‘Tom menor’ apresenta a obra de Jobim para crianças, com atmosfera teatral
Mariana Arruda, a palhaça Begônia, faz única sessão neste domingo (1/2), em BH, do solo em que intercala canções do Maestro Soberano com dramaturgia de circo
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A atriz e palhaça Mariana Arruda, integrante do grupo Maria Cutia, apresenta, neste domingo (1º/2), no Centro Cultural Unimed-BH Minas, o espetáculo “Tom menor”, dentro da programação da 51ª Campanha de Popularização Teatro e Dança de Belo Horizonte.
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Unindo música e palhaçaria, ela convida crianças e adultos a redescobrir o universo poético, sofisticado e profundamente brasileiro da obra de Tom Jobim.
Na pele da palhaça Begônia, Mariana intercala a interpretação de músicas como “Águas de março”, “Eu sei que vou te amar”, “Desafinado”, “Samba de uma nota só” e “Corcovado” com brincadeiras com o público, improvisos e pequenas surpresas.
A dramaturgia é construída através de ligações imaginárias que ela recebe, em um orelhão, de grandes intérpretes que ajudaram a eternizar a obra do compositor, como Elis Regina, Nara Leão, Gal Costa, Miúcha, Elizeth Cardoso e Maysa.
“Escutei muito Tom pelas vozes das mulheres, então quis brincar com isso nesse espetáculo. Essas cantoras ligam e pedem músicas para a Begônia”, diz, pontuando que “Águas de março” foi a primeira música que cantou do Maestro Soberano, ainda no colégio, em Montes Claros, onde foi criada.
“Ele é das maiores influências musicais que tenho, escutei muito desde a infância, então quis resgatar, com 'Tom menor', meu encontro de menina com essas músicas”, explica.
Chico Buarque
“Tom menor”, que estreou no ano passado e ganha agora sua segunda apresentação, sucede outros dois espetáculos concebidos por Mariana que também promovem o cruzamento da música com a palhaçaria, ambos sobre a obra de Chico Buarque – “Francisco”, de 2015, voltado para o público adulto, e “ParaChicos”, de 2017, pensado para crianças. Ela observa que, tanto no caso de Tom quanto de Chico, as letras não necessariamente se ajustam, do ponto de vista dramatúrgico, ao público infantil.
“Escolhi músicas que, de qualquer forma, têm uma atmosfera lírica, onírica, com letras que falam de amor, de maneira que é um espetáculo que se dirige a todas as idades”, destaca.
Ela considera que produções voltadas estritamente para crianças podem ser desinteressantes para os pais, que, afinal, têm que estar presentes. “Tenho uma filha de 6 anos, então, como artista e como mãe, gosto de pensar em obras que se pode assistir com os filhos e que são capazes de tocar todo mundo.”
Mariana pondera que, para muitas crianças, a obra de Tom ainda é desconhecida inédita. “Fico muito honrada com as pessoas que levam os filhos para ouvir Tom pela primeira vez na minha voz”, diz.
Além dos entreatos, o elemento teatral também está presente na execução das músicas. “Não apenas canto, eu interpreto. Tem um momento, por exemplo, em que faço um pot-pourri que é um debate entre os olhos e o coração, e aí entram 'Insensatez', 'Esse seu olhar', 'Falando de amor', 'Discussão' e 'Brigas nunca mais'. Em 'Águas de março', chove confete. As canções estão ali, mas sempre coloridas de teatro”, conta.
Ela também trabalha com paródias, como a que faz para “Carta ao Tom 74”, recriada como “Carta a Begônia 25”. “É um show de música e de teatro. Não consigo desassociar as duas linguagens. No Maria Cutia, temos uma grande fonte de pesquisa nesse sentido, partindo do teatro para chegar à música. Em 'Tom menor', parto da música para chegar ao teatro. Quando Elza Soares liga pedindo 'Só danço samba', Begônia dança tudo – axé, jazz, valsa, até chegar no samba”, exemplifica.
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“TOM MENOR”
Espetáculo com Mariana Arruda, a palhaça Begônia, neste domingo (1º/2), às 17h, no teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes), na programação da Campanha de Popularização Teatro e Dança. Ingressos a R$ 25, nos postos, site e aplicativo do Sinparc.