Marcílio de Moraes
Marcílio De Moraes
Jornalista formado pela PUC Minas em 1988, com passagem pelos jornais Diário do Comércio e O Tempo. Trabalhou em coberturas de leilões de privatização e em feiras internacionais
BRASIL EM FOCO

Prévia da inflação é boa notícia, mas não comove o Banco Central

Um fator que pode colaborar para esfriar a inflação será a desvalorização do dólar frente o real

Publicidade

Mais lidas

O fato de a prévia da inflação oficial, o Índice de Preços ao Consumidor Ampo – 15 (IPCA-15) ter registrado deflação em agosto, o que não ocorria desde junho de 2023, a queda de 0,14% no indicador neste mês não é motivo para fazer festa nem para esperar que o Banco Central se movimente no sentido de iniciar o ciclo de baixa da Selic. Isso porque o recuo dos preços, registrado pela prévia do IPCA, foi influenciado pela redução nas contas de energia elétrica, ou seja, não é um item cujo consumo não sofre influência da política monetária restritiva.

Na quarta-feira, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, jogou uma ducha fria sobre qualquer possibilidade de se vislumbrar uma baixa da Selic. A “taxa de juros deve permanecer alta por período prolongado”, disse Galípolo.

Como o mercado esperava uma queda de 0,20% no IPCA-15 e a queda de 0,14% foi puxada pela tarifa de energia, o economista-chefe do Pic-Pay, Igor Cadilhac, observa que “do ponto de vista quantitativo, o resultado foi pior do que o esperado, com as principais métricas dos núcleos de inflação vindo mais pressionadas”. Isso signfica que, apesar de registrar deflação, a inflação segue pressionada e fora da meta neste e no próximo ano.

Com a queda da previa do IPCA em agosto, no acumulado do ano o IPCA-15 desacelerou de 5,30% em julho para 4,95% este mês. Um fator que pode colaborar para esfriar a inflação será a desvalorização do dólar frente o real e também a expectativa de índices de preços caminhando para a meta.

É preciso verificar o impacto dos juros na demanda, que ocorreu basicamente em Alimentação e Bebidas, com recuo de 0,53% nos preços. No item Habitação (-1,13%) o que influenciou foi a queda de 4,93% na tarifa de energia elétrica. Outro item que se destaca com baixa no mês é Transportes (-0,47%), que foi impactado pelos preços das passagens aéreas (-2,59%) e pelos combustíveis (-1,18%).

A queda na Alimentação foi provocada principalmente pela redução de 1,02% na alimentação no domicílio, podendo indicar não apenas queda de demanda, mas também influência de safras ou queda nas exportações, como carnes (-0,94%), manga (-20,99%), batata-inglesa (-18,77%) e arroz (-3,12%) entre outros.

Igor Cadilhac diz que revisou a previsão de inflação para este ano, de 5,1% para 4,9%, mas faz a ressalva de que “apesar da revisão, o qualitativo e o balanço de riscos permanecem significativamente pressionados. Além disso, seguimos atentos às pressões altistas, associadas à desancoragem das expectativas, à manutenção de um hiato do produto positivo e à eventual depreciação do real em um cenário de maior percepção de risco fiscal e/ou geopolítico”. Traduzindo: Ainda não é o momento de o Banco Central mudar a política monetária, o que deve ocorrer apenas no início do próximo ano.

Mesmo que não indique mudança na política de juros, a queda da inflação é sempre uma boa notícia, porque que reduz a pressão sobre custos das empresas, amortizando a necessidade de reajustes na cadeia produtiva. “Inflação baixa incentiva o movimento do grande motor da economia brasileira, que são os pequenos negócios. Isso beneficia toda a população brasileira”, diz o presidente do Sebrae, Décio Lima. “A queda da inflação é uma boa notícia que se soma a outras conquistas recentes, como a geração recorde de empregos e a saída do Brasil do Mapa da Fome”, acrescenta. 

Meio ambiente 

R$ 100 milhões

É o valor inicial que o BNDES vai destinar para o programa Floresta Viva 2, para proteção da biodiversidade. O banco vai selecionar o gestor operacional da iniciativa.

Golpes no WhatsApp

Um levantamento feito pela EXA, ecossistema de segurança digital, revela que os golpes por WhatsApp são os que mais atingem os brasileiros, com 44,1% dos entrevistados já foram vítimas de fraudes em golpes nos quais os criminosos se passaram por um conhecido no aplicativo de mensagens. Em segundo lugar estão os golpes por ligações que atingem 32,7%. A pesquisa foi realizada com 1.545 pessoas em todas as regiões do país.

Crédito

A Pesquisa Especial de Crédito da Febraban mostra que o salto total da carteira de crédito deve ter registrado um crescimento de 0,4%, mantendo o ritmo de expansão anual estável em 10,7%. O levantamento mostra que a estabilidade em 12 meses deve ser sustentada pela aceleração da carteira Pessoa Jurídica, cujo crescimento anual deve passar de 8,8% para 9,8%, com ganho de ritmo nas operações com recursos livres.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

 

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

Tópicos relacionados:

banco-central dolar inflacao juros

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay