Aécio cede à pressão e tentação para disputar o Senado
A decisão deverá ser anunciada hoje ou amanhã, até para que a possibilidade não se transforme em mais uma novela de uma campanha marcada por idas e vindas
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Como antecipamos na segunda-feira (24), está sendo preparada aí mais uma reviravolta na sucessão mineira já marcada por atipicidades. Depois de anunciar uma pausa após 40 anos de atuação política como parlamentar e governador de Minas (2003-2010), o tucano Aécio Neves está voltando. Deve ser anunciado nas próximas horas como candidato a senador na chapa de Alexandre Kalil (PDT), ocupando o lugar do atual candidato Gustavo Galassi.
Desde a semana passada, seguidores fizeram, por meio de cartas e mensagens, apelos para que ele se candidate ao Senado. A pressão chegou ao comando da coligação PDT/PSDB, que, nesta quarta (26), divulgou nota aderindo ao movimento.
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Aécio está se fazendo de rogado. Ele contratou pesquisas nas quais seu nome figura entre os favoritos da disputa e, mais do que isso, ficou mais animado com a queda de sua rejeição. O comando da campanha de Kalil não se manifestou oficialmente, mas avaliou que a definição dessa vaga cabe aos tucanos. A decisão deverá ser anunciada hoje ou amanhã, até para que a possibilidade não se transforme em mais uma novela de uma campanha marcada por idas e vindas.
Se confirmada a intenção e o desejo, Aécio irá rever os planos de se tornar apenas presidente de partido, a exemplo de outros que têm atuação com grande influência sobre a política do país. Por meio da eleição de grande bancada de deputados federais, os dirigentes partidários assumem o comando de fatias robustas do fundo partidário e do tempo de TV e rádio eleitoral. Dessa forma, são cortejados por candidatos por ampla aliança eleitoral.
A missão de Aécio é um pouco parecida, guardadas as proporções, com a do ex-governador Romeu Zema (Novo), que está na disputa presidencial para impedir a extinção de seu partido. Por meio de suas candidaturas, Aécio e Zema poderão atuar como puxadores de votos e garantir a eleição de aliados. O partido Novo busca sobreviver à cláusula de barreiras, que impõe um desempenho mínimo para uma legenda. Ou seja, um partido terá que alcançar o mínimo de 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da federação, com um mínimo de 1,5% dos votos válidos em cada uma. Ou, ainda, eleger pelo menos 13 deputados federais distribuídos em pelo menos um terço dos estados.
Bater em Cleitinho ou ficar fora
Cinco candidatos à segunda vaga ao segundo turno da disputa ao governo de Minas, especialmente os do campo da direita, têm apenas uma escolha: bater em Cleitinho ou ficar de fora da briga. O candidato do Republicanos tem votos em todos os setores e precisa ser desidratado nos 37 dias de campanha que antecedem a votação do dia 4 de outubro.
Nome com potencial de crescimento por contar com a força do Palácio da Liberdade (cargo), Mateus Simões (PSD) só poderá encontrar votos nos eleitores de Cleitinho e no centro político. Flávio Roscoe (PL) vai explorar sua ligação com o bolsonarismo e tirar os votos desse perfil do rival favorito. Na primeira semana de campanha, ele foi poupado por todos.
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Como Simões, Kalil vai trabalhar as entregas. “Tem gente que fala, Kalil faz”, dirá ele ao exibir obras de sua gestão na Prefeitura de BH (2017/2022). Gabriel Azevedo (MDB) vai apostar em sua capacidade de comunicação e propostas de gestão. O desafio de Patrus Ananias (PT) será unificar os petistas. O centro-esquerda tem potencial de votos para levá-lo ao segundo turno.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
