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Que Luís Roberto, principal narrador da TV Globo é dos melhores que já tivemos, todos sabemos. O que a maioria sabe, mas que só os amigos mais próximos podem constatar, é o quão esse narrador é uma figura humana ímpar e maravilhosa, um ser humano raro, sempre alegre e disposto a dar uma palavra de carinho, amizade e incentivo, principalmente aos jovens. Conheci Luís Roberto em 1997, na Arábia Saudita, durante a Copa das Confederações. Ele trabalhava na Rádio Globo e a gente convivia todos os dias, principalmente no lobby do luxuoso hotel em que a Seleção Brasileira estava hospedada, pois era uma época em que os craques de verdade desciam e ficavam batendo papo com os repórteres. Aliás, boa época, pois os jornalistas eram Oldemário Touguinhó, Antônio Maria, Sebastião Reis, Jaeci Carvalho, Marcos Uchoa, Tino Marcos, Alípio Nogueira, um nível absurdo de tanta gente competente e de qualidade.
Encantei-me com o timbre de voz de Luís Roberto e ainda mais com sua generosidade. Que cara bacana! Conversávamos muito. Lembro quando estávamos à mesa do lobby, eu, Luís Roberto, Romário, Dunga e mais alguns jornalistas batendo papo sobre outros assuntos que não o futebol. Romário, sempre sincero, era assediado pelos torcedores árabes – naquela época não havia segurança particular para jogador, pois hoje a CBF coloca 20 seguranças num simples amistoso, para evitar que os jogadores tenham contato conosco –, dizia para os fãs: “estou no meu momento de lazer, conversando com esses amigos da imprensa. Quando eu sair daqui, tiro fotos e dou autógrafos”. Não havia celular naquela época e as fotos eram tiradas nas polaroids. Autógrafos em guardanapos e por aí vai. Foram 30 dias de uma convivência espetacular no até então lugar mais fechado do islã, onde as mulheres tinham que andar com o rosto coberto, não podiam dirigir, e onde os assassinos e estupradores eram executados em praça pública. Cheguei à Praça do Dira, onde funcionam as joalherias para ver a execução de três criminosos, mas o rei mandou suspender, pois havia muitos jornalistas ocidentais no país.
Voltando a falar de Luís Roberto, foram muitas viagens pelo mundo, muito bate-papo e muitos assuntos pertinentes. Luís está sempre sorridente, tem opiniões fortes, mas nunca o vi contrariando ninguém. É um cara muito querido por todos. Nosso último encontro foi em Orlando, em março, no amistoso entre Brasil e Croácia. Ele estava com o fiel escudeiro Júnior, comentarista e um dos gênios da bola, e a gente conversou muito sobre o momento do futebol brasileiro, Neymar, Ancelotti, enfim, sobre a Seleção Brasileira, tão sem credibilidade nos tempos atuais. Sempre otimista, mas realista, Luís sabe que as chances do nosso time na Copa são bem limitadas, mas, querendo ou não, nossa camisa ainda pesa. Luís foi fazer suas gravações, entradas no JN e nos despedimos.
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Volto para Miami e ele para o Rio, quando sou pego pela péssima notícia de que ele não vai narrar a Copa, por ter descoberto uma doença num exame de rotina. Isso não só o abalou, mas a todos nós, pois Luís Roberto é quase unanimidade nacional. Como ele mesmo revelou em post no Instagram, foram tantas mensagens de carinho, força e fé que ele tem a certeza da cura. Eu também tenho, pois seus amigos precisam de você, seus telespectadores também, e sua abençoada família. Luís começou na terça-feira a radioterapia, e as chances de cura são enormes. Amigo, saiba que estou em oração por você, todas as manhãs e noites, no meu cantinho especial aqui em casa, e que tenho a certeza de que Jesus vai te curar. A ciência está ao seu lado, os melhores médicos e os melhores hospitais. Uma Copa do Mundo é apenas um torneio de 39 dias, que passa tão rápido que, quando você piscar, já estaremos em 2030, na Copa da Espanha, Portugal e Marrocos. Receba o nosso carinho, o nosso apoio e a nossa fé. Você é um dos caras mais legais que conheci em toda a minha vida. Como narrador, dos mais completos, tecnicamente, o dono da emoção. Se cuide e se cure, é tudo o que queremos. Em breve, estaremos ligados na sua narração e na sua emoção. “Sabe de quem?” Luís Roberto é o nome da emoção e das nossas orações. Deus com você, irmão. Quero revê-lo, em breve, nesse mundão de Deus, para batermos aquele papo e tomarmos um bom vinho. A cura já chegou até você.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
