MÚSICA

Filarmônica apresenta ópera sem luxo e pompa na Sala Minas Gerais

'O segredo de Susanna' e 'O telefone' fazem parte do programa de hoje e sexta-feira (16 e 17/4), na 'semiencenação' dirigida por Jorge Takla

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Divertimento sem culpa. É dessa maneira que o diretor Jorge Takla define o programa que a Orquestra Filarmônica apresenta hoje (16/4) e amanhã (17/4), na Sala Minas Gerais. Ele assina a direção de cena das óperas italianas “O segredo de Susanna” (1909), de Ermanno Wolf-Ferrari, e “O telefone” (1947), de Gian Carlo Menotti.

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“É sobre o universo feminino, onde a gente vê as relações entre os casais e a libertação da mulher. Na primeira peça, ela é mais submissa, tímida. Na segunda, empoderada”, comenta Takla, que trabalha pela segunda vez com a Filarmônica.

Anteriormente, Takla fez a direção de cena de “Cartas portuguesas”, de João Guilherme Ripper. Como a encenação foi realizada em junho de 2021, em plena pandemia, a apresentação ocorreu sem plateia, apenas com transmissão on-line.

Desta vez, obviamente, será comme il faut. “É uma semiencenação, pois teremos a orquestra no palco”, explica. Concerto encenado em uma sala é diferente de uma ópera no palco italiano. “Mas, na realidade, não falta nada, pois temos cenários e figurinos, além de dois cantores maravilhosos”, diz Takla, se referindo à soprano Raquel Paulin e ao barítono Licio Bruno.

Diretor Jorge Takla, ator Chico Pelucio, soprano Raquel Paulin, maestro Fabio Mechetti e barítono Licio Bruno estão lado a lado, olhando para a câmera, na Sala Minas Gerais, em BH
Jorge Takla dirige o espetáculo que reúne o ator Chico Pelúcio, a soprano Raquel Paulin, o maestro da Filarmônica de Minas Gerais, Fabio Mechetti, e o barítono Licio Bruno Vinicius Correia/Divulgação

Regente do concerto, o maestro Fabio Mechetti afirma que sempre escolhe óperas que “possam sobreviver” (na Sala Minas Gerais), sem toda a encenação que o gênero demanda.

“A ideia é apreciar a ópera como gênero. Com exceção de ‘Butterfly’ no ano retrasado, que foi um pouco arrojada nesse aspecto, sempre tento escolher obras que não exigem tanto de cenário, figurino e iluminação. Tampouco são óperas datadas. ‘Aida’, por exemplo, não pode ser feita sem o Egito da época.”

Mechetti escolheu “O segredo de Susanna” porque em 2026 se completam os 150 anos de nascimento do compositor veneziano Ermanno Wolf-Ferrari. “É, talvez, a ópera mais famosa dele. Tem menos de uma hora, e como só utiliza dois cantores, escolhemos ‘O telefone’, porque é também curta e utiliza as mesmas vozes, soprano e barítono.”

Ator em cena

Além dos solistas, orquestra e maestro, a apresentação terá outra presença. Chico Pelúcio, ator e diretor do Grupo Galpão, participa de “O segredo de Susanna”.

“Ele faz o mordomo que não abre a boca, mas é um personagem que traz comicidade muito grande. Fica muito rica a mistura de ópera, teatro e concerto, sem grandes filosofias ou recado ideológico”, acrescenta Takla.

O Grupo Galpão tem relação próxima com a Filarmônica. Em 2019, Pelúcio fez a direção de atores da apresentação de “Romeu e Julieta” que a orquestra apresentou na abertura do programa Fora de Série daquele ano.

Lançada em alemão em 1909, no Hoftheater de Munique, e em italiano, dois anos mais tarde, na Metropolitan Opera, em Nova York, “O segredo de Susanna” é ambientada no começo do século 20. O Conde Gil questiona a mulher, a Condessa Susanna, a respeito do cheiro de cigarro por todo lado, inclusive nas roupas dela. Tem certeza de que ela arrumou um amante e tenta, a todo custo, flagrá-la.

Já “O telefone” foi composta por Menotti para abrir as récitas de “O médium”. Essa última foi o primeiro trabalho internacional do compositor – apenas em 1947, foi apresentada 212 vezes na Broadway. Pioneiro em escrever óperas para rádio e televisão, Menotti criou, de maneira geral, obras de fácil assimilação.

“O telefone” acompanha Ben e Lucy. Apaixonado, ele tenta pedi-la em casamento, mas é interrompido sem parar por chamadas telefônicas. Para realizar seu intento, Ben adota engenhosa atitude.

ORQUESTRA FILARMÔNICA DE MINAS GERAIS

Concertos nesta quinta (16/4) e sexta-feira (17/4), às 20h30, na Sala Minas Gerais (Rua Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto). Inteira: de R$ 50 (mezanino) a R$ 207 (camarote), com meia-entrada na forma da lei, à venda no site filarmonica.art.br e na bilheteria

OUTRA ATRAÇÃO

• CORAL NO MUSEU

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O Coral Lírico de Minas Gerais se apresenta hoje (16/4), às 19h, no Museu Inimá de Paula (Rua da Bahia, 1.201, Centro). Sob regência de Lucas Viana e com acompanhamento do pianista Fred Natalino, o programa reúne peças do repertório sacro europeu nos períodos barroco e romântico. Serão executadas composições de Bach, Mendelssohn e Rheinberger. Entrada franca.

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