Crítica social dá o tom à quarta temporada de 'Bridgerton'
Segunda parte da quarta leva de episódios destaca a invisibilidade imposta à classe trabalhadora pela aristocrática sociedade londrina no século 19
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Na quarta temporada de “Bridgerton”, os roteiristas não perderam tempo, já que os novos episódios começam imediatamente após os acontecimentos da primeira parte. Se no início pouco aconteceu, na segunda parte todo o atraso foi deixado para trás.
Assim como Sophie Baek (Yerin Ha), o público ficou chocado com o pedido de Benedict Bridgerton (Luke Thompson) que encerrou a primeira parte. Coerente com sua posição na alta sociedade e, ainda assim, perdido nos sentimentos pela criada e filha bastarda, ele propõe à moça que se torne sua amante. Na cabeça do aristocrata, é a única maneira de ficar ao lado da “Cinderela”, mesmo que não seja a ideal.
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Os novos episódios reforçam as críticas à sociedade elitista, considerando especialmente a dinâmica entre criados e nobres. A invisibilidade e a falta de importância dos trabalhadores ganham destaque.
A presença de Sophie na casa dos Bridgerton leva a matriarca Violet a questionar a história de vida da garota. Afinal, é uma criada que fala diversas línguas, ligada a livros e à história, tem boas maneiras. É como se fosse “muito inteligente” para ser “apenas” uma trabalhadora naquela Londres do século 19.
Reforçando a invisibilidade imposta à classe trabalhadora, Hyacinth Bridgerton, a caçula do clã que ainda não debutou, é levada a um baile disfarçada de criada, porque ninguém vai notá-la.
A ideia de fantasiar a garota veio da própria Sophie, consciente do “apagamento” de serviçais como ela.
Apesar de todas as adversidades, o amor de Sophie e Benedict só faz aumentar. Eles não conseguem conviver no mesmo ambiente sem que olhares e movimentos os denunciem. O desejo é tanto que o aristocrata, “segundo irmão” do clã, cogita abrir mão da vida em sociedade para morar no interior ao lado de Sophie, afastados de olhares e julgamentos.
Em meio ao drama do casal protagonista, a casa Bridgerton enfrenta o luto. Francesca (Hannah Dodd) agora é viúva. Tem de enfrentar regras cruéis para as mulheres, mesmo aristocratas, forçada a se submeter a exames invasivos para a investigação da existência de um “possível herdeiro”.
A cena é intensa, destacando a força feminina em momentos difíceis. Além de sofrer pela morte do marido, a dor de Francesca se multiplica ao sentir que “falhou” como esposa, por não ter filhos.
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Um dos maiores destaques da temporada é Penelope Bridgerton, que se aposenta da coluna Lady Whistledown, pasquim cheio de comentários inteligentes e mordazes sobre a corte e a sociedade londrina. A rainha Charlotte (Golda Rosheuvel) insiste nas fofocas, enquanto Penelope deseja escrever sobre questões relevantes.
Para os desavisados, um alerta: aguardem os créditos finais para acompanhar o final feliz de Sophie e Benedict.
Sobre a quinta temporada, já confirmada, falta anunciar qual dos Bridgerton será protagonista. Eloise, Francesca, Hyacinth ou Gregory?
“BRIDGERTON”
• Quarta temporada, com oito episódios disponíveis na Netflix.
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* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria