Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
Em Minas

O que entregará Lula para escapar do abismo?

O desempenho do governo do presidente da República transborda do Planalto para todos os estados brasileiros e afeta diretamente as composições e alianças. Minas

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Se chamados a definir o momento do governo Lula, talvez astrofísicos o situariam na “ergosfera”. Trata-se da região de arrastamento máximo, aquela região em que corpos se encontram entre a imensidão do universo, por um lado; e, por outro, o horizonte de eventos, última fronteira de luz e ponto de não retorno antes de serem dragados pelos buracos negros. Imerso em contexto internacional adverso, o governo Lula luta para evitar que a crise dos combustíveis desencadeie um processo inflacionário, que segue o pior dos inimigos de qualquer governo nacional, mesmo na era da tecnopolítica. Internamente, está às voltas com as dificuldades para a governabilidade em um Congresso Nacional de viés de oposição, o que se agrava dadas as conhecidas dificuldades para navegar em ambiente comunicacional digital de dominância do campo bolsonarista.

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União, PP, PSD, MDB, Podemos, todas legendas com as quais Lula trabalhou a governabilidade pinçando ministros cá e lá, talvez tenham um único ponto de conexão: a perspectiva de poder. Se quem integrou o atual governo já dele arrancou o que pode para lhe facilitar a reeleição, agora é hora de olhar para frente: o que reserva o futuro, digo, as próximas eleições. Entre dezembro e março, Lula deixou a zona de relativo conforto – em que concorreria como favorito numa eleição sabidamente dura – para a zona cinzenta, em que qualquer passo em falso cobrará o seu preço.


O desempenho do governo do presidente da República transborda do Planalto para todos os estados brasileiros e afeta diretamente as composições e alianças. Minas Gerais é o retrato vivo. Se o presidente deixa de ser um cabo eleitoral em condições de impulsionar e virar o jogo nas disputas estaduais, encontrar candidaturas torna-se uma tarefa árida e, ainda mais difícil, expandir o leque de alianças. E se o campo do presidente não define a sua candidatura, aquele campo que com ele polariza a disputa nacional também segura as definições.


Em Minas, é pela disputa ao Senado Federal que as eleições tomam forma no estado. Nem o campo lulista nem o campo bolsonarista bateram martelo em torno da candidatura ao Palácio Tiradentes. Possibilidades estão postas. Mas, em todas elas, empurrar para junho, talvez julho, prazo em que agora o próprio Lula afirma que decidirá pela muito provável candidatura, torna-se estratégico.


No campo lulista, todas as apostas para o governo de Minas se voltam para o senador Rodrigo Pacheco, que filiou-se ao PSB, está elegível, mas ainda não confirmado. Por consequência, embora com mais opções, o campo bolsonarista também se encontra em aberto: poderá lançar Flávio Roscoe (PL), presidente licenciado da Fiemg; poderá construir um palanque com o senador Cleitinho (Republicanos); ou ainda poderá compor com o governador Mateus Simões (PSD), disso dependendo, contudo, do desempenho dele nas pesquisas de intenção de voto e da situação da candidatura do governador Romeu Zema (Novo) ao Planalto.


Com Zema no páreo da disputa nacional, não há aliança em Minas. Espremidos entre os dois campos, estão as candidaturas de Alexandre Kalil (PDT) e Gabriel Azevedo (MDB). Ambos sofrem do mesmo mal: as possibilidades de coligações são pequenas.


Seguem, assim, as indefinições na sucessão mineira, à espera do desenlace nacional: que caminho tomará o governo Lula? Dizem os astrofísicos que os corpos que giram na ergosfera, essa “zona de transição” entre o universo e os buracos negros, ainda conseguem escapar de serem sugados em definitivo para a escuridão. A ciência descreve a estratégia de saída pelo processo de “Penrose”, em que o corpo ganha energia para escapar da zona de arrastamento dividindo-se em dois e entregando parte de si ao buraco negro. Será o caso?

Debates

Com representação mínima de cinco deputados federais, participarão de debates à Presidência da República, até aqui, Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante). Além do ex-deputado federal Cabo Daciolo (Mobiliza), tampouco precisam ser convidados pelas emissoras os pré-candidatos Renan Santos (Missão), Aldo Rebelo (DC), Hertz Dias (PSTU), Samara Martins (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO).


Bolsa de apostas

Quem será o futuro presidente da Assembleia Legislativa é a pergunta que ronda os corredores da Casa. Caso reeleito Mateus Simões (PSD), a expectativa é de que ou o atual líder de governo, João Magalhães (PSD), ou Gustavo Valadares (PSD) assuma o Legislativo. Na hipótese de vitória do senador Cleitinho (Republicanos), que ainda não confirmou candidatura, cogita-se o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL) ou o Sargento Rodrigues (PL). Se vencer o senador Rodrigo Pacheco (PSB), cotado, mas não definido, crescem as apostas em torno dos deputados estaduais Ulysses Gomes (PT) e Betinho Pinto Coelho (União).


Motocicletas

O deputado federal Zé Vitor (PL-MG) apresentou um projeto de lei complementar (PLP 78/2026) que propõe a isenção de impostos na compra de motocicletas novas por profissionais que utilizam o veículo como principal instrumento de trabalho. O projeto zera as alíquotas do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) para quem comprovar o uso em atividade profissional, portando carteira de habilitação da categoria A por no mínimo dois anos e cadastro em plataformas ou órgãos competentes, de acordo com a modalidade exercida.


Educação infantil

Minas ainda não alcançou a meta da educação infantil definida no Plano Estadual da Educação (PEE). Instituído em 2018, o PEE traz o planejamento do Estado para o desenvolvimento da educação no período de 2018 a 2027. Em audiência na Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia, Thiago Lopes, assessor da Secretaria de Estado de Educação (SEE), assinalou que 96,1% das crianças de 4 a 5 anos frequentam a escola ou creche, percentual que cai para 40% das crianças de até três anos. No comparativo com outros estados do país, Minas ocupa a nona colocação, em ambos os casos – acima da média nacional, de 94,6%, em relação às crianças de quatro e cinco anos, e abaixo da média, de 41,2%, quanto às crianças de até três anos.

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Exclusividade

Thiago Lopes ressaltou que a educação infantil é uma incumbência dos municípios: ao estado cabe o diálogo e a cooperação com as prefeituras, com a oferta de suporte técnico, formação de profissionais e orientações. Mas foi contestado por Sandro Vinicius Santos, representante do Fórum Estadual Permanente de Educação: a prioridade dos municípios com a educação infantil não pode ser confundida com exclusividade. Segundo Sandro Vinicius, cerca de 75% das prefeituras de pequeno porte não possuem um sistema municipal de ensino e aderem à rede estadual. Ele também apontou a discrepância de acesso às creches: 42,9% de crianças de núcleos urbanos, contra 13,3% das que vivem em meio rural, e por 57,1% das 20% mais ricas, em comparação com 26% das 20% mais pobres.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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