Paulo Guerra
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CAMINHO DIGITAL

A escola integral como laboratório de inovação e oportunidades

Integrar programação, artes digitais e pensamento computacional à jornada escolar pode transformar jovens em protagonistas do desenvolvimento econômico e social

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Alguns especialistas afirmam que, com a evolução da inteligência artificial, o emprego dos desenvolvedores de software está ameaçado. Minha percepção, no entanto, é bastante diferente. Em um mundo cada vez mais digital, a formação profissional em tecnologia tornou-se uma necessidade.

É verdade que tarefas repetitivas e operacionais, como testes automatizados, refatoração de código e geração de trechos simples, tendem a ser executadas cada vez mais por máquinas. Porém, à medida que a tecnologia avança, aumentam as demandas por atividades complexas, como arquitetura de sistemas, modelagem computacional, segurança cibernética, ética tecnológica, indústria criativa digital, entre outras.

Recentemente, deparei-me com a escassez desses profissionais ao procurar empresas capazes de desenvolver um simples jogo educativo. Por isso, acredito que especialistas em tecnologia que aliem habilidades técnicas, criatividade e capacidade para resolver problemas complexos terão grande destaque neste novo mundo digital.

No contexto brasileiro, marcado por intensa desigualdade social, essa realidade representa uma enorme oportunidade. A hipótese que sustento é que integrar o ensino de programação, artes digitais e demais competências tecnológicas ao currículo da escola em tempo integral pode ser a chave para promover mobilidade social e tirar famílias inteiras da pobreza.

A ampliação da jornada escolar oferece uma oportunidade que o poder público tem aproveitado pouco: usar esse tempo adicional para desenvolver habilidades alinhadas ao mercado de trabalho do século XXI. A proposta é simples: inserir no cotidiano da escola pública em tempo integral disciplinas como lógica de programação, pensamento computacional, criação de jogos, desenvolvimento de software, modelagem 3D, entre outras.

Sempre que menciono essa ideia, a primeira pergunta é sobre o custo da infraestrutura necessária. E, frequentemente, quando respondo que o custo de infraestrutura pode ser zero, as pessoas param de ouvir. Mas a lógica é simples: em vez de investir milhões em estruturas que logo ficarão obsoletas, a administração pública pode credenciar escolas que serão remuneradas por jovem capacitado.

Esse credenciamento pode incluir um aspecto competitivo, promovendo competições entre alunos para a solução de problemas reais do município. A equipe que melhor resolver o desafio recebe um prêmio, a ser dividido entre os estudantes e a organização credenciada.

Essa integração não exige a construção de novos espaços físicos, nem a multiplicação de centros públicos de formação. Propomos uma política pública que funcione sob a lógica da governança em rede, aproveitando a capacidade instalada em escolas privadas, centros de treinamento profissional e instituições do terceiro setor, fortalecendo assim o desenvolvimento tecnológico da comunidade local.

A gestão pública atua como articuladora, garantindo critérios de qualidade, equidade e certificação, além de fornecer problemas reais que transformam os alunos em geradores de valor público para a comunidade que financia sua capacitação.

Entre as principais vantagens desse modelo estão a redução de custos, a ampliação da capilaridade, o aproveitamento dos recursos destinados à capacitação para resolver problemas reais da sociedade, o foco na inclusão de alunos de baixa renda e a formação de capital humano especializado em tecnologia.

Esse ciclo tende a ser cada vez mais benéfico para a sociedade, pois esses alunos poderão fundar startups e empresas cuja atuação ultrapasse as fronteiras do próprio município.

Vale lembrar que a formação em tecnologia não é apenas uma habilidade técnica, é uma porta de entrada para o mercado de trabalho mais dinâmico e bem remunerado da atualidade, potencializado pela inteligência artificial. Jovens que aprendem a programar, desenvolver aplicativos e jogos, ou entender lógica computacional têm acesso a oportunidades antes restritas a uma elite educacional.

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Por isso, ao transformar a escola integral em um espaço de formação tecnológica, o Estado oferece um diferencial competitivo real para seus alunos. Mais do que isso, cria um caminho concreto de ascensão social, rompendo ciclos de pobreza e exclusão.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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