Sábios ou supérfluos?
A veneração pelos anciãos foi cedendo espaço para a celebração da inovação!
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SIGA NOA maneira como as sociedades percebem e tratam as pessoas em processo deamadurecimento mudoude maneira drástica ao longo do tempo. Historicamente, em várias culturas, os mais velhos eram considerados sábios e detentores de conhecimentos cruciais para a sobrevivência do seu grupo.
Na Grécia Antiga, por exemplo, a gerontocracia espartana era uma forma de governo na qual os anciãos governavam; e em Roma, o Senado, que, em latim significa “conselho de anciãos”, desempenhava um papel semelhante. Esse respeito era proveniente do reconhecimento do quão importantes eram os idosos para o bem comum, pois eles eram responsáveis pela liderança e pela preservação das tradições.
Quando olhamos para as sociedades ditas modernas, o que assistimos é esse respeito ceder lugar a uma visão ambivalente e, muitas vezes, até mesmo negativa do processo de envelhecimento. Depois que as revistas e, posteriormente, as redes sociais, fizeram da juventude um ideal de beleza e inovação, a velhice passou a ser vista como algo intrinsecamente ligada ao declínio e a obsolescência.
Essa mudança é perceptível no modo como a palavra “velho” é usada de modo pejorativo, nem sempre fazendo referência à idade, mas como um insulto que traz consigo a ideia de desatualização ou incompetência.
Esse fenômeno pode ser visto nas redes sociais, onde a linguagem e as interações frequentemente refletem e perpetuam vários estereótipos culturais. Termos depreciativos relacionados à idade são usados para desvalorizar as opiniões daqueles que estão em processo de amadurecimento.
Entrar no aplicativo “X” é um convite à barbárie. Não tem muito tempo que a apresentadora de televisão Ana Maria Braga foi duramente criticada em razão de um possível despreparo para conduzir as entrevistas com os eliminados do Big Brother Brasil, o que, diga-se de passagem, ela faz desde os primórdios do programa.
Mas o chocante é que as críticas vinham sempre acompanhadas de palavras que lembravam a idade da apresentadora, chegando alguns internautas a dizerem que ela já havia passado da hora de se aposentar.
Esse discurso, sustentado pelas redes sociais, reflete e reforça o etarismo que, como temos dito, é uma discriminação baseada na idade. Como mais uma forma de preconceito, o etarismo afeta não apenas a autoestima e o bem-estar dos mais velhos, mas também impede que as sociedades se beneficiem de sua experiência e conhecimento.
O problema é que em um mundo rápido e orientado para a tecnologia, a capacidade de adaptação é muito mais valorizada do que a sabedoria adquirida só com a experiência; e isso contrasta de modo fundamental com o papel que os idosos desempenhavam nas sociedades antigas. A veneração pelos anciãos foi cedendo espaço para a celebração da inovação e para a estigmatização de tudo associado ao processo de envelhecimento.
Reverter esse processo não será simples, no entanto, é urgente que devolvamos aos idosos o papel de membros valiosos da sociedade; e isso só será possível se todos combatermos o etarismo. E isso inclui desde uma maior representação dos idosos na mídia e na publicidade - como está acontecendo nos vários desfiles de moda mundo afora -, até a implementação de políticas públicas eficazes para a promoção da inclusão e do respeito por todas as idades.
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Enquanto nos indignarmos com o preconceito etário e com o uso pejorativo do termo “velho”, não estaremos apenas lutando por um grupo de pessoas que se encaixam na descrição; mas também ajudando a criar uma visão de mundo, na qual todas as fases da vida possam ser reconhecidas e valorizadas em sua plenitude, exatamente por elas representarem o que são, fases.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
