Jon Hamm está de volta na segunda temporada de 'Seus amigos e vizinhos'
Novos episódios da série estreiam nesta sexta-feira (3/4), na Apple TV. Desta vez, Coop, ex-rico que rouba dos milionários, vai se deparar com o envelhecimento
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“O problema de roubar dos seus amigos é que, eventualmente, você terá que jantar com eles.” Pessoas (muito) ricas se comportando (muito) mal estão por toda parte. Além do ótimo elenco, com Jon Hamm à frente, e de diálogos impagáveis, o sucesso da série “Seus amigos e vizinhos” reside na fácil identificação. Podemos não ter os milhões dos personagens, mas conhecemos histórias de quem os têm – ou teve, essas são as melhores.
Com estreia nesta sexta-feira (3/4), na Apple TV, a segunda temporada da trama sobre os endinheirados do fictício subúrbio nova-iorquino de Westmont Village traz como novidade um outsider. Com muitos milhões a mais do que os vizinhos, Owen Ashe (James Marsden) faz uma entrada triunfal na sua recém-comprada casa de US$ 20 milhões.
Debacle
Uma festa de arromba apresenta esse Gatsby contemporâneo. E nosso anti-herói favorito, Andrew Cooper (Jon Hamm), logo cai em desgraça com ele. Nos novos episódios, ele continua na mesma toada, roubando objetos de valor de quem tem demais e não sabe tudo o que tem.
Só que o buraco que cava para si mesmo será maior. Em dado momento, Coop vai se confrontar com o próprio envelhecimento. “Coop tem mantido muitos pratos girando ao mesmo tempo. O drama inerente a isso é quando eles começarem a desmoronar”, afirma Hamm ao Estado de Minas.
Dez anos após o fim de “Mad Men” (2007-2015), na qual viveu Don Draper, também adorável em suas imperfeições, Hamm assumiu seu primeiro protagonista em série. “Ambos (Coop e Draper) têm consciência de que, por baixo da fachada que construíram, a vida não é tão perfeita assim”, afirma.
Hamm é protagonista, produtor-executivo e razão de ser da série. “Eu nem tinha escrito o roteiro até conversar com ele”, assume Jonathan Tropper, criador de “Seus amigos e vizinhos”. “Contei a ideia para o Jon para ver se ele estava interessado. Quando percebi que estava, escrevi o piloto. Quando mostrei o roteiro à Apple, disse: ‘Este é o Jon Hamm’. Foi uma boa estratégia.”
Produtor-executivo
O ator se viu convencido pelo texto. “A escrita era linda. Quando Jonathan escreveu o piloto, ficou muito claro que seria uma série envolvente. E eu, tendo a oportunidade de ser produtor-executivo, poderia orientar um pouco a escolha do elenco”, afirma Hamm, que sugeriu as parceiras de cena Amanda Peet (Mel, ex-mulher de Coop, às voltas com a menopausa) e Olivia Munn (Sam, ex-amante de Coop, que começa a nova temporada como pária).
O segundo ano começa com o terceiro confirmado. “Sabemos que agora é maratona, não mais uma corrida de curta distância”, comenta Tropper, que afirma ter fôlego para mais. “Sei onde a série termina, mas não sei tudo o que acontece no meio. E sinto que ele pode ser expandido. Enquanto estivermos descobrindo novas maneiras de contar nossas histórias, podemos continuar por quatro, talvez cinco temporadas.”
O gênero da riqueza
A vida dos muito ricos, para Hamm, virou “um gênero à parte, com ‘The White Lotus’, ‘Succession’, ‘Industry’. Deve ser alguma coisa na água, ou, pelo menos, algo que torna muito interessante ver pessoas que aparentemente têm tudo tomando decisões terríveis.”
Para Tropper, mais que o mundo dos endinheirados sem caráter, “Seus amigos e vizinhos” fala sobre o que vem quando percebemos que estamos na metade da vida.
“O cenário da riqueza é apenas um cenário. Escrever sobre esse período da vida traz riscos maiores. Nessa idade, quando você sabe que não pode voltar atrás, lidamos com as cicatrizes físicas e psicológicas do envelhecimento. Encaramos nossa própria mortalidade e tentamos descobrir como viver com a sensação de paz e realização”, diz Tropper.
Para ele, não é o dinheiro que corrompe os personagens. “O que corrompe as pessoas são suas próprias ambições e os limites que elas enfrentam para alcançar seus objetivos. É uma vida inteira perseguindo isso, só para perceber que não são mais felizes do que eram antes de ter dinheiro”, acrescenta Tropper.
O sucesso de Hamm veio com “Mad Men”. Desde então, o ator, de 55 anos, tem feito muito mais séries do que filmes.
“Na verdade, não se fazem tantos filmes hoje em dia. E os filmes são estrelados por poucas pessoas, geralmente baseados em alguma propriedade intelectual existente, uma história em quadrinhos, uma atração de parque temático. A ideia de narrativa original foi abandonada pelos filmes e transferida para o mundo da televisão episódica. O que, para mim, está ótimo”, afirma.
Longe das redes
No final de 2025, “Turn the lights off”, do DJ dinamarquês Kato, viralizou graças à cena de Jon Hamm numa boate. Era seu personagem na primeira temporada de “Seus amigos e vizinhos”. O meme foi tamanho que a faixa alcançou o topo da parada viral do Spotify. Só que a música havia sido lançada 15 anos antes.
No Super Bowl deste ano, explodiram as imagens de Hamm dançando ao som de Bad Bunny. Ou seja, as redes sociais amam o ator. Ele quer distância. “A fama não me incomoda. As redes sociais, sim, são um veneno. Tive muita sorte de ter minha explosão de fama com ‘Mad Men’, bem antes do surgimento das redes. Fico feliz por não ter que participar delas. Espero que em algum momento a gente esqueça que isso existe e volte à mídia tradicional, conversando uns com os outros”, diz o ator.
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“SEUS AMIGOS E VIZINHOS”
A segunda temporada, com 10 episódios, estreia nesta sexta-feira (3/4), na Apple TV. Novos episódios às sextas-feiras.STR