Helvécio Carlos
Helvécio Carlos
Com 30 anos dedicados ao jornalismo, com passagens por emissoras de rádio e assessoria de imprensa, é desde 2001 titular da coluna Hit, do jornal Estado de Minas. Entre 2011 e 2017 foi editor da revista Hit, publicação de lifestyle.
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Show da realeza da MPB teve brinde de conhaque a Lô Borges

Dori Caymmi e a sobrinha Alice abriram a temporada do projeto Uma Voz, Um Instrumento em BH, com bela homenagem a Nana Caymmi

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Primeiros convidados da série de shows comemorativos dos 10 anos do projeto Uma Voz, Um Instrumento, Alice e Dori Caymmi eram esperadíssimos na quinta-feira (26/3), no Centro Cultural Unimed BH-Minas. Quando as cortinas se abriram, a plateia aplaudiu com fervor o filho de Dorival, sentado com seu violão junto da mesinha onde havia um copo de conhaque. Depois de cantar “Evangelho”, Dori definiu aquele show como uma espécie de recital de música brasileira. “Sendo filho de quem sou e influenciado por quem eu fui, tenho a impressão de que vocês não vão sair daqui muito alegres não...”, brincou. Ledo engano. Entremeado por casos bem-humorados, o repertório emocionante de Dori e Alice teve homenagens a Lô Borges e a Nana Caymmi, que partiram em 2025. O público voltou para casa com a certeza de ter visto um dos shows mais lindos que já passaram por BH.

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• SELFIE

Entre as canções, Dori Caymmi citava o pai. Contou que é de Dorival a pintura na capa de seu disco “Utopia” (2025). “Este quadro meu pai pintou quando eu tinha 3 anos, mais ou menos. Meu pai era ótimo pintor, um retratista.” Bem-humorado, afirmou que, ao final do show, daria autógrafos e “essas coisas que o artista faz”. Mas avisou: “Só não me peçam para fazer selfie, porque se eu apertar o celular, ele desliga. Sou do tempo do telefone fixo.”

• SÃO PEDRO

Dori revelou que quando os pais, Dorival e Stella Maris, morreram em 2008, com diferença de apenas 11 dias, ele passou a musicar letras, pois perdera a vontade de compor melodias. Sobre a idade, disse que vai completar 83 anos e faz parte da geração que ouve de São Pedro: “Como é que é? Vem ou não vem?”. Brincou também com a visão, que já não está 100%. Não enxergo absolutamente nada”, explicou, ao pedir ao técnico para não apagar a luz sobre a partitura. “É porque eu fico no buraco”, queixou-se.

Dori Caymmi fala ao microfone e segura o violão durante show em BH
Dori contou histórias divertidas da família Caymmi, de sua carreira e de João Gilberto Bianca Aun/divulgação

• MÚSICA BAIANA

Ao citar Nana Caymmi, Dori lamentou a morte da irmã e falou da paixão por ela e por outras cantoras, como Elis Regina, Clara Nunes, Maria Bethânia e Gal Costa. “Nana e eu tínhamos um programa na TV Tupi às quartas-feiras, com meia hora de duração, onde apresentávamos também canções de minha mãe, Stella Maris, que depois virou Stella Caymmi. Desde os 17 anos, trabalhei muito com minha irmã”, disse. Também relembrou passagens com os mestres. “João Gilberto disse que depois que a música Bahia subiu no caminhão, estragou o Brasil”, afirmou, em tom de crítica, provocando gargalhadas da plateia.

• TRUMP

Ao falar dos tempos em que morou no exterior, Dori Caymmi disse que era bom frequentar o triângulo Europa, Japão e Brasil. “Mas veio Donald Trump e comecei a pensar duas vezes. Cheguei aqui (no Brasil) e tinha outro problema”, disparou, criticando o governo Jair Bolsonaro. “Numa dessas vindas, o chofer de táxi perguntou se eu era irmão da Nana, o Danilo. Respondi: 'Não, sou o Dori. mas pode me chamar de Dorilo'”. Em seguida, o motorista mostrou a música de Nana que estava fazendo o maior sucesso. Dori ficou extasiado. Provavelmente a mesma sensação da plateia quando Alice Caymmi cantou “Resposta ao tempo” (Aldir Blanc/Cristovão Bastos), grande sucesso da tia e tema da série “Hilda Furacão”. A interpretação impecável lembrou o timbre de Nana, cuja linda foto estava no fundo do palco.

Alice Caymmi está de perfil cantando e segurando o microfone durante show em BH
Alice Caymmi emocionou a plateia com 'Resposta ao tempo', grande sucesso de sua tia Nana Bianca Aun/divulgação

• LÔ E OS MINEIROS

Nos 10 anos do projeto Uma Voz, Um Instrumento, criado por Pedrinho Alves Madeira, serão lembrados artistas que já nos deixaram. Luiz Melodia terá canções interpretadas por Otto; Angela Ro Ro por Tiê; Angela Maria por Zeca Baleiro e Swami Jr. Os Caymmi reverenciaram Lô Borges e artistas de Minas. “Quando lancei meu primeiro disco, Milton estava fazendo o 'Clube da Esquina' e comecei a conhecer os músicos mineiros. O primeiro foi Paulo Horta, irmão do Toninho, contrabaixista que nos deixou muito cedo.” Em seguida, levantou as mãos para o céu e disse: “Toninho, Milton, Fernando Brant!”, sob aplausos do público.

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Dori prosseguiu: “Lô, Márcio (Borges), Nivaldo Ornelas, Wagner Tiso... Rapaz, quanto músico bonito! Lena Horta, Yuri Popoff, Nelson Angelo... Só não falo de político mineiro”, afirmou, novamente aplaudido. “Clube da Esquina 2”, “Um girassol da cor do seu cabelo”, “O trem azul” e “Tudo o que você podia ser” fizeram parte do repertório.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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