As verdades efêmeras do futebol
Que aprendam com os erros cometidos, inclusive os verbais, para não terem de dar explicações – nem sempre convincentes – depois
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Se o peixe morre pela boca, os profissionais do futebol se complicam pelas palavras. Recentemente, vários deles se contradisseram e, por isso, foram cobrados por parte da imprensa e dos torcedores.
O caso mais recente, do técnico Leonardo Jardim – que acertou com o Flamengo após dizer que, no Brasil, só treinaria o Cruzeiro –, é só um entre tantos. Claro que ele tem todo o direito de trabalhar onde achar melhor, mas ninguém pediu para o português prometer nada ao clube mineiro ou a qualquer outro.
No meio do ano passado, o meia-atacante Jhon Arias pediu à diretoria do Fluminense que aceitasse proposta do Wolverhampton-ING prometendo que, se um dia retornasse ao Brasil, daria prioridade ao Tricolor das Laranjeiras, que defendia desde 2021. Pouco mais de seis meses depois, em fevereiro, foi anunciado como reforço do...Palmeiras.
Em 13 de novembro de 2022, o Corinthians comunicou que, por motivo de doença familiar em Portugal, o técnico Vítor Pereira não renovaria o seu contrato com o clube. Mas exatamente um mês depois, o Flamengo anunciou ter chegado a acordo para contratar o português, que, entretanto, durou pouco mais de quatro meses.
Ou seja, o ideal para quem é protagonista do esporte mais popular do país é ter muito cuidado com o que fala publicamente. Mas a verdade é que já deveríamos estar acostumados com isso. Afinal, as situações mudam, as pessoas mudam, as propostas mudam. E cada um deve decidir o seu destino.
Desejo que todos os citados sejam felizes com suas escolhas. E que aprendam com os erros cometidos, inclusive os verbais, para não terem de dar explicações – nem sempre convincentes – depois.
Como deverá ter de fazer Leonardo Jardim, que, por um desses caprichos do futebol, terá pela frente nada mais, nada menos que o Cruzeiro, pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro. Arias, por sua vez, entrou no segundo tempo da partida em que o Palmeiras venceu o Flu por 2 a 1, na quarta-feira da semana passada (4/3), na Arena Barueri. Foi ovacionado pelos alviverdes e vaiado pelos tricolores, que, obviamente, estavam em minoria. Faz parte.
Do fundo do baú
No próximo domingo (8/3), no Mineirão, teremos a decisão do Campeonato Mineiro de 2026, na qual o Atlético tentará o inédito hepta, enquanto o Cruzeiro tenta quebrar a hegemonia local alvinegra. Será a segunda vez que isso ocorre na história, repetindo 1984.
Naquela oportunidade, a Raposa levou a melhor, mas não sem muita polêmica. Campeões do turno, os celestes levantariam a taça se vencessem também o returno. Devido a um regulamento mal escrito, que previa que o time de melhor campanha em cada turno jogaria “por dois resultados iguais”, houve interpretação diferente de cada clube.
O Cruzeiro goleou por 4 a 0 no jogo de ida da decisão do returno, enquanto o Atlético, time de melhor campanha naquela etapa, fez 1 a 0 na volta. Enquanto os celestes comemoraram o título estadual após sete anos, o Atlético reivindicou a disputa de uma final geral para se decidir o campeão.
Resultado: o título estadual de 1984 foi parar no Tribunal de Justiça Desportiva. Depois de quase seis anos de briga jurídica, em 1990 o Cruzeiro foi declarado oficialmente o legítimo campeão estadual daquela edição.
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Muita coisa mudou desde então, a organização do futebol, em geral, evoluiu, os dirigentes ficaram mais profissionais. O que não se alterou foi a rivalidade entre atleticanos e cruzeirenses. O clássico decisivo é maior que o próprio Estadual e espero que as equipes apresentem um grande futebol. Que vença o melhor.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
