Mônica Salmaso, '100% feliz', faz concerto com a Filarmônica de Minas
Milton Nascimento e Villa-Lobos estão no repertório das apresentações marcadas para 30 de abril e 1º de maio, na Sala Minas Gerais
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Trinta anos atrás, Mônica Salmaso se lembra bem, a sensação era de puro apavoramento. Uma cantora popular se apresentar com uma orquestra? “Achei que nunca faria isso na vida”, conta ela, a respeito da proposta de Nelson Ayres. Então à frente da Orquestra Jazz Sinfônica, ele a convidou para participar da montagem “O grande circo místico”.
Estreante, com um único álbum (“Afro-sambas”, de 1995), Mônica foi em frente. “Aproveita, pensei. Talvez nunca mais aconteça”, relembra. Aconteceu algumas vezes, e vai acontecer de novo. “Mas agora é inteiramente novo, vou estrear todos os arranjos”, revela a cantora, convidada da Filarmônica mineira para o especial “Minas de todos os sons”.
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Sob a regência de José Soares, os dois concertos, em 30 de abril e 1º de maio, na Sala Minas Gerais, vão se debruçar sobre o repertório de Milton Nascimento e parceiros. Os ingressos já estão à venda.
Serão executadas 14 músicas, algumas em versão instrumental. “Travessia” (com arranjo de Rodrigo Bustamante, violinista da Filarmônica) e “Para Lennon e McCartney” (arranjada por Marlon Humphreys-Lima, primeiro trompete da orquestra) entre elas.
Dez outras serão cantadas por Mônica. Os arranjos foram criados especialmente para ela pelo próprio Ayres, Rodrigo Morte e Tiago Costa, pianista da banda da cantora.
O repertório inclui “Bachianas brasileiras nº 4: Ária (Cantiga)”, de Villa-Lobos. A peça tem relação com Milton. O cantor gravou no álbum “Sentinela” (1980) a faixa “Caicó”, versão de Teca Calazans para a música de Villa-Lobos.
Até então, a Filarmônica só realizou dois concertos de música popular na Sala Minas Gerais. No final de 2022, apresentou-se ao lado de Lô Borges e banda no projeto que celebrou os 70 anos do compositor mineiro. Em dezembro do ano seguinte foi a vez de “Jobim sinfônico” ao lado do neto do maestro, o pianista Daniel Jobim, e dos convidados Zé Ibarra, Mário Adnet, Rafael Martini e Trio Amaranto.
“O programa surge como possibilidade de mostrar, ainda mais, quão diverso é nosso trabalho. É um espetáculo fundamentalmente de orquestra, e a Mônica é uma cantora que navega nesse universo de maneira muito fluida”, comenta Soares, que não descarta outros concertos especiais ao longo de 2026. “Temos outras surpresas na agenda.”
Mônica gravou dois álbuns com a Osesp – o primeiro, de 2007, com a Banda Mantiqueira e regência de John Neschling; o segundo, do ano seguinte, “Concerto antropofágico”, com o mesmo maestro e a participação do grupo Pau Brasil.
Intimidade com Bituca
Ela tem muita intimidade com o repertório de Milton Nascimento, a quem dedicou o disco “Milton” (2022), gravado com o pianista e arranjador André Mehmari.
A cantora chega a Belo Horizonte em 27 de abril para realizar dois ensaios com a orquestra. “Tem de acontecer um diálogo fino entre solista e maestro para que orquestra e voz somem”, comenta Mônica. Em casa, em São Paulo, ela vem estudando já há algum tempo.
“(Os arranjadores) Me passaram as partituras e o áudio do computador com os arranjos. Fico entendendo qual é a forma da voz, pois uma orquestra é como se fosse um navio muito grande. É muito diferente de cantar com um quarteto. Na orquestra, não dá para combinar na hora, e isso deixa a gente com muita responsabilidade. Por outro lado, tem um lado muito confortável, pois todos os sons estão juntos com a voz. Não tem a sensação de estar sozinha, como numa formação pequena. Ver a sua voz somada a uma orquestra inteira é muito especial”, afirma.
Honra
Mônica se diz “honrada, ansiosa e curiosa” com o convite. “Vai chegar aí uma cantora 100% feliz”, afirma ela, que não conhece a Sala Minas Gerais.
“Tenho ligação muito forte com Belo Horizonte desde sempre. Já disse: é a única cidade que conheço com grupos de teatro, de dança, de teatro de bonecos e de música que duram mais de 30 anos”, comenta, referindo-se ao Galpão, Corpo, Giramundo e Uakti. “Acho que isso tem a ver com Minas Gerais e o tempo das coisas”, conclui.
“MINAS DE TODOS OS SONS”
Concerto da Filarmônica de Minas Gerais sob a regência de José Soares. Participação de Mônica Salmaso. Dias 30/4 e 1º/5, às 20h30, na Sala Minas Gerais (Rua Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto). Inteira: de R$ 50 (mezanino) a R$ 207 (camarote). À venda no site filarmonica.art.br e na bilheteria da sala.
REPERTÓRIO
“Milagre dos peixes”
De Milton Nascimento*
“A lua girou”
De Milton Nascimento**
“Noites do sertão”
De Milton Nascimento e Tavinho Moura*
“Casamiento de negros”
De Violeta Parra**
“Volver a los 17”
De Violeta Parra**
“Bachianas brasileiras nº 4: Ária (Cantiga)”
De Villa-Lobos
“A terceira margem do rio”
De Milton Nascimento e Caetano Veloso*
“Cais”
De Milton Nascimento e Ronaldo Bastos*
“Travessia”
De Milton Nascimento e Fernando Brant***
“Para Lennon e McCartney”
De Fernando Brant, Lô e Márcio Borges****
“Credo”
De Milton Nascimento e Fernando Brant*****
“Paula e Bebeto”
De Milton Nascimento e Caetano Veloso*
“Maria Solidária”
De Milton Nascimento e Fernando Brant*
“Maria Maria”
De Milton Nascimento e Fernando Brant*****
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* Arranjos de Nelson Ayres
** Arranjos de Rodrigo Morte
*** Arranjos de Rodrigo Bustamante
**** Arranjos de Marlon Humphreys-Lima
***** Arranjos de Tiago Costa