Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
EM MINAS

São as mulheres, estúpido!

O eleitorado que professa o antilulismo e/ou o antipetismo converge para a oposição. Caiado e Zema orbitam o bolsonarismo, não surgem como alternativa ao centro

Publicidade

Mais lidas

O fato novo da sucessão presidencial não são as pesquisas de opinião, publicadas aos borbotões, apontando para a situação de empate técnico nas simulações de segundo turno entre as duas candidaturas que polarizam a corrida ao Palácio do Planalto. Ambas carregam características mutuamente excludentes. O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – os mais conhecidos da disputa – exibem, neste momento, os maiores índices de intenção de voto e, também, os maiores índices de rejeição. A vitória de qualquer um deles desperta temor na outra metade do eleitorado que os rejeita. Não à toa, 43% declaram que ainda podem mudar de voto. A informação da mais recente Genial Quaest, divulgada nesta quarta-feira, corrobora três outros levantamentos de campo, entre os quais o DataFolha, ao longo da última semana.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Entre dezembro de 2025 – quando foi anunciada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a candidatura do filho mais velho – e abril de 2026, a evolução das linhas de intenção de voto de Lula e Flávio Bolsonaro esboçou a boca de um jacaré: Lula caiu de 46% para 40% e Flávio Bolsonaro cresceu de 36% para 42%. Tanto faz se, em outras simulações de segundo turno, são testados, de um lado, Lula e, do outro, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) ou o ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo). O eleitorado que professa o antilulismo e/ou o antipetismo converge para a oposição. Caiado e Zema orbitam o bolsonarismo, não surgem como alternativa ao centro. Hoje, não conseguiriam transpor a barreira “Bolsonaro” para alcançar o segundo turno.

Para além das estatísticas já conhecidas, surge a novidade. O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, quer ver Ciro Gomes, tucano novo, candidato ao Palácio do Planalto. Ciro se prepara para concorrer ao governo do Ceará, com o apoio do PL. A leitura é de que Ciro, que já disputou quatro vezes a Presidência da República, tem potencial para tirar votos de Lula e de Flávio Bolsonaro. Ciro conhece os problemas do Brasil, não orbita o bolsonarismo e, nesse sentido, tem mais potencial do que Caiado e Zema de alcançar o segundo turno como alternativa à polarização. Tucanos viram a oportunidade. Estão confiantes que Ciro virá. Ele ainda hesita.

Conta o folclore político que, em 1992, quando Bill Clinton concorria contra o então presidente George W. Bush, a América estava às voltas com a Guerra do Golfo e Bush, com altos índices de aprovação, apesar da recessão econômica. Para evitar que a campanha de Clinton se distraísse com a política externa, o estrategista democrata James Carville destacou três pontos no cartaz de boas vindas do quartel-general da campanha: 1º) Mudança x mais do mesmo; 2º) A economia, estúpido; 3º) Não se esqueça do sistema de saúde.

A distribuição dos dados de intenção de voto para a presidência segundo gênero, nas simulações de segundo turno da pesquisa Genial Quaest, não foi disponibilizada ao público. Mas os dados de aprovação do governo, que são bom preditor de voto, dão as pistas. Entre dezembro de 2025 e abril de 2026, o país assiste à deflagração de uma guerra com potencial inflacionário e, adicionalmente, no teatro de operações, acompanha um escândalo de corrupção que, embora tenha envolvidos do bolsonarismo ao centro e à esquerda, mantém o foco sobre o eventual envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Alvo de ataques do bolsonarismo, a Corte condenou os envolvidos na tentativa de golpe de estado, entre eles, Jair Bolsonaro. Estaria, por esse motivo, o STF sendo associado ao governo Lula? A inflação ameaça e a aprovação do governo federal caiu, nesse período, de 48% para 43%. As maiores variações se deram entre eleitores que não são nem bolsonaristas nem lulistas – os independentes. E entre mulheres, que nas eleições de 2018 e 2022 foram o bastião da resistência contra a ascensão de Jair Bolsonaro. Assim como em 1992, será o preço do feijão que definirá 4 de outubro? No Brasil profundo, essa é uma compra que, em geral, leva o CPF de quem acumula a dupla jornada de trabalho.

Uma pergunta para

Guilherme Daltro
Secretário Municipal de Governo

Qual é a previsão da Prefeitura de Belo Horizonte para a aprovação, na Câmara Municipal, do Projeto de Lei 574/2025, que cria a Operação Urbana Simplificada com incentivos urbanísticos e fiscais para construções na Região Central de Belo Horizonte?
É um projeto muito necessário para a revitalização do centro de Belo Horizonte e temos tido apoio mesmo daqueles vereadores independentes, que não estão na base do governo. Aprovamos em primeiro turno com 33 votos favoráveis e 5 contrários. A nossa previsão é de que seja pautado no mês de maio para a votação em segundo turno. Uma vez aprovado, a proposição será rapidamente sancionada pelo prefeito Álvaro Damião (União). Acreditamos que este ano ainda teremos impacto do projeto na região central e bairros limítrofes, como Bonfim, Lagoinha, Floresta, Santa Efigênia, Boa Viagem, Barro Preto, Colégio Batista, Carlos Prates e Concórdia (excluída a área da Pequena África da capital).


Kalil e Aécio

Os deputados federais Aécio Neves e Paulo Abi-Ackel, presidentes nacional e estadual do PSDB reuniram-se ontem, em Brasília, com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e o deputado federal Mário Heringer, presidente estadual do PDT. No cardápio a conjuntura eleitoral em Minas e possíveis cenários da sucessão, considerando que, no campo lulista, ainda não há confirmação da candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB). Após quatro horas de conversa, deixaram o apartamento de Paulo Abi-Ackel sem descartar eventual aliança. Aécio Neves considera concorrer ao Senado Federal.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia


Voos

A proposta da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) de revisão da Resolução nº 400, que trata dos direitos e dos deveres dos passageiros no transporte aéreo, será debatida em audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte nesta quinta-feira, 16, na Assembleia. Segundo a Anac, é propósito aperfeiçoar as regras aplicáveis a atrasos e cancelamentos de voos, esclarecendo as assistências devidas aos passageiros e as responsabilidades das empresas aéreas nessas situações. Segundo a Anac, a atualização busca reduzir a judicialização no setor: o Brasil concentra mais de 90% das ações judiciais contra companhias aéreas no mundo.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

Tópicos relacionados:

eleicoes flavio-bolsonaro lula pesquisas

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay