
Mais pais por um mundo melhor
Educar é falar não, frustrar os filhos queridos, que, não raramente, são tratados como as majestades da casa
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Hoje volto à carga com um tema polêmico, que interessa a todos os pais que têm a difícil tarefa de educar filhos em idade escolar e sempre se deparam com dilemas e dúvidas importantes para o futuro daqueles que serão nosso futuro. Eles herdarão a Terra. Esperamos que façam melhor do que temos feito até agora. Que sejam mais racionais e inteligentes, priorizando o coletivo em detrimento dos interesses individuais, o que é imprescindível à sobrevivência da civilização e do planeta.
Disso se trata a ética a ser ensinada desde o berço. Não que seja fácil, porque educar é falar não, frustrar os filhos queridos, que, não raramente, são tratados como as majestades da casa. Mas é o que cabe a cada um que ousou colocar no mundo um ser que nasce sem nenhum saber.
Muitas das coisas que dão errado acontecem por falta absoluta de educação, com a ressalva de que algumas estruturas psíquicas estão à margem da lei, por falhas que ocorrem precocemente e, principalmente, pela falta da inserção da lei, do simbólico. De um pai ou de alguém que colabore com a mãe ou cuidadora quando o amor é maior do que o certo e errado.
Quando falhamos na colocação do simbólico, o desastre é permanente. Muitas coisas que acontecem nos deixam estarrecidos. A pergunta que percorre na sociedade é: trata-se de loucura ou maldade? Exemplo recente foi o assassinato frio e cruel da professora de história do Colégio Santa Marcelina, pessoa querida e respeitada.
O autor do crime, um rapaz nos seus 30 anos, que não trabalhava, fazia dívidas de jogo e resolveu vender a casa da mãe. Não satisfeito com a negativa dela, atacou-a, simulando crime sexual, e foi pego. Seria ele um psicótico ou um perverso? Nunca saberemos, embora cogitemos. Mas não podemos diagnosticar alguém que não nos tenha solicitado tratamento.
As conjecturas nos levam a pensar no tipo de educação recebida, se faltou um pai para dizer basta ao filho e à mãe também. Se a mãe assim o permitia por um problema mais grave de um sujeito que desconhecia limites e que não aceitava contenções, agindo compulsivamente, num gozo semelhante às toxicomanias e alcoolismos. Tratados num interessante grupo de pais que amam demais.
Polêmica para além deste caso atinge outra discussão importante. Os pais deveriam pensar muito antes de ter filhos. Sobre a disponibilidade para educar, ter tempo com eles e poder participar da vida da criança de perto. As babás são de grande valia, porém, não podem substituir os pais. Pais que não têm tempo permitem o uso do celular para distrair as crianças porque não estão presentes. É um erro que se estende à adolescência.
Os adolescentes aprendem sobre sexo no TikTok, mas não do jeito certo. É de sexualidade que é preciso falar. E a sexualidade contemporânea inclui gêneros fluidos, questões polêmicas que são importantes porque estão aí na realidade, Trump queira ou não!
A tarefa de esclarecer corretamente é dos pais. Isso previne as crianças e adolescentes a cair em ciladas de mal-intencionados. A escola inseriu a educação sexual para abranger lacunas, infelizmente correntes conservadoras fizeram alarde, queixas e contras por tocar verdades. A educação sexual volta para o armário. Na contramão do trabalho árduo contra preconceitos realizado até agora.
Educar fora da realidade é colocar em risco a vida dos filhos. Deixa os jovens desamparados e inseguros, por medo de falar suas dúvidas ou preferências, relegando-os a lidar de modos equivocados com a sexualidade. É, no mínimo, desumano.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.