Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
Em Minas

Candidatos sós e assombrados

Esse MDB não quer ficar nem com Lula nem com o senador Flávio Bolsonaro (PL) para que possa, em cada estado, voar segundo os interesses das lideranças locais

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O senador Rodrigo Pacheco, ainda no PSD, conversa com o PSB de João Campos. Ao mesmo tempo, acompanha, sem se envolver, o movimento de ministros e líderes do MDB da base de Lula no Congresso Nacional, em campanha para que se filiem à legenda. Pacheco no MDB, acreditam eles, daria força à base de governo emedebista, que não desistiu de indicar o vice na chapa da reeleição de Lula (PT), em substituição a Geraldo Alckmin (PSB). Isnaldo Bulhões (AL), líder do MDB na Câmara, os senadores Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), Eduardo Braga (MDB-AM), Renan Calheiros (MDB-AL), além dos ministros emedebistas Renan Filho e Jáder Filho, respectivamente Cidades e Transportes, trabalham para uma composição nacional com Lula.

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Esse é um movimento, contudo, que tem forte resistência da outra banda do MDB: mobilizados e sob o comando do presidente nacional Baleia Rossi (SP), aliado de Tarcísio de Freitas (Republicanos), 16 diretórios estaduais divulgaram, no início de março, manifesto em que pedem a “independência” do partido na eleição presidencial. Esse MDB não quer ficar nem com Lula nem com o senador Flávio Bolsonaro (PL) para que possa, em cada estado, voar segundo os interesses das lideranças locais. Pacheco no MDB de Minas alteraria a composição de forças nesse cabo de guerra nacional. O detalhe de tal articulação está na clássica tirada de Garrincha: primeiro é preciso combinar com os “russos”. Em Minas, o MDB lançou a candidatura de Gabriel Azevedo em 4 de novembro de 2025, de quem Pacheco é aliado. E o presidente da legenda em Minas, deputado federal Newton Cardoso Jr., é um dos signatários do manifesto que pleiteia a “independência” do partido na sucessão presidencial.


O União Brasil do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (AP), faz também um movimento para atrair Pacheco à legenda. Em articulação nacional com Antonio de Rueda, a direção do partido em Minas foi entregue ao deputado federal Rodrigo de Castro, aliado de Pacheco; a presidência da Federação União-PP ao prefeito Álvaro Damião (União), também do grupo político do senador. Enquanto União aguarda a estabilização do quadro da disputa estadual para se posicionar, o PP, do senador Ciro Nogueira (PI), declarou apoio ao governador Mateus Simões (PSD). Simões, que, quando se filiou ao PSD em outubro de 2025, chegou a anunciar o apoio à sua reeleição de sete partidos, entre os quais União e PP assistem essas legendas entrarem na ciranda política.


Com a filiação do ex-prefeito de Betim, Vitorio Mediolli e de Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, o PL – partido cobiçado por Mateus Simões em tentativa de trazer a direita bolsonarista ao seu palanque – tem diante de si três caminhos: candidatura própria; uma composição com o senador Cleitinho (Republicanos), que lidera as pesquisas, indicando a vice da chapa; ou aliança com Mateus Simões. Enquanto o campo “bolsonarista raiz”, representado pelo deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL), declara apoio público a Cleitinho e vai aos Estados Unidos defender o nome dele junto a Eduardo Bolsonaro, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) roda o estado ao lado de Mateus Simões e, nos bastidores, sem declarar publicamente apoio formal, trabalha para levar o PL ao palanque do governador. Por seu turno, Cleitinho, que chegou a anunciar a chapa com o vice, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), prefeito de Patos e presidente da Associação Mineira dos Municípios (AMM), poderá, ao que tudo indica, ficar sem o vice. Falcão tende a não se desincompatibilizar do cargo, assim mantendo os seus compromissos políticos na cidade e região. Além do PL, a depender da configuração da disputa, o campo de alianças de Cleitinho poderá passar, também, pela União.


Ao centro estão as candidaturas do ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) e de Gabriel Azevedo (MDB). Com tanta indefinição e poucos partidos políticos com recursos disponíveis, conversam com muitos ainda sem conseguir sair do lugar para ampliar apoios. Os aliados potenciais hesitam, à espera do melhor cenário que os posicione ao lado do provável vencedor. Ao ritmo de tal ciranda, talvez Maquiavel recitasse: "Dos homens se pode dizer, geralmente, que são ingratos, volúveis, simuladores e dissimuladores; fogem dos perigos e são ávidos de ganhar. Enquanto lhes fazes bem, são todos teus (...) mas, quando a necessidade se aproxima, eles te voltam as costas".

Fila anda

Após almoço com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, com o ex-prefeito e pré-candidato ao governo de Minas Alexandre Kalil (PDT) e com a deputada federal Duda Salabert (PDT), o presidente estadual da legenda, Mario Heringer, avisou: “Kalil é candidatíssimo, só não concorrerá se não quiser”. De acordo com Heringer, se antes havia disposição de composição com Rodrigo Pacheco, na hipótese de se candidatar, agora, o momento é outro. “Agora ele vai de qualquer jeito”, afirma Heringer.


Com o clã

Em Dallas para participar do CPAC, evento ultraconservador internacional, o deputado estadual Cristiano Caporezzo terá encontro marcado com Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que deverá ser um dos palestrantes. Eduardo Bolsonaro já manifestou preferência pela candidatura de Caporezzo ao Senado Federal, não obstante, no PL mineiro, já esteja sacramentado o nome do deputado federal Domingos Sávio (PL). A sucessão em Minas está em pauta e os irmãos se inclinam ao apoio a Cleitinho.


Dr. Frederico vai

Depois da filiação das deputadas federais Greyce Elias e Delegada Ione ao PL, será a vez do deputado federal Dr. Frederico, ainda no PRD. Nikolas Ferreira tende a não brecar, considerando que ele votou com consistência com a pauta bolsonarista.


Revolta

Apesar do veto de Nikolas Ferreira, Thiago Milhim, que adota o nome de urna Thiago Ganem, se filiou ao PL de Minas. Ele já foi secretário municipal de Esportes e Lazer de São Paulo e, no governo Lula, foi secretário de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social do Ministério do Esporte.


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O presidente do Republicanos em Minas Gerais, o deputado federal Euclydes Pettersen, entrou em licença parlamentar, cedendo o mandato ao suplente e aliado Ilacir Bicalho, vice-prefeito de Santa Luzia. Euclydes Pettersen pretendia não concorrer para deputado federal, cedendo a sua base eleitoral ao primo Luciano Pettersen, filho do ex-deputado estadual e ex-prefeito de Carangola Paulo Pettersen. Mas, agora, houve correção de rota. Euclydes concorre à reeleição e Luciano para deputado estadual.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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