O horizonte de Patrus na sucessão mineira
PDT poderá ser outro obstáculo à unidade do campo político. Kalil mantém o segundo melhor desempenho nas pesquisas de intenção de voto
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É esperada para esta semana, possivelmente nesta quarta, 15, a conversa do presidente Lula (PT) com o deputado federal Patrus Ananias (PT), que poderá formalizar a pré-candidatura dele ao governo de Minas, à frente da Federação PT-PV-PCdoB. Patrus, que foi um bem avaliado prefeito de Belo Horizonte (1992-1996) – elegendo o seu sucessor, o então vice-prefeito Célio de Castro –, está inclinado a aceitar o desafio. Entretanto, deverá levar a Lula a sua preocupação com a importância de se buscar a unidade desse campo político no estado, atualmente dividido com as pré-candidaturas de Jarbas Soares, pelo PSB, e de Alexandre Kalil, no PDT.
Em que pese Jarbas Soares tenha trabalhado para encabeçar uma composição com o campo lulista, há no PSB de Minas resistência em apoiar a chapa liderada pelo PT. Essa é, contudo, uma decisão que passará pela instância partidária nacional já que, PT e PSB têm sólida aliança, que se replica na sucessão presidencial e em quase todos os estados da federação, nos quais os dois partidos mantêm intercâmbio na condução das chapas majoritárias.
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O PDT de Alexandre Kalil poderá ser outro obstáculo à unidade em Minas. Kalil mantém o segundo melhor desempenho nas pesquisas de intenção de voto, neste momento, atrás apenas do senador Cleitinho (Republicanos). Até aqui ainda sem consolidar alianças, Kalil espera receber os votos do campo lulista por gravidade, sem um acordo formal com o PT no primeiro turno. Se conseguir alcançar o segundo turno, é provável que, assim como em 2016 e em 2020, quando concorreu à Prefeitura de Belo Horizonte, seja o depositário desses votos. Mas a questão posta é se ele conseguirá manter e ampliar as suas atuais intenções de voto para transpor o primeiro turno, num contexto em que o próprio Patrus chamará para si o eleitorado da esquerda.
Ao centro, Kalil também tenderá a travar competição por votos com Gabriel Azevedo, do MDB. Gabriel chegou a entabular conversas com o PT para a construção de uma frente ampla – em princípio defendida por PV e PCdoB, legendas da federação, além de lideranças históricas do PT, como João Batista Mares Guia. Mas a articulação não avançou e o emedebista concorrerá em voo solo, voltando-se às possibilidades de aliança com os poucos partidos ainda disponíveis, entre eles o PSDB e o Cidadania, que em princípio mantiveram conversas com Alexandre Kalil.
No campo da direita, as incertezas estão se afunilando. O governador Mateus Simões (PSD), candidato à reeleição, trabalha para manter em seu leque de alianças a Federação União Progressista. Há, contudo, uma aproximação entre União e PP e a pré-candidatura de Cleitinho. Essa é uma aliança muito influenciada pelas indicações das candidaturas ao Senado das chapas. Já o PL, que também espera uma definição do senador, na dúvida, se prepara para lançar a candidatura do ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli.
Medioli
O PL caminha para confirmar a candidatura do ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli ao governo de Minas. Diante das hesitações do senador Cleitinho (Republicanos), o deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL), apoiador de primeira hora de Medioli, levou o nome dele ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Medioli em princípio pretendia concorrer à Assembleia Legislativa. Mas, considerando o contexto da disputa estadual e a necessidade de um palanque sólido para Flávio Bolsonaro no estado, considera concorrer.
Pioneira
A indicação da deputada estadual Ione Pinheiro (União) ao Tribunal de Contas do Estado
(TCE) será apreciada nesta quarta-feira, pelo plenário da Assembleia Legislativa. Ione é candidata única. Recebeu o apoio de cinco parlamentares em princípio interessados na posição, com o particular apoio do
deputado estadual Ulysses Gomes (PT). A indicação deverá ser ratificada, e ela será a primeira mulher eleita na Assembleia para o TCE.
Mateus, Temer e Baleia
O governador Mateus Simões (PSD) se reuniu em São Paulo, na segunda-feira, 13, com o
ex-presidente Michel Temer (MDB) e o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi. A conversa girou em torno de eleições nacionais e estaduais, com o propósito de conhecer as posições de Michel Temer. A certa altura, Mateus Simões disse ter tido a informação que a Federação PT-PC-PCdoB vai lançar o deputado federal Patrus Ananias (PT) ao governo de Minas. Quis saber se o MDB seguiria com a candidatura de Gabriel Azevedo. E acrescentou que em princípio, trabalhou para ter Tadeu Leite (MDB), presidente da Assembleia como vice em sua chapa e que se o MDB tivesse interesse, seria bem-vindo na chapa.
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Plano de governo
Ao ser informado sobre o teor da conversa da reunião, o MDB de Minas divulgou nota pública à imprensa. Agradeceu as referências elogiosas de Mateus ao partido e ao pré-candidato Gabriel Azevedo. Também agradeceu convite feito pelo governador para que a legenda integre a chapa majoritária de Mateus Simões. Entretanto, o MDB reiterou possuir um projeto próprio para o estado e uma pré-candidatura colocada na sucessão estadual. Nesta quarta-feira, 15, o partido apresentará o plano de governo “Minas Gerais Pensando Minas Gerais”, segundo a sigla, resultado de uma construção coletiva, após diálogo e escuta realizado ao longo do último ano em todas as regiões do estado.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
