imprensa, influenciadores, mulheres trans e feminicídio, entre outros temas. Nesta segunda, autora participa do Sempre um Papo

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A filósofa e escritora Djamila Ribeiro é a convidada do encontro que marca o início das comemorações dos 40 anos do projeto Sempre um Papo, nesta segunda-feira (13/7), às 19h, no Auditório do Tribunal de Contas do Estado. Ela vai lançar a edição ampliada de seu livro de estreia “Lugar de fala” (2017), que ganhou quatro capítulos inéditos, apresentação da artista e filósofa portuguesa Grada Kilomba e prefácio da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.

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Referência no debate sobre representatividade, racismo e democracia no Brasil, o livro discute como a posição social influencia não apenas o que é dito pelo sujeito que a ocupa, mas como esta voz é legitimada ou silenciada nas estruturas sociais.

Necessidade

Djamila explica que revisitar “Lugar de fala” (Rosa dos Tempos) foi necessidade imposta pelas mudanças ocorridas ao longo da última década, além de uma forma de recolocar no eixo o conceito que o livro trabalha.

Um dos novos capítulos aborda as empresas de marketing de influência. “Surgiram muitos grupos e influenciadores autônomos se passando por especialistas, que esvaziaram o debate, simplificaram o conceito ao longo dos últimos anos. O livro é um ensaio filosófico que acabou se tornando best-seller. Tem o lado positivo disso, de não ficar restrito ao círculo acadêmico, mas tem o outro lado, da diluição das ideias. Com a popularização do conceito, vieram as simplificações”, pontua.

A nova edição não é mera revisão, mas “ampliação substancial”, segundo ela, para responder a questões que emergiram com o passar do tempo. Outro capítulo inédito trata do jornalismo contra-hegemônico, mostrando, a partir de ideias do professor Osmar Teixeira Gaspar, como a mídia, de modo geral, ainda é monopólio que escamoteia vozes dissonantes.

“Trago temas que surgiram mais fortemente nos últimos 10 anos, como o debate caloroso em relação às mulheres trans, dialogando com teóricas feministas. Na primeira parte do livro, mantenho a escritura original, mas faço alterações e alguns adendos, falando sobre feminicídio e trazendo referências bibliográficas de pensadoras argentinas e mexicanas”, explica.

As alterações decorrem da experiência de Djamila de dar aula fora do Brasil e de suas conversas com teóricas de outros países. “No Brasil, não há muita recepção de obras de autoras argentinas, mexicanas ou indianas. Só fui ter contato com essa produção lecionando nos Estados Unidos e viajando para a África. Isso abriu minha mente para meu próprio repertório, que se expandiu”, ressalta.

Contar com Grada e Chimamanda é fruto de sua inserção no círculo internacional. A nigeriana já havia assinado o prefácio da edição inglesa de “Lugar de fala”, publicada em 2024.

Djamila acredita que houve avanços no que diz respeito à questão racial e à representatividade no Brasil. Cita a ampliação do espaço para autores negros no mercado editorial e a coleção “Feminismos plurais”, coordenada por ela. “Foram publicados, depois de 'Lugar de fala', mais 14 títulos”, diz, destacando também o selo Sueli Carneiro, da editora Jandaia.

“Até 2014, 90% dos livros publicados eram escritos por pessoas brancas, sendo 70% homens. A coleção 'Feminismos plurais', iniciada em 2017, alavancou um movimento que já existia com os 'Cadernos negros' e com a Mazza Edições. Publicamos livros que contribuíram para transformar injúria racial em crime de racismo. Teve avanço nos debates públicos e no currículo, isso é inegável.”.


Retrocesso

Ela observa, no entanto, que também houve reação e retrocesso. “Gilberto Gil fala que o mundo melhora e piora ao mesmo tempo. Essa abertura causou incômodo. Parte do mercado editorial fechou as portas para determinados debates, como se o assunto estivesse esgotado”, comenta.

Mas Djamila comemora que a nova produção esteja tanto na formação de base quanto no ensino superior, incluída em currículos de variados cursos. “Na minha formação em filosofia, não me foi apresentado nenhum autor negro. Não existia filosofia africana, ela estava no gueto”, destaca.

DJAMILA RIBEIRO
Lançamento da nova edição de “Lugar de fala” (Rosa dos Ventos), no projeto Sempre um Papo. Nesta segunda-feira (13/7), às 19h, no Auditório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (Av. Raja Gabaglia, 1.315, Luxemburgo). Entrada franca, por ordem de chegada.

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PRÓXIMOS PASSOS

A coleção “Feminismos plurais” e o selo Sueli Carneiro estão a todo vapor, diz Djamila Ribeiro. “Temos autoras publicadas em outras línguas, como na Itália e na França. Acabamos de fechar parceria com editora francesa para outras obras. Isso me deixa muito feliz.” Recentemente, “Feminismos plurais”, projeto independente que a editora Letramento abrigou, migrou para a Record. “Teremos títulos novos sobre saúde mental, transmasculinidades e direitos sexuais e reprodutivos. Eu trabalho agora no livro 'Pensamento red pill', nome do curso on-line que ministrei em escolas e instituições, com lançamento no final de outubro ou começo de novembro”, destaca.

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