Globo de Ouro 2026: especialistas analisam as chances do Brasil na premiação
Cineasta Fernanda Schein comenta o cenário competitivo e os principais concorrentes de 'O Agente Secreto'
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A 83ª edição do Globo de Ouro acontece neste domingo (11), em Beverly Hills, e o Brasil volta a figurar com destaque na corrida por uma das principais premiações do cinema mundial. O país chega embalado por um momento histórico vivido no ano passado, quando Fernanda Torres conquistou o prêmio de Melhor Atriz em Filme de Drama por Ainda Estou Aqui, tornando-se a primeira brasileira a vencer uma categoria de atuação no evento.
Em 2026, a aposta brasileira é o longa "O Agente Secreto", dirigido por Kleber Mendonça Filho, que concorre em três categorias importantes: "Melhor Filme de Drama", "Melhor Filme em Língua Não Inglesa" e "Melhor Ator em Drama", com Wagner Moura. Para a cineasta Fernanda Schein, brasileira radicada em Los Angeles e atenta aos bastidores da temporada de premiações, o cenário é promissor, mas exige cautela.
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Segundo Schein, a presença do filme entre os indicados a Melhor Filme de Drama é um feito relevante e sustentado por resultados recentes. "O Agente Secreto chega fortalecido, especialmente após a vitória no Critics Choice Awards de Melhor Filme Internacional. Isso impulsiona bastante a campanha, ainda mais porque o principal favorito da temporada, Uma Batalha Após a Outra, está concorrendo em outra categoria, a de Musical ou Comédia, algo específico do Globo de Ouro", explica.
Apesar do bom momento, a disputa segue acirrada. O filme brasileiro enfrenta produções como Sinners, Hamnet, Frankenstein e Foi Apenas um Acidente. Para a cineasta, o favoritismo ainda pende para um título mais alinhado ao perfil tradicional da premiação.
"Se fosse para apostar de forma racional, eu colocaria minhas fichas em Sinners. É um filme em inglês, com maior apelo industrial, elenco mais reconhecido e uma campanha que dialoga melhor com o eleitor médio do Globo de Ouro, historicamente mais conservador".
Na categoria de "Melhor Ator em Drama", Wagner Moura também encara uma concorrência de peso. Embora esteja fora da disputa direta com o favorito absoluto da temporada, Timothée Chalamet, o ator brasileiro concorre com nomes fortes. "Wagner está em uma categoria extremamente competitiva e enfrenta diretamente Michael B. Jordan, que é visto como o principal nome logo atrás de Chalamet na corrida", analisa Schein.
Outro ponto sensível para o filme brasileiro está na categoria de Melhor Filme em Língua Não Inglesa. De acordo com a cineasta, o maior adversário segue sendo Foi Apenas um Acidente, longa que chega com vitórias importantes em Cannes e no Gotham Awards. "Apesar disso, houve uma surpresa recente. O filme perdeu o Critics Choice Awards justamente para O Agente Secreto. Os corpos votantes são diferentes, o que torna o resultado imprevisível. Sinceramente, qualquer um dos dois pode levar", avalia.
Mesmo com a análise cautelosa, a torcida permanece firme. "Eu vou torcer por O Agente Secreto, é claro", afirma.
A expectativa em torno do Brasil nesta edição ganha ainda mais peso por causa do precedente recente. Em 2025, além de histórica, a vitória de Fernanda Torres foi a única do país naquela edição, marcando um divisor de águas para o cinema nacional no circuito internacional e ampliando a atenção da imprensa estrangeira para produções brasileiras.
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Agora, com O Agente Secreto disputando categorias centrais e Wagner Moura entre os indicados, o Brasil retorna ao Globo de Ouro não apenas como um azarão simpático, mas como um competidor real em uma corrida aberta, disputada e repleta de variáveis.