
Exploração infantil nas redes: o preço da corrida por cliques
A denúncia do influenciador Felca expôs a exploração de crianças nas mídias sociais e reacendeu o debate sobre a regulação das plataformas
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Na última semana, uma denúncia tomou conta das redes. O influenciador e humorista Felca, conhecido por seu sarcasmo certeiro, deixou o riso de lado para lançar um vídeo sobre a adultização de crianças na internet. Em pouco tempo, o conteúdo já ultrapassou 25 milhões de visualizações.
Com sua postura crítica provocadora, Felca escancarou o risco de jovens serem expostos e explorados em busca de engajamento, e evidenciou também a negligência das big techs na moderação de conteúdos nocivos. É curioso como existem algoritmos extremamente eficientes para personalizar os conteúdos conforme o interesse do público, mas que não são aplicados para identificar padrões de comportamento perigosos.
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Na incessante corrida por monetização digital, a inocência é corrompida, a infância é sexualizada e a pedofilia encontra terreno fértil para se propagar.
O papel das plataformas: de terreno neutro à responsabilidade sistêmica
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O argumento de que redes como YouTube, Instagram ou TikTok são apenas meios neutros para publicação de conteúdo está cada vez mais insustentável. Recentemente, o STF (Supremo Tribunal Federal) definiu que plataformas digitais podem e devem ser responsabilizadas por postagens ilícitas, especialmente quando há falha sistêmica em moderar ou remover conteúdos que fomentem crimes graves, violência política, exploração de menores ou discriminação.
As empresas que distribuem conteúdo precisam agir de forma preventiva, removendo materiais evidentemente nocivos mesmo sem ordem judicial, sempre que houver ameaça à integridade de grupos vulneráveis ou à democracia. Essa mudança representa um avanço importante para a cultura digital brasileira e se alinha a iniciativas internacionais como o Digital Services Act europeu, que obriga plataformas a combater desinformação e crimes online de maneira proativa e transparente.
Liberdade de expressão não é licença para impunidade
É preciso rebater o argumento de que regulamentar é censurar. Ao contrário, responsabilizar quem distribui material nocivo é garantir que todos, inclusive influenciadores e plataformas, atuem com ética e responsabilidade. Isso não significa silenciar vozes legítimas, mas impedir que crimes e mentiras se espalhem sem controle.
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Felca trouxe à tona o poder da denúncia e da mobilização coletiva, mas também evidenciou o limite das ações individuais diante do alcance e da influência das grandes plataformas. A regulação das redes sociais é um passo essencial para construir um ecossistema midiático mais justo, seguro e verdadeiramente democrático.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.